Compartilhe

quarta-feira, 4 de maio de 2016

AUDI WEBBER: O NOVO SOM DO BRASIL

Divulgação - Audi Webber é cantora e compositora e já passeou por várias vertentes da música. Agora, investe todo seu potencial no “novoarrocha”. A compositora misturou o arrocha brasileiro com a bachata da República Dominicana e resultou num som gostoso que lembra o bolero. O som é mais percussivo, o que dá às músicas levadas dançantes e sensuais. A exemplo de cantores com Lucas Luko e Gustavo Lima, Audi Webber investe nesse ritmo o qual intitula “O Novo som do Brasil”.

Para se lançar nesse novo mercado, Audi fará um show na mais nova casa de São Luís, a Diretoria Shows. A apresentação será dia 20 de maio. No repertório, autorias e sucessos do arrochanejo na levada percurssiva farão todos cantarem e dançarem.

Serviço: Local – Diretoria Shows (Forquilha) / Data – 20 de maio / Hora – 22h

AS CALÇADAS DESTRUÍDAS DE SÃO LUÍS


As imagens ilustram parte da situação vivenciada diariamente pelos pedestres que desejam sair do Terminal da Integração da Praia Grande e acessar o Centro Histórico, atravessando a avenida Vitorino Freire.

A calçada principal, de acesso à faixa de pedestres, está inviabilizada para os cadeirantes também. 
 
Entre todos os aspectos da má gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT), a mobilidade urbana é a maior dívida dessa administração.

A concepção de mobilidade, até agora, priorizou o fluxo de veículos, sem qualquer preocupação com o pedestre.

As obras de melhoria nos retornos foram planejadas para os carros e motos, excluindo os pedestres, usuários de bicicletas e cadeirantes.

Sem calçadas nem ciclovias ou ciclofaixas, São Luís é uma das cidades mais desumanas do Brasil, porque não tem qualquer respeito pelas pessoas sem carro.

Para piorar, o processo de licitação do transporte coletivo foi realizado de forma obscura, sem transparência nem participação dos usuários de ônibus e da população em geral, pois todos os moradores da cidade, independente de terem ou não carro, estão envolvidos nos problemas decorrentes da mobilidade urbana.

A Secretaria de Trânsito e Transporte (SMTT) fez várias intervenções de alargamento das avenidas, estreitando os canteiros, mas não dotou essas obras de calçadas nem de faixas de pedestres para contemplar as pessoas sem carro.

É uma lástima.

terça-feira, 3 de maio de 2016

O LEGADO E PERSISTÊNCIA DO PENSAMENTO DE MILTON SANTOS


Luiz Eduardo Neves dos Santos*
Professor Assistente do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas – Habilitação Geografia da Universidade Federal do Maranhão, Campus Grajaú. E-mail: luiz.neves@ufma.br e dugeografo@hotmail.com  

