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domingo, 28 de fevereiro de 2010

ODARA, A DITADURA E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO


por Samuel Marinho *

Hoje vou deixar de lado os comentários longos.

Talvez seja esse o início de uma série do tipo “histórias breves sobre canções de momento”.

Porque tudo mais que pretenda discutir a música popular hoje soa chato, fora do contexto dos pragmatismos velozes.

Zeca Baleiro já desvendou o mistério: o destino de toda música é virar Muzak, música de elevador.

Vivemos no ciberespaço, onde se goza da amplitude de terabytes, mas de uma profundidade nanométrica.

Estamos no tempo do twitter.

Somos homens de poucas palavras, mas de muita fé.

Seguidores de uma estranha religião.

Os scraps e emoticons são os hieróglifos do futuro.

Pois bem.

Crio um avatar para me reinventar.

Tento me adaptar aos novos tempos.

Apenas quero comentar hoje sobre uma canção.

É a minha preferida atualmente, apesar de um pouco antiga.

Estou sem paciência pra ouvir o “novo” nesses últimos dias.
A canção é “Odara”, composição de Caetano Veloso do disco “Bicho” de 1977.

Eu ainda não tinha nascido, e não dou graças a Deus por isso.

É uma canção de poucas palavras: direta.

Deixa eu cantar. Deixa eu dançar. Simples assim.

Que é pra tudo ficar odara, legal, jóia, maneiro.

Sacou?

A música traz uma sensação de eternidade induzida pela repetição incessante dos mesmos versos.

Um mantra.

Parece que não vai acabar nunca, com a proeza de não soar cansativa.

E ainda tem o lance bacana dos múltiplos significados para “odara” e coisa e tal.

Mas não temos tempo aqui.

Odara seria a música perfeita para os dias de hoje, mas só pela estrutura à la twitter.

Ela peca por se esmerar em emoção.

É um canto comovente demais.

Não fosse por isso talvez estaria na lista das mais acessadas. Seria a letra mais seguida.

Numa ditadura às avessas, a liberdade é corroída pela censura do discurso breve, necessário.

Liberdade, liberdade: qualquer coisa que se sonhara.

Canto e danço que dara.

* Samuel Marinho é colaborador deste blogue, contador e servidor público federal.

Ilustração: capa do disco "Bicho", de Caetano Veloso, em 1977

sábado, 27 de fevereiro de 2010

CHAPA 1 VENCE ELEIÇÃO NO SINDSEP

Apuradas 55 urnas, do total de 70, a eleição no Sindicato dos Servidores Federais (Sindsep) está assegurada para a chapa 1 "Ampliar a luta e conquistar mais direitos".

A chapa 1 tem 2.091 (51,33%) votos contra 1.211 (29,73%) da chapa 2.

Angela Silva Sousa, professora da Roquette Pinto, é a presidente eleita.

O editor deste blogue integra o grupo vitorioso e vai fazer parte da nova diretoria do sindicato, na Secretaria de Comunicação.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

PERIPÉCIA PETISTA NA ALIANÇA COM FLAVIO DINO

Surpreende a velocidade com que as tendências ligadas ao deputado federal Domingos Dutra (PT) defendem a aliança com o PC do B, cercando o pré-candidato a governador Flavio Dino.

Há dois anos, quando Dino foi candidato a prefeito de São Luís, estes mesmos petistas deram as costas para a campanha na capital.

Alguns só apareceram no final do segundo turno, quando a chapa Unidade Popular (PC do B - PT) ameaçava ganhar de João Castelo (PSDB).

Apenas Bira do Pindaré marchou desde o início com Flavio nas ruas da cidade, mesmo tendo sido derrotado na tese da candidatura própria do PT à Prefeitura.

Agora, os dutristas são flavistas fervorosos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

CHAPA 1 AVANÇA NO SINDSEP

Liderada pela professora Angela Silva, a chapa 1 - Ampliar a luta e conquistar mais direitos - aumentou o volume de campanha no segundo dia da eleição para a diretoria do Sindicato dos Servidores Federais (Sindsep).

A eleição encerra hoje, às 17 horas.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PAULO OTÁVIO ACABA DE RENUNCIAR

O governador interino do Distrito Federal, Paulo Otávio (DEM), renunciou agora ao cargo.

Pressionado pela opinião pública e dentro do seu próprio partido, Otávio definha junto com o Democratas.

Já vão tarde.

ELEIÇÃO NO SINDSEP TEM DUAS CHAPAS E RADICAIS ALIAM-SE À CHEFIA DA FUNASA

O Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep), filiado à CUT, começou hoje 23 o processo eleitoral para a diretoria e o conselho fiscal. A entidade tem cerca de 8 mil filiados, dos quais 7.416 aptos a votar. Desse total, 4.749 são ativos e 2.667 aposentados e pensionistas.

A eleição é realizada em 70 locais de votação, com urnas fixas e volantes em São Luís e nas 11 secretarias regionais no Maranhão, das 8h às 17h, até o dia 25 (quinta-feira).

