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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

JUNIOR BOLINHA EM PEDRINHAS VIROU ALVO FÁCIL

A transferência de Junior Bolinha para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas deixa em total vulnerabilidade um dos principais envolvidos no assassinato do jornalista Décio Sá.

Colocá-lo na vizinhança de criminosos contumazes, no caldeirão onde 60 presos foram assassinados em 2013, é quase uma sentença de morte.

A mudança de carceragem para Bolinha acontece exatamente no período que antecede o julgamento dos indiciados na execução de Décio Sá, prevista para fevereiro de 2014.

A sequência de fatos que o levaram a Pedrinhas também levanta suspeitas de que o Sistema de Segurança deixa "solta" a peça-chave para elucidar o assassinato do jornalista.

Antes de ser transferido para Pedrinhas, Bolinha saiu pela porta da frente da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) pagando R$ 150,00 ao vigilante. Foi a fuga mais barata de toda a história da carceragem do Maranhão!!!

R$ 150,00 não dá nem para comprar a ceia de Natal, considerando o volume de dinheiro movimentado pelo preso liberado.

Depois de sair da DRF, Bolinha foi preso novamente pelo sequestro relâmpago de um empresário.

A versão do Sistema de Segurança é tão mirabolante quanto a narrativa contada pelo pistoleiro Jhonatan Silva no dia do assassinato de Décio Sá, na avenida Litorânea, subindo a pé um morro de areia, após executar um blogueiro famoso.

Bolinha vai passar o Natal em Pedrinhas. E o noticiário policial tem tudo para ser quente no fim do ano.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

2014: TUCANOS EM RELAÇÃO ABERTA NO MARANHÃO

Os tucanos do Maranhão estão divididos na eleição para o governo do Maranhão. 

Uma parte, liderada pelo prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira, quer fazer aliança com Luis Fernando Silva (PMDB), o candidato da oligarquia Sarney.

Outra ala do PSDB dialoga com Flavio Dino (PCdoB), líder nas pesquisas, mas determinado a ampliar a frente de oposição; se possível, com os tucanos.

O PSDB é importante na eleição do Maranhão devido ao tempo de propaganda no rádio e na TV e pela representação parlamentar estadual e federal.

Luis Fernando Silva fez o cerco a Imperatriz e região tocantina, até dobrar o prefeito Madeira, que já assumiu publicamente, diversas vezes, o ingresso na candidatura sarneísta.

Ocorre que Madeira não controla a burocracia partidária - o núcleo decisório - sob o comando do deputado federal Carlos Brandão. 

Os tucanos são influenciados também pelos detentores de mandatos na Assembléia Legislativa: Neto Evangelista e Gardênia Castelo, filha do ex-prefeito João Castelo.

Detalhe: os dois candidatos polarizados à frente nas pesquisas, Luís Fernando Silva (PMDB) e Flavio Dino (PCdoB), querem o apoio da candidata presidencial Dilma Roussef (PT).

A presença dos tucanos no palanque de Luis Fernando ou de Flavio Dino dificulta a colocação da "mão invisível" do governo federal na campanha do Maranhão.

Os candidatos a governador querem a presidente Dilma como esposa e uma relação aberta com a sigla tucana. Nesse caso, o PSDB seria a amante.

Aparentemente, os tucanos estão divididos, mas não desunidos. Roseana Sarney foi governadora oito anos (1994 - 2002) com o apoio de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República.

Nada impede os tucanos maranhenses de aliançarem com Luís Fernando ou Flavio Dino, mesmo tendo um candidato presidencial - Aécio Neves - principalmente sabendo que o play boy de Minas  Gerais não deve chegar nem ao segundo turno.

Com bigode e estrela ou foice e martelo, os tucanos do Maranhão topam qualquer parada.

domingo, 22 de dezembro de 2013

SISTEMA PENITENCIÁRIO: INTERVENÇÃO À VISTA NO MARANHÃO

Transformado no caldeirão da carnificina, o Sistema Penitenciário do Maranhão só tem uma saída – a intervenção.

É o que deve apontar o Supremo Tribunal Federal (STF), após apreciar os relatos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

As evidências são tantas que nem precisa uma nova vistoria dos órgãos de acompanhamento e fiscalização. Basta ler o relatório do CNJ de 2011, que já apontava falhas gravíssimas no sistema.

