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O assassinato do jornalista Décio Sá, em 2012, foi o estopim da execução de blogueiros no Maranhão |
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Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)
considera preocupante a sequência recente de execuções de blogueiros no
Maranhão. Desde a semana passada, a associação apura as circunstâncias das
mortes de dois comunicadores no interior do estado. Em 13.nov.2015, Ítalo Diniz
foi assassinado a tiros em Governador Nunes Freire, a 460 km de São Luís. Oito
dias depois, em 21.nov.2015, Orislândio Roberto Araújo (conhecido como Roberto
Lano) foi executado em Buriticupu, região centro-oeste do Maranhão.
Ambos mantinham blogs em que criticavam políticos locais,
além de publicar e reproduzir reportagens sobre a região. Nos dois casos, os
executores estavam em motocicletas e fugiram logo após atirarem contra os
comunicadores.
Para colegas de Ítalo Diniz, o crime foi represália a sua
atuação no blog. Luciano Tavares, outro comunicador da região de Governador
Nunes Freire, disse ao Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ) que Diniz
“irritava apoiadores do ex-prefeito da cidade [adversário do atual]” com suas
críticas. Uma pessoa próxima a Diniz disse à Abraji estar certa de que a morte
dele teve razões políticas. Além da página na web, Diniz também trabalhava como
assessor de imprensa do prefeito de Governador Nunes Freire, Marcel Curió (PV).
Cinco dias antes de ser assassinado, Roberto Lano publicou
em seu blog uma crítica ao
atual prefeito de Buriticupu, José Gomes (PMDB). Lano
também era conhecido por sua atividade como promotor de eventos na região e
locutor, inclusive em campanhas políticas.
A polícia maranhense não conseguiu determinar até o momento
se as mortes têm relação com as atividades de Diniz e Lano como comunicadores.
Responsável pelo caso de Diniz, o delegado Guilherme de Sousa Filho diz apenas
que essa é uma das possibilidades que estão
sendo investigadas.
Quanto ao assassinato de Lano, a Secretaria de Segurança
Pública do Maranhão diz em nota que “a polícia trabalha com várias linhas de
investigação”.
A Abraji insta as autoridades maranhenses a apurar com
precisão e celeridade a motivação de cada um dos crimes. É preciso esclarecer
se as execuções foram consequência do que os blogueiros publicavam e punir os
responsáveis. Só assim será possível evitar novos crimes contra a liberdade de
expressão.
Diretoria da Abraji, 26.nov.2015