A chapa 1, “Ampliar a luta e conquistar mais direitos”, é liderada pela professora Angela Silva, da Roquette Pinto, atualmente secretária geral do Sindsep.

Neste grupo estão novos servidores e militantes experientes da maioria dos órgãos federais que ajudaram a construir um dos maiores sindicatos da CUT no Maranhão.

“Nossa chapa tem representatividade, base social e um amplo apoio dos movimentos sociais. Contamos também com a força de vários dirigentes da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef)”, ressalta Angela Silva.

Os integrantes da chapa 1 estiveram à frente da maioria das lutas que conquistaram direitos para a categoria: reajuste salarial, plano de carreiras, plano de saúde, reajuste no valor do auxílio-alimentação e ganhos na Justiça.

Além disso, Ângela Silva destaca o programa de formação política dos servidores de base e dos delegados sindicais em São Luís e nas 11 regionais do sindicato.

“Tivemos também uma política de valorização das mulheres e um amplo trabalho de assistência aos aposentados e pensionistas, com cursos de formação e atividades culturais para este segmento dos servidores’, enfatiza a candidata a presidente.

Esse trabalho será intensificado na nossa próxima gestão. A presidenciável destaca a ampliação da Assessoria Jurídica, melhorias na área de Comunicação e na organização de base, fortalecendo a eleição dos delegados sindicais. “Outra reivindicação importante é a igualdade de direitos entre ativos e aposentados”, numera Silva.

SOVIET DE CHIBATA - A oposição no Sindsep (chapa 2), intitulada “Independência, Unidade e Luta”, reúne conservadores da chefia da Funasa e a esquerda radical do PSTU.

O candidato a presidente, Antonio Isidio, é chefe na Administração Regional da Funasa, cargo geralmente indicado por quem controla os órgãos federais no Maranhão.

Isídio já ocupou também a chefia da divisão de Recursos Humanos na fundação. Observadores do processo eleitoral afirmam que o administrador e candidato a presidente usa a função de chefia para pressionar e intimidar eleitores.

Braço direito de Antonio Isídio, João Rodrigues Martins, também servidor da Funasa, é um velho conhecido da direita sindical. Rodrigues é candidato, na chapa 2, à Secretaria de Assuntos Jurídicos.

São companheiros de Isidio e Rodrigues vários líderes do PSTU como Claudicéia Durans (candidata à Secretaria de Formação) e Ramon Zapata (candidato à Secretaria de Comunicação).

“É o soviet da chibata”, ironiza um integrante da chapa 1, sobre a aliança entre os ícones do socialismo/PSTU e a chefia conservadora da Funasa.

Um dos intentos da oposição é desfiliar o Sindsep da CUT.

Avessos às bandeiras do socialismo, Isidio e Rodrigues passam ao largo de temas como reforma agrária, combate à Alca (Área de Livre Comércio das Américas), revolução bolivariana de Hugo Chávez e defesa da soberania na Amazônia.

Nesta chapa estão ainda ex-radicais do PT: Juliana Matos Pinheiro e Nemeziano Carvalho Loura. Ambos concorrem à Secretaria de Comunicação e já foram dirigentes do Sindsep.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

TARIFA SOCIAL É MAIS UM ENGODO DE CASTELO

A redução em 50% do preço das passagens de ônibus urbanos nos finais de semana - denominada tarifa social - é uma cortina de fumaça do prefeito João Castelo (SPDB), criada somente para tentar minimizar o aumento das passagens em até 23%.

O impacto maior deste aumento está na massa trabalhadora assalariada, que utiliza o transporte coletivo como único meio de deslocamento para chegar ao trabalho e buscar os filhos na escola, citando somente dois exemplos.

Reduzir a tarifa aos sábados e domingos, quando a maioria da população não precisa deslocar-se aos pontos de trabalho, altera quase nada os gastos com passagem.

Em uma cidade sem parques ambientais, com praças favelizadas, sem calçadas, as praias poluídas e raras opções de lazer cultural, a população da periferia fica retida nos bairros nos finais de semana.

É nos próprios locais de moradia que se fazem os pontos de entretenimento e lazer, salvo em ocasiões especiais como Carnaval e São João, quando as festividades espalham-se pela cidade.

Em vez de tentar iludir a população com a meia passagem de migalha aos sábados e domingos, Castelo deveria ter uma política consistente para o transporte coletivo, que atendesse pelo menos os itens básicos de:

- Melhoria da qualidade da frota de ônibus;

- Maior oferta de ônibus para a zona rural e periferia;

- Construção de paradas e abrigos decentes;

- Criar uma câmara setorial, com a participação da sociedade civil organizada, com o papel de debater a qualidade e a gestão do transporte urbano em São Luís;

- Abrir novas avenidas, recuperar o asfalto remendado e fazer ciclovias;
Castelo não quer nada disso. O governador da ditadura militar que mandou massacrar os estudantes em luta pela meia passagem na greve de 1979 quer mesmo é ironizar com essa meia passagem de meia tijela.