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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PREFEITURA DE SÃO LUÍS CIMENTA ÁRVORES NO CENTRO

Sem plantar uma árvore durante quase quatro anos de mandato, a gestão do prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB), chega ao final de forma degradante.
 As imagens são do repórter fotográfico Biné Moraes, d’O Estado do Maranhão, mostrando as árvores cimentadas no canteiro central da avenida Alexandre Moura, às margens do Parque do Bom Menino, uma das raríssimas áreas verdes de São Luís.
 A “obra” da Prefeitura impermeabilizou a base das árvores, impedindo que sejam regadas ou recebam água das chuvas.

É mais uma demonstração da incompetência, falta de sensibilidade e até perversidade da equipe coordenada pelo prefeito João Castelo, candidato à reeleição.
 Enquanto o mundo inteiro faz um esforço enorme para pautar as questões ambientais, o prefeito de São Luís tortura e mata as árvores da cidade.

Castelo é a barbárie.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

AÉCIO MARCHA COM CASTELO E DILMA IGNORA HOLANDA JUNIOR

Apesar da polaridade entre o PT e o PSDB no plano nacional, em São Luís a disputa é bi ou até tripolar.

Aqui o PT sarneísta, aliado de Lula e Dilma Roussef, coligou-se ao PMDB para ajudar o PSDB e reeleger o prefeito tucano João Castelo. Vejamos:

Enquanto o presidenciável Aécio Neves (PSDB) faz caminhada hoje na rua Grande com o prefeito tucano João Castelo (PSDB), a presidente Dilma sequer gravou uma declaração de apoio ao candidato Edivaldo Holanda Junior (PTC).

A presença da presidente na campanha ficou apenas nas fotografias coladas nas paredes, apesar de Holanda Junior ter dito e repetido que integra a base do governo federal e faz parte do conselho político de Dilma.

O ex-presidente Lula também não veio a São Luís e nem gravou apoio a Holanda Junior.

Lula e Dilma não querem criar dificuldades ao amigo leal e companheiro José Sarney (PMDB), interessadíssimo na reeleição de João Castelo.

Em resumo, tanto o presidenciável tucano Aécio Neves quanto a pretensa candidata à reeleição Dilma Roussef (PT) favorecem Castelo. O primeiro pela presença física na campanha; a segunda, pela ausência.

Pior fez o PT de São Luís. Após a derrota humilhante do candidato sarneísta Washington Oliveira (WO), o diretório municipal emitiu uma nota declarando-se “neutro” no segundo turno.

A Resistência Petista, não alinhada a José Sarney, está na campanha de Holanda Junior.

Mas o PT Nacional obedece a Sarney. A ordem é ajudar Castelo para derrotar Holanda Junior e o aliado Flavio Dino (PCdoB), candidato a governador em 2014, com chances de derrotar a oligarquia.

É para ajudar Sarney e o compadre Castelo que Lula e Dilma estão ausentes da campanha em São Luís.

VIGILÂNCIA TOTAL NA ELEIÇÃO DE SÃO LUÍS

Tudo pode acontecer no Maranhão, essa terra abençoada onde as maldições assombram de vez em quando ou quase sempre.

Qualquer eleição aqui exige atenção redobrada, principalmente quando há grandes interesses em jogo.

No caso específico do pleito de 2012, prévia da grande batalha de 2014, os riscos são ainda maiores.

A compra de votos, uma conduta reprovável, já foi institucionalizada - apesar das recomendações em contrário e das proibições da Justiça Eleitoral.

Para atenuar o comércio eleitoral deve haver uma força tarefa vigilante e operante do Ministério Público, TSE, da Polícia Federal e do Exército.

São Luís precisa de uma atenção especial das forças federais no próximo domingo. Seja qual for o resultado da eleição, deve ser proclamado sob a garantia da lisura do processo de votação, respeitando a vontade soberana do eleitor.

O Judiciário maranhense, já tão maculado por denúncias de corrupção, deve dar exemplo nessa eleição, sem medir esforços para que haja uma votação e apuração limpas.

Em quase todo o Brasil há sinais de evolução das práticas democráticas e do espírito republicano, menos no Maranhão, onde o coronelismo estupra os poderes e a Lei.

