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domingo, 5 de fevereiro de 2012

GABY AMARANTOS VIROU MUSA

Em dezembro de 2011, na sua coluna de crítica musical no Jornal da Globo, Nelson Mota matou a cobra e a indústria da música está mostrando o pau.

Do Jurunas, periferia de Belém, a cantora paraense Gaby Amarantos já é a preferida de Ana Maria Braga, Faustão e outras xaropadas globais, além de capas de revista, onde recebe o título de musa.

Extravagante nos figurinos e no vozeirão, apresenta seu estandarte de saia vermelha e camisa preta, convidando os visitantes para tomar café coado na calcinha, tema da música "Xirley".

O tecnobrega é um estilo musical típico da periferia paraense. Vem se fazendo e refazendo por fora do circuito comercial e tem nas festas de aparelhagem uma mídia própria, independente das arquiteturas midiáticas convencionais.

Se o Brasil tem que suportar, por imposição, os abusados refrões de um axé chinfrin de Ivete Sangalo, por quê não rebolar no vozeirão de Amarantos?

Gaby não pediu para ser famosa. Fez sua música com o pé no Jurunas, onde o povo idolatra as aparelhagens mirabolantes, seus efeitos sonoros e luminosos.

Veja mais sobre Gaby Amarantos aqui

CNJ URGENTE NO MARANHÃO

A melhor notícia da semana foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que assegurou as prerrogativas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para monitorar a investigar os atos da magistratura.

No Maranhão há juízes denunciados por venda de sentenças, tráfico de influência, grilagem de terras e até prática de trabalho escravo.

A decisão do STF sobre o CNJ é um alivio para a cidadania. Melhor será se o CNJ olhar atentamente o Tribunal de Justiça do Maranhão.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

BULCÃO, O SECRETÁRIO TRAPALHÃO

Professor Marcelo Cheche Galves *

O Secretário da Cultura do Estado do Maranhão, Luís Bulcão (o mesmo da reforma da Biblioteca Benedito Leite...) protagonizou no último dia 27 de janeiro um episódio digno de sua atuação à frente da pasta.
Circulando pela Praia Grande, o secretário ouviu as manifestações de alunos e professores do curso de História da Universidade Estadual do Maranhão, que bradavam ao microfone contra a sua incapacidade administrativa.

Explico. O secretário Bulcão cedeu, sem ter poder para tanto, as ruínas localizadas na Rua da Estrela, nº 309, para o IPHAN, que por sua vez, transferiu a cessão para a construção de um centro de preservação do Tambor de Crioula.
Ocorre que, ao mesmo tempo, a Universidade Estadual do Maranhão solicitou a cessão das ruínas para abrigar um anexo do Curso de História, que funcionará no prédio ao lado, nº 329 (a inauguração está prevista para junho de 2012).

Pelos trâmites legais, a solicitação foi feita à Secretaria de Planejamento em março de 2009 e o resultado, positivo, foi publicado pelo Diário Oficial do Estado do Maranhão de 14 de dezembro de 2011.
Desrespeitando princípios básicos sobre a legislação referente à cessão de bens tombados, o secretário Bulcão arrogou-se o direito de fazê-lo. Resultado: o mesmo Estado expediu duas cessões: uma oficial, para a UEMA, outra extra-oficial, para o IPHAN/Tambor de Crioula.
No último dia 27, o IPHAN convocou autoridades para o lançamento da pedra fundamental da obra. Constrangidos com a manifesta irregularidade, os secretários de Estado não apareceram.

O Ministro do Turismo, Gastão Vieira, também não apareceu, nem mandou representante. Apenas Luís Bulcão circulava entre os convidados, no melhor estilo: quem pariu Mateus, que embale.
Incomodado com os gritos pedindo a apresentação do documento da cessão oficial do prédio, Bulcão tentou passar anônimo entre os manifestantes. Identificado e convidado a utilizar o microfone, esquivou-se.
Talvez Bulcão esteja agora pensando numa saída para o imbróglio que provocou. Saída? Está aí uma boa sugestão: sua saída do cargo. É aguardar.
* Marcelo Cheche Galves é docente no curso departamento de História e Geografia da UEMA

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

SAIBA MAIS SOBRE OS BASTIDORES DAS OPERAÇÕES DO VICE-GOVERNADOR DO PT

É um primor o texto do jornalista Cunha Santos sobre os bastidores da reunião do Diretório Municipal do PT, dia 28, na sede do Sindicato dos Servidores Federais (Sindsep), no Monte Castelo.


Cunha Santos relata com toques de romancista os movimentos do vice-governador Washington Oliveira (PT), em uma casa próxima à sede do sindicato, para abocanhar os 30 votos que lhe deram uma vitória parcial na disputa interna do partido.


Veja o texto de Cunha Santos


A CASA AO LADO


JM Cunha Santos


O encontro do PT que decidiu pela escolha indireta do candidato a prefeito de São Luís, em reunião realizada na sede do Sindisep, teve um componente de assombração: A Casa ao Lado. Lá, entidades misteriosas ouviam choros de meninos sem dinheiro, roncos de gente virando porco, trotes de cavalos carregando maletas e batidas em código na porteira. Era o barulho da compra de votos.