À página 14 do relatório, o dado mais alarmante levantado no III Mutirão do Sistema Carcerário apontava o déficit de 2.400 vagas no sistema prisional do Maranhão.

Veja o relatório completo AQUI.

Até a Organização dos Estados Americanos (OEA) já se manifestou sobre o caos no cárcere do Maranhão, condenando o Brasil pela barbárie de tantas cabeças cortadas no complexo penitenciário de Pedrinhas, em sucessivas rebeliões.

Em breve o sistema carcerário deve receber os condenados no julgamento do jornalista Décio Sá. Um dos acusados, Junior Bolinha, deixou pela porta da frente a delegacia onde estava preso.

Imagine o que pode acontecer se a quadrilha que matou Décio for “hospedada” em Pedrinhas!

sábado, 21 de dezembro de 2013

VLT RECOLHIDO: UM INSULTO A SÃO LUIS

O dinheiro dos moradores de São Luís indo provavelmente para o lixo
O vagão de amostragem do VLT deve ser removido para um ferro velho, depois da desastrada tentativa do ex-prefeito João Castelo (PSDB) de transformá-lo na fórmula milagrosa para resolver o caos no transporte público de São Luís.

Na semana que passou, o ex-candidato a vice-prefeito na chapa de Castelo, o deputado estadual Neto Evangelista (PSDB) esbravejou na Assembléia Legislativa, dizendo que havia um projeto do VLT.
Traçado impossível de ser viabilizado, o VLT foi um golpe publicitário na campanha eleitoral de 2012
O projeto nunca apareceu. Também não se sabe quanto custou o vagão nem o transporte da carcaça. Os trilhos postos no Aterro do Bacanga só serviram para atrapalhar o deslocamento dos carros e destruir os campos de futebol improvisados naquela área.

Fala-se em R$ 7 milhões o valor do vagão.

Qualquer que seja o valor, o VLT não passou de um golpe publicitário que insultou a população de São Luís e agora é retirado, sem qualquer satisfação ao contribuinte.
Trilho passaria pelo meio da rotatória de acesso à UFMA, complicando ainda mais o trânsito
A trapaça do VLT foi mais um ato de vandalismo contra os moradores de São Luís. Um insulto a todos nós.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

LUIS FERNANDO CAPTURA PREFEITOS, MAS O POVO QUER VOTAR NA OPOSIÇÃO

De camisa branca e sorriso amarelo, o prefeito Léo Costa (PDT) foi levado a palácio
pelo pedetista histórico Clodomir Paz
Alguma coisa parece ter mudado no jogo eleitoral do Maranhão.  Pela primeira vez, um candidato da oposição, Flavio Dino (PCdoB), fora da máquina do governo, lidera com folga as pesquisas e ameaça concretamente derrotar a oligarquia Sarney.

O cenário para 2014 é diferente de 2006. À época, o então governador José Reinaldo Tavares (PSB), dissidente da oligarquia, alimentou três candidaturas contra Roseana Sarney (PMDB): Jackson Lago (PDT), Aderson Lago (PSDB) e Edison Vidigal (PSB).

Jackson Lago venceu a eleição, mas foi cassado.

Em 2013, Flavio Dino segue liderando sem a máquina estadual. O candidato da governadora, Luis Fernando Silva (PMDB), não consegue decolar, mesmo com o apoio de todas as estruturas econômicas, políticas, jurídicas, midiáticas e até sobrenaturais.

No desespero, o governo coage os políticos alinhados à oposição. Ameaçado de cassação, o prefeito de Barreirinhas, Léo Costa (PDT), foi o primeiro a ceder. Em solenidade no Palácio dos Leões, sob pena de perder o mandato, inclinou-se a Roseana Sarney (PMDB).

O prefeito de Cajapió, Nonato Silva (PCdoB), mudou de partido e também declarou apoio a Luis Fernando.

A oscilação dos prefeitos é comum no período pré-eleitoral no Maranhão. Mediante ofertas de convênios e parcerias, ou ameaças de cassação, os gestores municipais aderem sob pressão à candidatura do governo.

Essa movimentação sempre ocorreu nas eleições anteriores; porém, no cenário de vantagem das candidaturas do Palácio dos Leões.

Em 2014 a tendência é de alteração desse panorama. Enquanto Roseana Sarney & Luís Fernando Silva cooptam os prefeitos, o povo segue outro caminho, apontado nas pesquisas favoráveis à oposição.