A ficção está repleta de ilustrações. Na novela Gabriela, por exemplo, o coronel Ramiro Bastos (interpretado por Antonio Fagundes) dita a Lei em Ilhéus, onde é intendente há 20 anos.

Mas nenhuma ficção chega perto da realidade maranhense, onde até governador eleito é cassado.

O último capítulo de Gabriela será sexta-feira, antevéspera da eleição para prefeito. Tudo indica que o derradeiro coronel de Ilhéus vai cair. Bom sinal. Quem sabe a ficção influencia a realidade e o povo de São Luís resolve destituir o penúltimo caudilho daqui.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

SARNEY & CASTELO: MILITARES E MILÍCIAS NA POLÍTICA DO MARANHÃO

Da ditadura militar à atualidade: os coronéis Sarney e Castelo se entendem
Ninguém melhor que José Sarney, apoiador e beneficiário da Ditadura Militar, entende de golpes e violência.

Os militares apoiados por ele prenderam, torturaram, mataram e até ocultaram cadáveres de centenas de jovens, pais ou mães de família, por 20 anos.

Ninguém melhor que João Castelo conhece as práticas de espancamento e uso da força contra os adversários. Castelo foi o governador que mandou dar porrada nos estudantes de São Luís, que reivindicavam a meia passagem, na greve de 1979.

Os compadres-coronéis José Sarney (PMDB) e João Castelo (PSDB) faziam parte da velha Arena (Aliança Renovadora Nacional), depois transformada em PDS, duas estruturas partidárias de sustentação à Ditadura Militar.

Agora eles estão consorciados nesta eleição com um objetivo central – derrotar Flávio Dino (PCdoB), padrinho da candidatura de Edivaldo Holanda Junior (PTC).

É preciso frear Flavio Dino agora em 2012 para que ele chegue fragilizado na eleição de governador, em 2014, evitando a alternância de poder no Maranhão.

Para atingir esse objetivo, Sarney & Castelo estão armados até os dentes, operando as velhas manobras aprendidas na escola da repressão - a Ditadura Militar - onde foram dedicados alunos e profissionais.

É o que justifica, por exemplo, a campanha sórdida desencadeada pelo prefeito João Castelo contra Edivaldo Holanda Junior.

O marketing viral de Castelo vem criando, semana após semana, uma série de factóides para confundir o eleitorado e baixar o nível da campanha.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com a divulgação de um vídeo fajuta que associa conceitos de violência à campanha de Edivaldo Holanda Junior.

Para fugir das questões essenciais – o debate sobre a cidade – Castelo agenda temas que mobilizam a atenção do eleitorado para fuxicos e mexericos.

Um dos principais expedientes dos marqueteiros de Castelo é a produção de boatos para “amarrar” Edivaldo a uma roda-viva de explicações.

Os boatos são plantados cientificamente e produzem um efeito avassalador na campanha porque mobilizam os sentidos da população.

O VÍDEO E A CIDADE

Nas teorias do Jornalismo chama atenção o conceito de Agenda Setting. As pessoas passam a inserir nas suas conversas pessoais aquilo que é disponibilizado no noticiário dos meios de comunicação.

A Agenda Setting pode ser operada artificialmente, a exemplo do vídeo miliciano dos marqueteiros de Castelo, exaustivamente repercutido na internet, nos jornais, na TV e nas emissoras de rádio.

Com essa estratégia, Castelo desvia o foco da campanha e agenda um tema de menor importância para a cidade.

Na lógica marqueteira de Castelo, não importa se as crianças perderam o ano letivo porque as escolas ficaram inviáveis. Não importa se a cidade foi tomada por buracos. Não importa se os hospitais municipais foram transformados em campos de concentração. Não importa se São Luís virou o caos.

O grande assunto, a mais importante agenda da campanha, o magnífico debate é um vídeo no qual um grupo de militares declara apoio a Edivaldo Holanda Junior, com frases de efeito que em nada vão alterar a administração da cidade.

VELHO FILME

A oligarquia Sarney entrou no circuito de duas formas: dando ampla repercussão ao vídeo no Sistema Mirante e mandando prender os militares que declararam apoio a Edivaldo Holanda Junior.

A prisão dos militares, no Brasil redemocratizado, é um atentado à liberdade de expressão e à livre manifestação do pensamento.