“A casa ao lado” foi a grande responsável pela derrota da tese das eleições diretas para escolha do candidato do Partido dos Trabalhadores. Nela, alguns sonharam ficar ricos da noite para o dia ou foram preparados para enriquecer brevemente. Eventos insólitos, sem causa física aparente, como a geração espontânea de funcionários do Incra e de secretarias de Estado ou o aparecimento do nada de malas recheadas e cheques ao portador, orientaram os piratas na caça ao tesouro.


Continue lendo aqui

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

BIRA LANÇA PRÉ-CANDIDATURA A PREFEITO

Um jantar no restaurante Picuí Tábua de Carne, nesta sexta-feira 3, dá a largada para a candidatura do deputado Bira do Pindaré (PT) à Prefeitura de São Luís em 2012.


Militância animada, discursos afinados e muita disposição para enfrentar o processo interno do PT estão na pauta do jantar.


Enquanto Bira janta com a militância, o vice-governador Washington Oliveira (PT) confabula com Ricardo Murad para virar o candidato a prefeito.


Os petistas vão escolher o candidato pelo sistema indireto, num encontro, após a eleição de delegados em chapas votadas pelos filiados.


Bira preferia prévia direta com a militância, mas o vice WO, candidato de Sarney, amarrou o colégio eleitoral.

FLÁVIO DINO x RICARDO MURAD: TEMPO DE GUERRA NO MARANHÃO

Em primeiro lugar, um esclarecimento: este blogue não tem procuração para defender Flavio Dino e o PC do B.

Apoiamos as candidaturas de Flavio a prefeito de São Luís (2008) e governador do Maranhão (2010), no contexto de uma aliança hegemonizada pelo campo democrático-popular.

Dino não é candidato a santo e não faz política com pureza e inocência. Na sua meteórica carreira política ele carrega traços do stalinismo comunista e do mandonismo da magistratura.

Porém, isso não faz dele um calhorda como tentam imputar jornalistas e blogueiros alinhados ao esquema Sarney.

Recentemente, os ataques a Dino foram intensificados na internet pelo secretário de Saúde Ricardo Murad (PMDB) em torno da inauguração de hospitais no Maranhão.

Ora Dino é tratado como Deus ou professor de Deus, ora como Hitler, depois é um “menino mimado” e segue recebendo outros epítetos que não discutem, na essência, a realidade do Maranhão (mais abaixo retomaremos este tema).

Não podemos assistir passivamente a esses ataques que tentam transformar Flavio Dino em vilão aos pés de um falso beato como Ricardo Murad ou um santo bissexto de codinome José Sarney.

Os ataques a Dino, a priori personificados, estendem-se a todo o campo democrático-popular no Maranhão. Atingem um conjunto de entes políticos persistentes na transformação econômica e moral da nossa terra.

Querem colocar na vala da indigência política homens e mulheres que lutam pela reforma agrária, direitos humanos, liberdade de expressão e democracia no Maranhão.

De Flávio (PC do B) a Marcos Silva (PSTU) somos todos tratados como desqualificados, farsantes e ressentidos, adjetivos equivocadamente colocados para estigmatizar as pessoas que se opõem à oligarquia Sarney.

Trata-se de uma nova forma de inquisição, um tipo de policiamento ideológico só capaz de vingar em ambientes da pré-história política, onde as divergências são tratadas como falta de respeito aos senhores feudais e reis.

A REALIDADE NUA E CRUA DO MARANHÃO

Retomemos agora o essencial: o debate sobre a realidade do Maranhão.

Partimos da premissa de que quanto mais poder e prestígio têm José Sarney, mais miserável é o MA.

Todos os indicadores de institutos de pesquisa insuspeitos demonstram isso. E, para além das provas científicas, o senso comum pode ver.

Basta cruzar os limites geográficos do Maranhão. Atravessando as barrancas dos rios Tocantins, Gurupi e Parnaíba, estamos em outros mundos.

Tudo começa com a melhoria do asfalto. As piores estradas estão sempre no Maranhão.

Aqui predominam as casas de palha, a miséria ferindo os olhos, os arredores dos postos de gasolina seis meses enlameados pelas chuvas ou empoeirados pelo sol escaldante.

As cidades nas beiras das estradas são a imagem do caos: feias, sujas e mal cuidadas, salvo raras exceções. Existem bons administradores e políticos no Maranhão, mas esta não é a regra.

José Sarney espalhou no Maranhão a erva daninha do sarneísmo, uma cultura política que contaminou a quase totalidade dos prefeitos com as doenças do atraso administrativo, da pilhagem e do abandono.

Viajando pelo interior do Ceará ou do Piauí, melhoram a qualidade das estradas e o visual das cidades. Os governos são ativos na vida das pessoas.

Cruzando as fronteiras do Maranhão tem-se a impressão de sair da barbárie e entrar na civilização.

Observa-se fora daqui uma pulsação de vida, o cuidado e bom gosto nas construções, os arranjos produtivos, a economia em desenvolvimento crescente, gerando oportunidades, emprego e renda para a população.