Flavio Dino continua liderando em todos os cenários, mesmo com a pressão do governo Roseana Sarney sobre os prefeitos.

O desespero diante do fracasso de Luís Fernando alterou também o modus operandi eleitoral da oligarquia Sarney.

Nos pleitos anteriores, Roseana apresentava o candidato da oligarquia Sarney e dava uma ordem aos prefeitos, algo como: “Esse é o nosso nome. Se virem para eleger”

Agora o governo está negociando com prefeitos, grupos de oposição, presidentes de câmaras municipais, vereadores, lideranças comunitárias, sindicais etc.

Na estratégia da campanha de Luís Fernando, há uma diretriz específica para os meios de comunicação nos municípios, que consiste no cerco às rádios locais, jornais regionais e blogueiros.

Mesmo com todo o poderio midiático-econômico-político, Luís Fernando Silva não decola.

Ele vai para um lado e o eleitor para outro.

ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS, POLÍTICA, POLITICALHA E GREVE DE FOME NA UFMA

Marizélia Ribeiro (*)

A Academia Maranhense de Letras (AML), representada pelo seu atual presidente, o jornalista e advogado Benedito Buzar, em solene posição corporativista e de desprezo à consideração dos vários lados envolvidos na questão em foco, emitiu uma Moção de Desagravo a um de seus pares, o reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Essa moção, a bem da verdade, não disse claramente a que veio. Tão somente declara que a AML, “entidade cultural ciosa das altas tradições de Civilização e Cultura que são glorioso apanágio de nosso povo, e cônscia dos laços históricos que a aproximam da UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO, para cuja criação contribuiu diretamente, manifesta sua incondicional solidariedade ao Professor Doutor NATALINO SALGADO FILHO, Reitor da mencionada IES, e que foi vítima de tratamento incompatível com a dignidade universitária, mormente em se tratando de gestor que vem realizando na UFMA administração benemérita e por todos os títulos exemplar.”

Moção tão cega nos elogios ao "confrade" quanto na inobservância sobre o que se passou na UFMA durante os dez dias em que estudantes tiveram a coragem de colocar a própria vida em defesa do direito à moradia, condição para uma vida digna.

Se isto não lhes sensibiliza, senhores imortais, informo-lhes que essa luta também decorreu do não cumprimento, pela atual administração da Universidade, de compromissos formais firmados entre o ex-reitor da UFMA e os estudantes, desde 2007, com chancela, inclusive, do Ministério Público Federal (MPF), para finalização do prédio que deveria ser a residência estudantil no Campus do Bacanga. Na gestão desse mesmo ex-reitor, o Plano Estratégico de Desenvolvimento Institucional (PEDI) foi aprovado na reunião de 14/03/2005 do Conselho Universitário (CONSUN), através da Resolução Nº 77. A UFMA se comprometia a elaborar projetos para construir Residências Estudantis. O atual reitor, enquanto conselheiro pelo Hospital Universitário, deve ter participado dessa reunião.

Em que se baseou a AML para se colocar em “incondicional solidariedade” ao Magnífico Reitor da UFMA?

O presidente imortal Benedito Buzar, cassado pela Ditadura Militar Brasileira (1964/1985) e recentemente homenageado pela Assembleia Legislativa com “devolução” do seu mandato, não enviou qualquer representante para ouvir os estudantes. Estranho para quem escreveu sobre politicalha – exploração através do Estado para atender interesses de grupos em detrimento da coletividade!

Nenhum representante dessa entidade observou que a população de São Luís se colocou solidária aos estudantes, nas manifestações em avenidas e na entrada do campus do Bacanga, nas redes sociais e em dezenas de cartas de apoio. Por ocasião das duas paralisações na barragem do Bacanga, em que pese terem suas vidas alteradas pelo movimento, a maioria dos que por lá transitavam se mostrava a favor da causa estudantil.

Certamente, o estudante Josemiro será mais lembrado e reconhecido do que muitos imortais da AML, entidade que não divulga as qualificações que precisam ter os candidatos à imortalidade acadêmica.