Ajudado pelo compadre-coronel José Sarney, Castelo tem todo apoio das forças coercitivas do Governo do Estado, sendo beneficiado pelo mesmo expediente da repressão de 1979, quando mandou espancar e prender os estudantes.

Castelo joga sujo e vai levando a campanha para o terreno onde ele luta melhor – o lixo e a lama.

Não existe maior violência do que privar o eleitor de conhecer as propostas dos candidatos e participar dos debates reais e mais importantes sobre a cidade.

Fruto da Ditadura Militar que o gerou, Castelo utiliza-se de um marketing miliciano para violentar o eleitor.

Uma lástima.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Maranhão DA COR DO PECADO

Hildonjackson Santana Dias *

Desde 1965 está entre nós a teledramaturgia global, que estreou sua primeira NOVELA com o seguinte título: ILUSÕES PERDIDAS. Qualquer semelhança desta trama com a história do povo maranhense é mera coincidência. Então, vou te contar... .

Neste mesmo período surge na história política maranhense a figura de José Sarney, que fora eleito Governador do Estado com o slogan “O Maranhão Novo”. Começa a consolidar-se, então, a idéia do mito do SALVADOR DA PÁTRIA. Aquele que iria libertar o Maranhão do atraso das velhas práticas do “coronelismo”, do assistencialismo e também modernizar o Estado.

Acontece, porém, que como se tivesse DUAS CARAS, DUAS VIDAS este ser camaleônico travestiu-se de tal forma, que está há mais de 40 anos no poder dominando a política local, indicando e elegendo todos os governadores do Estado até 2006. Isto só foi possível por que Sarney esteve ao lado de todos aqueles que dominaram a política nacional neste período.

O ASTRO maior da política maranhense relegou o Estado aos piores índices sociais do Brasil. O PARAÍSO anunciado ficou somente no EU PROMETO. A modernização e o progresso não vieram. Nas PÁGINAS DA VIDA do povo maranhense estará registrada a ânsia de poder deste clã que reina absoluto há mais de quatro décadas. O todo poderoso faz de tudo e a qualquer preço para permanecer no poder.

No nosso Estado o nome SARNEY é perpetuado de forma tão intensa que prédios públicos, pontes, bairros, praças, avenidas, escolas, palácios e maternidades são inaugurados com o DNA SARNEY.

Só falta construir um cemitério e batizar com o nome de alguém da família. Se, ao menos, fosse como na série O BEM AMADO onde o prefeito “Odorico Paraguaçu” inaugura o cemitério com o seu próprio enterro. Mas ainda está longe de sepultarmos de vez a influência política deste grupo na história maranhense.

O Maranhão precisa se reencontrar. E a população tem que ser SENHORA DO DESTINO de sua história, descartando e desprezando aqueles que acham que o Estado é só um PARAÍSO TROPICAL e que morar em casas de taipas e palhas é normal.

A república Maranhão assemelha-se muito à KUBANAKAN, aquela republiqueta onde reinava a ganância, a corrupção e os desmandos. Pobre Maranhão! DEUS NOS ACUDA da sede insaciável desta oligarquia. A FAVORITA da família retorna ao trono do palácio, alicerçada em uma decisão judicial de única instância que desconsiderou a vontade popular.  E onde está o meu voto?       A GATA COMEU.

O patriarca da família, como se dissesse QUE REI SOU EU que não consigo reconduzir O CLONE meu ao poder, faz o possível e o impossível junto aos tribunais superiores em Brasília para recolocar o seu BEBÊ A BORDO da nau maranhense, já que ele é “o dono do mar”. 

A INDOMADA, a FERA RADICAL e a “guerreira” estão de volta e com elas a CIRANDA, CIRANDINHA... .

Muitas CARAS E BOCAS ainda aparecerão no cenário político do Maranhão. Mas é preciso estar vigilante para não permitir que estas pessoas transformem o nosso Estado, a nossa cidade em uma SELVA DE PEDRA.

Precisamos reencontrar o CAMINHO DAS ÍNDIAS e impedir que esta oligarquia transforme o governo em um NEGÓCIO DA CHINA onde seus interesses particulares prevaleçam sobre os da maioria.

Nós, o povo maranhense, temos UM SONHO A MAIS para alimentar as nossas esperanças de dias melhores. Vamos fazer como fizeram OS IRMÃOS CORAGEM que defenderam a sua cidade e expulsaram, dela, aqueles que queriam roubar o seu tesouro.