Hoje, Milton de Almeida Santos (foto) faria 90 anos se estivesse entre nós. É considerado um dos grandes pensadores do Brasil. Representa para a Geografia o que um Celso Furtado é para a Economia, o que um Gilberto Freire é para a Sociologia ou o que um Sergio Buarque representa para a História, são todos da mesma seara. Driblou preconceitos nas universidades que pesquisou e lecionou pelo mundo, construindo uma provocativa obra, baseada, entre outras questões, na crítica da técnica racionalizante global, que distorce as relações no âmbito do território.
Tinha característica de um intelectual combativo, suas idéias possuíam forte tendência transformadora. Preocupado com questões éticas, o catedrático nunca fugiu ao debate político nacional, tanto que não se conformava em ver a Geografia à margem dessa discussão.
Em seu livro Por uma outra globalização (SANTOS, 2000) chamou a atenção sobre o que designava de globalização perversa, alicerçada na violência da informação e do dinheiro, alertando sobre o perigoso papel exercido pelas organizações supranacionais no mercado global de capitais.
Um dos seus principais objetivos enquanto intelectual foi aproximar a Geografia de um horizonte filosófico, uma filosofia das técnicas, concretizada com o processo de globalização, que segundo o próprio professor, seria nítida a inseparabilidade entre o individual e o universal, através do lugar e do mundo.
Para Milton Santos, a técnica, do modo como ela se apresenta, estaria ligada intrinsecamente a um discurso único do mundo, o mundo das percepções fragmentadas e distorcidas, uma generalização, ou como ele preferia, uma coisificação da ideologia.
Para ele, “a técnica é a grande banalidade, o grande enigma, e é como enigma que ela comanda nossa vida, nos impõe relações, modela nosso entorno, administra nossas relações com o entorno” (SANTOS, 1997, p. 20). É nítido em suas palavras a preocupação sobre como os objetos técnicos influenciam as relações humanas, comandando e administrando nossas vidas no cotidiano. Como exemplos ilustrativos desta realidade aparecem as mídias de massa, como a televisão, a internet e as redes sociais.
O processo de globalização para Milton Santos só poderia ser entendido a partir da inerente relação das técnicas com a política. A política está representada pela ação do mercado global (bancos e transnacionais) que utiliza e manipula um sistema cada vez mais avançado de técnicas, sobretudo informacionais, resultando no que ele denominou de globalitarismos (SANTOS, 2000). Essa tirania da informação origina-se a todo instante a partir de vetores que favorecem um pequeno grupo dominante interessado em “vender seu peixe” de maneira inescrupulosa, alienando e impondo novos modos de vida para a grande parte da população mundial.
 Outra questão abordada em sua obra que foi a da soberania do território brasileiro. Ao contrário do que muitos pensam o Estado ainda continua exercendo forte influência nas decisões internas, prova disso é que “nem as empresas transnacionais, nem as instituições supranacionais dispõem de força normativa para impor, sozinhas, dentro de cada território, sua vontade política e econômica” (SANTOS, 2000, p. 77). Assim, o Estado Nacional é que “prepara o terreno” para a atuação de vários tipos de organismos exógenos, em contrapartida, em termos de gestão, ele fracassa, por que não consegue atuar de maneira uniforme na administração do território.
Filiado a uma corrente Crítica com forte viés estruturalista e marxista, Milton Santos muito contribuiu para a revitalização teórica da Geografia brasileira. Sua concepção de espaço geográfico a partir do fim da década de 1970 inaugura toda uma forma metodológica de se trabalhar a partir da crise que permeava e ainda se manifesta sobre a Geografia.
Em Por Uma Geografia Nova (SANTOS, 1978) concebeu o espaço enquanto um conjunto de “fixos” e “fluxos”, no qual os primeiros são cada vez mais artificiais e mais fixados no solo, enquanto que os segundos são cada vez mais velozes, numerosos, diversos e amplos. Outra proposta derivou do livro Metamorfoses do Espaço Habitado (SANTOS, 1988), na qual o conceito de “configuração territorial” se traduziu pela presença de elementos naturais e materialidades encontradas em determinado lugar e o “espaço” seria dotado do amálgama entre a configuração territorial mais a vida que as anima, isto é, os grupos sociais.
Por fim, na sua mais importante obra, A Natureza do Espaço (SANTOS, 1996) afirma que a Geografia deve estudar o par dialético e indissociável do conjunto de sistemas de objetos e de sistemas de ações que formam o espaço. Para ele, “em cada período histórico observa-se um novo arranjo de objetos situados num determinado sistema de técnicas, possibilitando também o surgimento de novas formas de ações” (SANTOS, 2002a, p. 96). Portanto, no atual período histórico existe um arranjo articulado entre os inseparáveis sistemas de objetos e sistemas ações que constituem o espaço geográfico.
Outra questão marcante em sua obra foi a de uma verdadeira ambição na procura incessante de consolidação de um projeto nacional. Muitos artigos foram escritos pelo professor em tom de crítica à falta de um ideal, de um objetivo que pregasse uma maior justiça social para o Brasil.
 Dentre os artigos, escritos para o jornal Folha de São Paulo, destaco primeiramente o texto que dá nome ao livro, O País Distorcido (2002b), em que ele faz uma reflexão no sentido de olharmos para nós mesmos, para a nossa História, em vez de ficarmos preocupados em copiar modelos europeus ou dos Estados Unidos, ou seja, pensar o mundo a partir do que nós somos universalmente, a partir das nossas próprias ideias sem é claro, dar as costas ao mundo.
O segundo artigo, intitulado Os deficientes cívicos, expressa a incapacidade do Estado brasileiro em promover uma educação firmada numa visão filosófica e mais abrangente do mundo. Quando na realidade o que acontece é uma difusão de novos sistemas de referência fincados na individualidade, na competitividade, no egoísmo e no exacerbado conhecimento prático-técnico. A globalização acaba por provocar um desvirtuamento educacional, em que a escola deixa de formar cidadãos críticos para formar uma massa de “deficientes cívicos”.
 Uma das suas principais qualidades foi a enorme capacidade de otimismo e crença na transformação social para melhor, uma característica rara entre cientistas sociais, uma horizonte utópico que não perdeu de vista até o último dia de vida. Milton Santos acreditava nos pobres que vivem nas grandes cidades, nos migrantes, na sua ação comunicativa, espontânea e criativa em relação ao mundo, propiciada pelo que chamou de lógica da escassez (SANTOS, 2000). Para o pensador apenas o pobre é sábio, por que é marginalizado da sociedade e por isso possui a possibilidade de alcançar uma visão mais crítica e transformadora dela, chamou esse fenômeno de contra-racionalidades (SANTOS, 2002a, p. 309).
Desta forma, pode-se perceber inúmeras nuances na obra deste pensador, engajado na dialética de transformação permanente da realidade que se apresenta, por isso propôs uma outra globalização, mais justa, que não atenda aos interesses de poucos, mas sim de toda a sociedade, pois como ele próprio nos ensinou: “sempre é tempo de corrigir os rumos equivocados e, mesmo num mundo globalizado, fazer triunfar os interesses da nação” (SANTOS, 2000, p. 78).
 Por fim, destaco como seu maior legado não apenas a obra em si, mas, sobretudo o exemplo de vida, de um intelectual, negro e combativo em relação aos problemas socioespaciais, que conseguiu tornar-se respeitado no mundo, denunciando graves distorções no território nacional e que se engajou incessantemente na formulação de propostas e ideias em prol da Geografia, das Ciências Sociais e, sobretudo, do Brasil.
Viva Milton Santos!
REFERÊNCIAS

SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova. São Paulo: Hucitec, 1978.
_________. Metamorfoses do Espaço Habitado. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 1988.
_________. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico-informacional. 3ª Ed. São Paulo, Hucitec, 1997.
_________. Por Uma Outra Globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.
_________. A natureza do Espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2002a.
_________. O País Distorcido: O Brasil, a globalização e a cidadania. São Paulo: Publifolha, 2002b.
  

* Professor Assistente do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas – Habilitação Geografia da Universidade Federal do Maranhão, Campus Grajaú. E-mail: luiz.neves@ufma.br e dugeografo@hotmail.com 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

DIA 19, NO POEME-SE: ANTOLOGIA HOMENAGEIA AKADEMIA DOS PÁRIAS


Publicação reúne poemas, fotos e jornais que contam a história do grupo de poetas que editava a revista Uns & Outros nos anos 1980. Lançamento acontece dia 19 de maio na livraria Poeme-se, Praia Grande, com recital dos integrantes da Akademia, entre eles Fernando Abreu, Guaracy Jr, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Rezende e Celso Borges.

Nos anos 1980 uma geração de jovens poetas, em sua maioria da Universidade Federal do Maranhão, reúne-se em torno da revista Uns & Outros e formam a Akademia dos Párias. Vestem a roupa da irreverência e assumem uma linguagem que dialoga com a prosa de Charles Bukovski e John Fante, o reggae de Bob Marley e Peter Tosh, a poesia de Leminksi, o rock brasileiro e a geração marginal nascida na zona sul do Rio de Janeiro na década anterior.

Politicamente o Brasil vive a agonia da ditadura militar, o fim da censura e o surgimento da geração coca-cola, conforme leitura do compositor Renato Russo (Legião Urbana), que forma, ao lado de Cazuza (Barão Vermelho) e Arnaldo Antunes (Titãs), o triunvirato do melhor da poesia nascida das letras e atitudes incorporadas ao rock e ao mundo pop daqueles anos.

Entre 1985 e 1989, principalmente, realizam recitais regados a vinho barato, catuaba e diamba, e espalham pelas ruas, becos e bares da ilha, uma dicção poética até então inédita na cidade. "Akademia dos Párias: a poesia atravessa a rua" reúne quase 100 poemas dos mais de 420 publicados nas oito edições da revista Uns & Outros, porta voz da Akademia. Na obra estão versos de 25 desses poetas, entre eles Ademar Danilo, Antonio Carlos Alvim, Celso Borges, Fernando Abreu, Garrone, Guaracy Brito Jr, Joe Rosa, Mara Fernandes, Marcelo Silveira (Chalvinski), Paulinho Nó Cego, Paulo Melo Sousa, Rezende, Ronaldão, Ribamar Filho e Suzana Fernandes.

