Na praia da Ponta d"Areia, as sobras do memorial Bandeira Tribuzzi |
O jornalista, poeta e escritor Bandeira Tribuzzi, autor do hino de São Luís, fundador do jornal O Estado do Maranhão, tem um legado cultural a ser respeitado.
À memória de Tribuzzi foi erguido um memorial, localizado na praia da Ponta d"Areia, há tempos em completo estado de abandono.
O jornal criado por Bandeira deu origem ao império midiático de José Sarney - o Sistema Mirante de Comunicação.
A situação do memorial é lastimável. Tomado pelo mato, o prédio está tão desprezado que não serve sequer para o abrigo de drogados, mendigos ou sem teto.
Vez por outra, Sarney escreve loas a Tribuzzi, mas não tem a consideração de mandar capinar o memorial erguido ao "amigo".
A filha do senador amapaense, Roseana Sarney (PMDB), é governadora do Maranhão pela enésima vez. Ela também nunca se importou com o memorial.
A ponta (e não península), onde foi erguido o memorial, é um cartão postal da cidade. Lá, estão concentrados os apartamentos proporcionalmente mais caros do mercado imobiliário brasileiro, na faixa de R$ 5 milhões.
Os apartamentos são adquiridos por prefeitos corruptos, agiotas, gente enriquecida com a política e profissionais liberais que trabalharam honestamente para comprar um imóvel com vista para o mar.
Em meio aos prédios luxuosos, as ruas esburacadas e sem calçada. Nas proximidades do memorial abandonado, empilharam um monte de pneus velhos para conter a erosão à beira-mar.
Esse é o retrato do Maranhão. Luxo e abandono misturados.
Os prédios caríssimos estavam ameaçados pelo movimento das marés. Rapidamente, a Vale construiu um quebra-mar para proteger o patrimônio da burguesia.
Foi a obra mais rápida construída em todos os tempos no Maranhão, visando também impedir o assoreamento no Porto do Itaqui e no Porto da Vale.
Em tempo recorde, centenas de caçambas foram mobilizadas, com dezenas de metros cúbicos de pedra, para construir o quebra-mar, impedindo a erosão na ponta.
Ali será erguida uma marina, bem próximo ao memorial Bandeira Tribuzzi, que segue abandonado.
Para a oligarquia, há 50 anos no poder, pouco importa se Bandeira Tribuzzi ajudou Sarney a criar um jornal que virou um império midiático, alimentado com as verbas publicitárias do governo.
A obra literária de Tribuzzi também é desprezada na imagem do memorial abandonado.
O poeta da louvação a São Luís é um ser sem memória.
Assim como Tribuzzi, milhões de maranhenses têm o mesmo tratamento - o abandono e o desprezo.
Para Sarney, só a multiplicação da fortuna e dos privilégios da sua família têm sentido e valor.
Todo o resto do Maranhão, é lixo!
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