O Maranhão não é uma grande fazenda onde o seu dono, O REI DO GADO, determina o destino de suas rezes. A luta dos Movimentos Sociais terá de continuar com homens e mulheres dispostos a mudar a triste realidade da nossa terra.

Faremos como DONA XÊPA: que lutou muito, trabalhando no mercado até ver o seu filho formado e autor de livros. No universo dramatúrgico vivido por ROSEANAS, HELENAS, FLORAS, ODETES REUTMAN, SINHOZINHO MALTA, ZECAS DIABO, LEÔNCIOS E MARIAS DE FÁTIMA o enredo poderia abordar a volta da esperança como aconteceu em ROQUE SANTEIRO, aquele escultor de santos, que desaparecido retorna à sua cidade e causa um rebuliço no meio da classe dominante que explorava a sua imagem para controlar o povo.

Ou como em TIÊTA, que ao voltar à sua Santana do Livramento causa um furacão de invejas e despeito dentro da sociedade medíocre.

Não precisamos de BARRIGA DE ALUGEL para gestar a democracia. Nem de um PAI HERÓI que trata os destinos do Maranhão em LAÇOS DE FAMÍLIA.

Vamos nos inspirar em Negro Cosme, Mãe Firmina, João do Vale e tantos outros que lutaram por mais dignidade. Lutaremos como a ESCRAVA ISAURA que não se submeteu aos caprichos do coronel Leôncio e lutou até alcançar a liberdade. Não queremos assistencialismo, clamamos para ver a nossa luta reconhecida.

Afinal CHOCOLATE COM PIMENTA no dos outros é refresco. Queremos, sim, UM SÉTIMO CÉU, MULHERES APAIXONADAS e principalmente a TERRA NOSTRA para plantar o nosso FEIJÃO MARAVILHA e ter o nosso LARANJAL.

Não sabemos como terminará a nossa novela. Espero que não tenha o tom e a dramaticidade de gosto duvidoso, como os folhetins mexicanos. Mas, como na trama tudo é possível e já dizia uma rede de TV, a TV COLOSSO: “ele é um colosso, ele não larga o osso”.

Podemos esperar capítulos com ares nebulosos que nem ZAZÁ ousaria voar.
Agora voltando ao primeiro parágrafo, Sarney como ator político principal está entre nós desde 1965 e ele foi convidado a protagonizar UM ANJO QUE CAIU DO CÉU, mas ele preferiu fazer ANJO MAL. Então, só nos resta VIVER A VIDA.
Pronto, TE CONTEI... . Plim-plim.

* Hildonjackson Santana Dias é militante do PT cheiroso e estudante do IFMA.

PARA EDIVALDO, VÍDEO SOBRE “MILÍCIA 36” É MONTAGEM

Em nota, a coligação Muda São Luís, liderada pelo candidato a prefeito Edivaldo Holanda Junior (PTC), rebate as acusações de um suposto vídeo no qual apoiadores de Holanda estariam montando uma “Milícia 36”.

O vídeo vem sendo explorado pelo prefeito João Castelo (PSDB), tentando associar o conceito de violência à campanha de Edivaldo Junior.

“Esse vídeo é somente mais uma manipulação de informação, como tantas feitas nessa campanha, para tentar ganhar a eleição a qualquer custo”, diz a nota da coligação Muda São Luís.

O vídeo foi tema do editorial de hoje da coluna Estado Maior, principal agenda política do jornal O Estado do Maranhão, controlado pela família Sarney.

Veja a nota na íntegra.

NOTA DA COLIGAÇÃO MUDA SÃO LUÍS
EDIVALDO PREFEITO

Temos feito uma campanha limpa, em respeito às famílias de São Luís. Infelizmente, desde o começo do 2º turno o candidato Edivaldo Holanda Junior tem sido alvo de ataques mentirosos e ilegais na TV e no rádio, além de panfletos com ofensas que circulam nos bairros. São 11 dias seguidos de agressões contra Edivaldo e seus familiares.

Agora, em mais uma tentativa desesperada de João Castelo para evitar a sua derrota, montaram um vídeo, juntando imagens de vários momentos, para criar a mentira de que existiria uma “milícia 36”. Desafiamos o Sr. João Castelo a apresentar um único ato de violência que foi praticado por essa suposta milícia.