“Esta antologia não é um acerto de contas com os Párias. Há, claro, algum rigor na escolha dos poemas, mas também um olhar generoso sobre o que aquilo representou, tanto para as pessoas agentes daquela intervenção como também para o momento cultural e político que São Luís vivia”, afirma o poeta Celso Borges, um dos organizadores da antologia ao lado de Fernando Abreu, Raimundo Garrone e Marcelo Chalvinski.

Segundo Garrone, boa parte dos poemas escolhidos sobreviveu esteticamente ao tempo. “Outros, em menor número, já envelheceram, mas estão presentes porque têm a cara daquela década”, diz.  

O projeto gráfico, assinado por Marcelo Chalvinski, mistura ilustrações e grafismos originais com intervenções atuais, além de fotografias da época, a maior parte delas do acervo pessoal de Lisiane Costa, que não era poeta, mas fazia parte da turma. A foto da capa é do músico André Lucap.

Antes de começar a viagem, siga o conselho do poeta Antonio Carlos Alvim, um dos membros da Akademia, que no segundo número da Uns & Outros anuncia no poema BLITZ:

Antes de ler a revista

reviste a vista

e boa viagem:

única pista

AKADEMIA DOS PÁRIAS – A POESIA ATRAVESSA A RUA

Lançamento dia 19 de maio, 20h

Livraria Poeme-se – Praia Grande 

Com recital de poesia

domingo, 1 de maio de 2016

GOVERNO FLÁVIO DINO TEM NOTÁVEIS E CORINGA

Governador tem a caneta que toma as principais decisões na administração

A centralização é uma característica marcante no governo Flávio Dino (PCdoB).

Ao contrário de Jackson Lago, que governava com ampla flexibilidade, Flávio Dino centraliza e vigia a administração. Por ele passam todas as decisões, combinando o rigor da magistratura com a disciplina partidária do PCdoB – o centralismo democrático.

Assim, na montagem da gestão, o governador pensou em compor uma equipe com alta qualidade técnica.

Essa meritocracia funcionou, mas em parte, porque o segundo e terceiro escalões tiveram de ser divididos com os grupos políticos que apoiaram a eleição, muitos instalados há décadas na estrutura do sarneísmo.

Em decorrência desse processo, a formação da máquina administrativa é híbrida, exigindo um alto grau de concentração na pessoa do governador.

O poder é compartilhado com gestores-chave, como o secretário Marcio Jerry, além de conselheiros muito próximos do Palácio dos Leões.

Na primeira reforma administrativa, Jerry passou a controlar a Articulação Política e a Comunicação, pastas fundidas estrategicamente para sedimentar o controle da gestão.

Após 1 ano e 4 meses, o delicado cenário nacional e as eleições municipais de 2016 levaram Flávio Dino a radicalizar essa formatação dos notáveis, colocando no seu entorno quadros de absoluta confiança e afinidade política.

Foi assim que deslocou o médico Marcos Pacheco da Secretaria de Saúde (SES) para uma secretaria extraordinária (Articulação de Políticas Públicas) e colocou no lugar o advogado Carlos Lula, ex-subscretário da SES.

Nessa perspectiva, o governador trouxe para a Secretaria de Governo o advogado Antônio Nunes, ex-diretor do Detran.

Lula e Nunes são oriundos do escritório de advocacia que teve Flávio Dino como um dos fundadores, antes de ingressar na magistratura.

Assim, a Secretaria de Governo (Antônio Nunes) e a Secretaria de Comunicação e Articulação Política (Marcio Jerry) compõem o núcleo mais próximo de Flávio Dino.

A Saúde, pasta-chave para elevar os indicadores sociais do Maranhão, também fica sob o controle de um executivo (Carlos Lula) da alta confiança do governador.

Esse núcleo duro deveria ter ainda a participação da Casa Civil, ocupada por Marcelo Tavares, sobrinho do ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB).

Porém, o posicionamento de Tavares (tio) favorável ao impeachment de Dilma Roussef (PT) provocou um estranhamento no Palácio dos Leões.

No campo dos notáveis, consta ainda a figura ímpar do advogado Felipe Camarão, atualmente secretário de Educação, depois de ocupar três posições de destaque: Secretaria de Gestão e Previdência, Secretaria de Cultura e Secretaria de Governo.

Camarão é o coringa da administração.