Quanto às manifestações de professores e alunos ocorridas à porta do imóvel particular do Magnífico, no final da manhã do dia 30/11/2013, serem consideradas uma “prática de cafajestadas” pelo imortal Jomar Moraes, é uma indicação de que ele parece ter esquecido que o público e o privado sempre se misturaram na UFMA. Quando procurador dessa instituição, Jomar Moraes deve ter ouvido falar sobre funcionários públicos federais serem deslocados de suas funções para prestarem serviços em residências de gestores da Universidade.

O que o acadêmico chama de “cafajestada” foi uma decisão de assembleia, na busca de soluções urgentes para um movimento cuja forma extremada preocupava a todos; foi uma manifestação pacífica para solicitar ao Magnífico – cujo local de trabalho na UFMA foi mantido trancado desde o início das manifestações – que tomasse atitudes para dar fim à greve de fome de Josemiro.

Naquela manhã, por telefone, o reitor recusou o pedido da deputada Eliziane Gama de incluir professores e alunos na Comissão que tentou resolver o impasse, a qual teve como integrantes o defensor Público Yuri Costa e o Deputado Bira do Pindaré, entre outros. Os dois deputados representavam a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa no nosso estado.

O ex-procurador, a meu ver, tentou desqualificar essa inesquecível luta social quando tentou reduzi-la a “expedientes de politicalha” pela aproximação de pleitos eleitorais no Maranhão e na UFMA. Quanto às eleições no âmbito da Universidade, ele não deve ter sido informado sobre a ausência de uma “chapa branca” nas eleições do dia 18/12/2013 para a diretoria da Associação de Professores da UFMA (APRUMA). Os organizadores dessa “chapa” não devem ter encontrado professores dispostos a amargar uma terceira derrota consecutiva!

Para os que não me conhecem, me apresento como pediatra e professora da UFMA que trabalha no Núcleo de Extensão da Vila Embratel, um bairro do entorno da universidade. O meu certificado mais importante é uma Menção Honrosa dada por entidades comunitárias por eu ter participado da luta pelas aquisições do Centro de Saúde da Vila Embratel e do Adolescentro.

Finalizando, faço minhas as palavras do poeta Luis Augusto Cassas. Ele critica a AML por se manter distante aos problemas sociais. O poema Diabetes, que é bem representativo do meu pensamento, está em seu primeiro livro, República dos Becos, de 1981.

DIABETES (Luis Augusto Cassas)

Os imortais da Academia
estão tomando chá:
gestos polidos unhas aparadas
bigodes tosados pernas cruzadas
no melhor estilo gótico
excedem-se no dietético
para adocicar a conversa
Não sabem que lá fora
a vida é amarga e má;
que a arte está é nas ruas
mercados feiras e prisões
— eles os imortais —
imobilizados em seus fardões
imortalizados imorredouros
mortos

(*) Marizélia Ribeiro – Doutora em Políticas Públicas (UFMA), professora de pediatria (UFMA) e diretora da APRUMA.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

ASCENSÃO DOS HITS É TEMA DE PESQUISA NO DOUTORADO EM COMUNICAÇÃO PELA PUC-RS


Doutorando em Comunicação pela PUC-RS, o professor Marcio Leonardo Monteiro Costa (foto) acaba de lançar o livro "MP3 demo: a circulação da música independente na internet", fruto da dissertação de mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

No doutorado, Marcio Monteiro continua a pesquisar música, mas com o foco na construção do sucesso. “Por que algumas músicas fazem tanto sucesso e outras não? Meu objetivo é tentar entender o modo como as canções populares são feitas, visando o amplo consumo, e de que maneira este objetivo se concretiza”, explica.

A investigação busca também “entender o modo como as pessoas se apropriam desses sucessos”, explica o pesquisador. Veja a entrevista.

Nome: Márcio Leonardo Monteiro Costa

Projeto de tese: A ascensão dos hits: articulações entre produção, circulação e recepção/consumo das canções de sucesso.

Atividade docente: Professor Mestre do Departamento de Comunicação Social da UFMA.

Blogue – Qual a sua trajetória acadêmica até a chegada ao doutorado?

Marcio Monteiro - Eu me formei na UFMA, em Rádio e TV, no ano de 2006. Na época, eu era estagiário da Rádio Universidade e repórter do Marrapá, um programa de rádio da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado. Nunca tinha pensado em seguir a vida acadêmica até ler sobre a seleção para o Mestrado da Universidade Federal de Pernambuco. Fiz a seleção e, em 2007, eu me mudei para Recife. Passei um ano lá. Com o fim do primeiro ano, e de volta a São Luís, comecei a dar aula numa faculdade particular, à noite. Foi quando eu entendi que aquilo era o que eu gostaria de fazer para o resto da vida. Passei no concurso público da UFMA em 2009. Foi assim que eu me deparei com a possibilidade de fazer o doutorado. Resolvi encarar o desafio.