Na verdade, Edivaldo Holanda Junior participou de uma reunião com bombeiros, militares e suas famílias, que têm todo o direito de se manifestar fora do seu horário de trabalho. São cidadãos e cidadãs que merecem respeito.

O vídeo apresentado por João Castelo é totalmente montado e ilegal, conforme o artigo 45, inciso II e parágrafo 5º, da Lei n° 9.504/97. Estamos pedindo à Justiça o direito de resposta, perícia no vídeo e investigação sobre quem foi o autor da montagem.

Também estamos requerendo a presença de forças federais no 2º turno de São Luís, a fim de eliminar esse clima de medo que Castelo tenta criar. As forças federais também servirão para impedir a compra de votos que está
sendo preparada, inclusive com o uso de repartições públicas.

Esse vídeo é somente mais uma manipulação de informação, como tantas feitas nessa campanha, para tentar ganhar a eleição a qualquer custo. Edivaldo é um homem cristão, pai de família, sempre foi comprometido com a paz e a democracia.

São Luís quer a mudança, e nenhuma manipulação vai impedir que isso aconteça.

São Luís, 22 de outubro de 2012.

COLIGAÇÃO MUDA SÃO LUÍS – EDIVALDO PREFEITO

domingo, 21 de outubro de 2012

GUARDANAPOS

De vez em quando a gente se liga. A conversa é grande, plena de especulações sobre a conjuntura, cenários, atores e projeções sobre a política no Maranhão. Ao final do telefonema, um dos dois sempre encerra o bate-papo com a frase emblemática: “precisamos rabiscar uns guardanapos”.

Os lenços de papel foram marcantes em um período especial das nossas vidas, embaladas por utopias e revoluções de todos os tipos. Como bons militantes, a última reunião do dia acabava em cerveja.

O local predileto era um bar no São Francisco, ao som de jazz e blues, às margens da avenida Colares Moreira, onde as especulações políticas ampliavam-se na medida das dosagens etílicas.

Entre um e outro brinde, os mapas de conjuntura eram desenhados nos guardanapos dispostos na mesa, riscados com caneta faber castel. Ficavam ali, naqueles desenhos, todas as táticas da estratégia que um dia levaria a esquerda ao poder.

Vendo o PT hoje, que coisa!...Mas é sempre bom lembrar daqueles papéis e dos sons que animavam nossos sonhos.

Os guardanapos, em outras épocas, foram muito úteis para mandar recados de paqueras entre as mesas de bar. Hoje, com a tecnologia avançada, enviam-se torpedos por celular. São outras as formas de conquista.

Porém, os papéis escritos não perderam o charme. Certa vez um amigo contou-me de suas aventuras amorosas com um fim apoteótico.

Ele encantou-se por uma moça, especialmente pelos lábios dela, mas sofria de uma terrível timidez. Para superar o obstáculo, escreveu um bilhete à pretendida solicitando que ela lhe desse um autógrafo.

Mas ele não queria um autógrafo tradicional. A assinatura da moça – pedida no bilhete – deveria vir no guardanapo com o decalque dos lábios dela, contornados de batom.

A pretendida não só atendeu à solicitação como encantou-se por aquela cantada inusitada, rendendo ao rapaz, além do decalque dos lábios, muitos beijos ao fim da noite.

Os guardanapos lembram também outras viagens proporcionadas pelos manufaturados nas aulas comunitárias. Hoje, nas salas da UFMA, os delicados papéis brancos servem para limpar a sujeira das mesas e cadeiras sempre empoeiradas.

Há também motivos muito nobres para os guardanapos, como enrolar salgadinhos carinhosamente e servir a alguém especial, durante um coquetel.

Quando vejo, nas tardes de setembro, a meninada empinar papagaios no céu de São Luís, imagino guardanapos voando, soltos, libertos, guinando os sonhos em bailados mágicos pelo ar, escrevendo no invisível os sonhos ainda vivos daquela mesa de bar ao som de jazz e blues.

Boas lembranças que rabisco aqui na tela branca do computador, meu guardanapo eletrônico, onde compartilho nesta crônica alguns dos melhores momentos da vida.