O Maranhão é a imagem da desgraça e da destruição. Predomina um não fazer ou um fazer mal feito.

A cidade-sede do nosso principal destino turístico, Barreirinhas, portal dos Lençóis Maranhenses, onde o primo de Sarney, Albérico Filho (PMDB), é o prefeito, tem a cara de uma favela.

Os turistas do mundo inteiro são recepcionados por urubus voando sobre lixeiros, quadriciclos ameaçando pedestres sobre ruas esburacadas e preços de arrancar os olhos.

E se você quiser ver coisa pior, vá ao Pólo Turístico da Raposa, na região metropolitana de São Luís, onde não há sequer um píer de madeira para atracar os barcos de passeio.

Isso tudo acontece no Maranhão do ministro do Turismo Gastão Vieira (PMDB), deputado federal de mil mandatos, ex-Secretário de Educação e tantas outras coisas.

Se Ricardo Murad constrói hospitais o faz por uma dívida histórica com os maranhenses. Não há nada de benevolência ou heroísmo ao utilizar o dinheiro público em benefício da população.

Ele deveria também resolver o problema da água em São Luís. É inadmissível uma capital viver no racionamento há quase 50 anos e receber água sem tratamento adequado.

É intolerável ver o Maranhão achincalhado diariamente pelos piores indicadores sociais. E isso tem responsáveis. É a oligarquia Sarney.

Todos os dias há manchetes anunciando grandes investimentos para o Maranhão. Ora temos “duas Bolívias” de gás natural, ora somos o paraíso do eucalipto e da soja.

Quanto mais investimentos grandiosos chegam, mais miserável fica o Maranhão. Foi assim quando a Lei de Terras de José Sarney atraiu os latifundiários.

Posteriormente, um novo ciclo econômico - o mínero-metalúrgico - trouxe ao Maranhão a Alumar e a Vale do Rio Doce. E nenhuma mudança significativa ocorreu em nossos indicadores econômicos.

O saldo de tudo isso é que só uma coisa cresce no Maranhão: o trio indissociável da concentração de renda, corrupção e miséria.

Os próprios blogueiros do Sistema Mirante denunciam o mar de corrupção na Vale.

É contra esse modelo econômico desigual que nos insurgimos. Temos o direito e o dever de transformar o Maranhão.

Flavio Dino (PC do B) não é candidato a santo, mas reúne as melhores condições de aglutinar um conjunto de forças políticas democráticas e progressistas para mudar o Maranhão.

Não somos adeptos do maniqueísmo político, mas nas últimas cinco décadas o Maranhão vive sob o império da maldade. O arquiteto disso é José Sarney e Ricardo Murad um eficiente operador.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PRIMEIRA BATALHA NO PT EXPÕE OS MÉTODOS SÓRDIDOS DO VICE-GOVERNADOR

Quem leu superficialmente o noticiário sobre a reunião do diretório municipal do PT, dia 28/01 (sábado), pode até pensar que o placar de 30 votos contra 14 foi uma vitória folgada.

Mas não foi não. Os 30 votos correspondem a 2/3 dos 44 membros do diretório municipal, onde o vice-governador Washington Oliveira (WO) age como caudilho das ditaduras latino-americanas dos anos 1960.

WO e sua turma pregaram eleição indireta para definir o candidato do PT à Prefeitura de São Luís em 2012, negando a tradição das prévias com a participação dos filiados no processo interno petista.

Os agrupamentos liderados pelo deputado estadual Bira do Pindaré defenderam as prévias, sustentando o princípio democrático da participação dos filiados na definição do candidato.

Oliveira tinha apenas 29 votos e temia perder a disputa. O trigésimo voto foi capturado na marra, fazendo mudar a posição de um integrante do diretório, anteriormente afinado e declarado apoiador das prévias.

Após muita pressão da tropa de choque de WO, o trigésimo voto foi capturado aos 45 minutos do segundo tempo, com uma série de investidas de vários emissários do vice-governador, no transcurso da reunião do diretório.

O vice-governador não teve coragem de aparecer na reunião, mas monitorou as investidas para fazer a lambança, revelando um PT mergulhado nos esgotos da política, onde Washington Oliveira é um bicho muito perigoso.

A pré-campanha de WO à Prefeitura de São Luís é coordenada por Ricardo Murad, após um acerto com o senador José Sarney (PMDB), para impedir que o vice assuma o governo em 2014, quando Roseana Sarney tirar licença para disputar o Senado.

Não está nos planos de Sarney entregar o governo para WO durante a licença de Roseana. E arranjaram para o vice a candidatura de prefeito, no esquema de elegê-lo ou metê-lo em alguma trama que o inviabilize no futuro.

Passada a reunião do diretório municipal, está definido que o PT vai escolher o candidato a prefeito pela via indireta. WO venceu apertado e na marra a primeira batalha.

Agora os petistas vão formar chapas e eleger delegados para o próximo encontro que vai definir o candidato.

Dois projetos estão em disputa. O PT vai decidir se quer uma candidatura autêntica, com Bira do Pindaré, ou uma laranja de Sarney - Washington Oliveira.

A guerra só começou.