Blogue – Como surgiu a ideia de desenvolver o tema de pesquisa no doutorado?

Marcio Monteiro - Tenho pensado a música no contexto da Comunicação desde a monografia. Lá atrás, minha preocupação era com as implicações do formato mp3 na indústria do disco. Depois, no mestrado, estava tentando entender como as novas tecnologias influenciavam aspectos da produção e circulação da música. Mas acabei concentrando os esforços para entender como os artistas independentes do Maranhão usavam as ferramentas que a internet disponibiliza para fazer a sua música circular. Hoje me interesso pela construção do sucesso. Por que algumas músicas fazem tanto sucesso e outras não? Meu objetivo é tentar entender o modo como as canções populares são feitas, visando o amplo consumo, e de que maneira este objetivo se concretiza. Também é caro para mim entender o modo como as pessoas se apropriam desses sucessos.

Blogue – Qual a delimitação do seu objeto de pesquisa?

Marcio Monteiro - Acredito que a grande questão do meu projeto é entender como o hit se faz. O hit é aquela canção que gruda na cabeça da gente. A execução em programas de rádio e televisão é exaustiva. Está no tema da novela e na trilha do filme. Nas redes sociais, todo mundo comenta sobre. No YouTube, as visualizações do videoclipe aumentam consideravelmente a cada hora. Como uma canção se transforma em algo de tamanho sucesso? Bom, a minha suspeita é que há três fatores envolvidos: aspectos formais, como letra e melodia, por exemplo; desempenho articulado dos agentes, produtores, intérpretes e dos meios de comunicação; e a afetividade que as pessoas estabelecem com as músicas. Acredito que o sucesso está na combinação desses fatores, e pesquisar sobre isso tem exigido um fôlego bem grande.

Blogue – Com quais autores e teorias você pretende abordar o tema escolhido?

Marcio Monteiro - Não tem como fazer uma pesquisa como essa sem pensar de maneira multidisciplinar. É uma pesquisa sobre condições de produção, sobre música enquanto texto, sobre condições de recepção e consumo, sobre práticas de escuta e sobre novas tecnologias. Meu olhar para o objeto tem influência direta dos Estudos Culturais. Os principais autores que me ajudam a pensar este tema são Richard Johnson, Simon Frith, Richard Middleton e Antoine Hennion.

Blogue – Quais os objetivos da sua pesquisa?

Marcio Monteiro - Os objetivos da pesquisa foram se alterando ao longo dos meses. Acho que consegui um pouco mais de estabilidade agora, depois de algumas leituras mais específicas e de algumas conversas com a minha orientadora. O objetivo central continua sendo o de compreender o processo de ascensão do hit. Mas eu pretendo chegar nisso a partir da compreensão do circuito da canção de sucesso como um todo, o que inclui as condições de produção, o texto, as condições de recepção e como as relações sociais cotidianas estão implicadas. Cada momento do circuito envolve vários pequenos objetivos e várias técnicas de coleta e análise dos dados. É um trabalho bastante audacioso, que eu espero conseguir concluir.

Blogue – Qual a relevância da sua pesquisa para o contexto social?


Marcio Monteiro - Uma das contribuições que uma pesquisa como essa pode trazer é uma compreensão mais articulada sobre a relação entre as canções populares, os meios de comunicação e as pessoas. Sempre vejo análises sobre o assunto, mas são perspectivas muito compartimentalizadas. Também pode ser um teste interessante: pesquisas tão abrangentes podem ser realizadas em um espaço de tempo tão curto? Mas, para mim, a maior contribuição é a que esse trabalho pode deixar para os intérpretes, músicos e produtores musicais. É, afinal, um projeto que aponta para uma reflexão sobre a produção, a circulação e o consumo musical. Para mim, é uma tese que vai redundar num título. Para esses caras, é uma trajetória de vida. São anos e anos de investimento, suor, tentativas de contatos, shows, festivais, algumas lágrimas e muitas caixas pesadas.