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terça-feira, 15 de maio de 2012

É JAZZ NA ALMA

Maravilhosa a estréia de Augusto Pellegrini & Arpège, na última quinta-feira, no Barulhinho Bom, bar que é um oásis musical na Lagoa!

Augusto Pellegrini mostrou mais uma vez toda a sua performance de um grande jazz man e a banda Arpège - leia-se: Júlio Cesar Marins, Sérgio Mariano e Daniel Aranha - esteve esplendorosa num acompanhamento seguro e na medida certa para solos e improvisos que valorizaram os arranjos dos temas apresentados. 

O show teve a assinatura da Satchmo Produções (Fafá Lago e Celijon Ramos) e foi muito elogiado. Não poderia ser melhor o início da temporada de Augusto Pellegrini & Arpège no Barulhinho Bom. Quinta-feira (17) tem muito mais.

Serviço
O QUÊ: JAZZ COM AUGUSTO PELLEGRINI E ARPÈGE
ONDE: Bar Barulhinho Bom, Rua do Maçarico – Lagoa da Jansen (rua do Sushi Bar).
QUANDO: Quinta-feira (17/05) a partir das 21h. Couvert: R$10,00
Realização: Satchmo Produções – contatos: 87163850 ou 96186643 

Celijon Abreu Ramos
http://soblonicas.blogspot.com

SÃO LUIS REGRIDE AO CARRO-PIPA

Enquanto a quase totalidade das capitais brasileiras constrói iniciativas para ampliar a oferta de água TRATADA à população, a capital do Maranhão retoma um expediente arcaico para ofertar o líquido: o carro-pipa.

Esta "notável" iniciativa da Caema, sob o controle do Secretário de Saúde, Ricardo Murad, veio agregada a uma outra notícia - haverá reajuste na tarifa de água, em média, de 58%.

No Maranhão das aberrações, a Companhia de Saneamento Ambiental (Caema), empresa que deveria captar, tratar e distribuir água é, inversamente, a maior responsável pela poluição dos cursos d'água na ilha, especialmente os rios Bacanga e Anil.

Os esgotos sem tratamento são despejados pela Caema nos rios da ilha faz tempo. Com a explosão imobiliária na região metropolitana, os poucos mananciais sadios que restaram serão contaminados.

E o esgoto jogado nos rios vai desembocar nas praias já impróprias para banho.

A Caema de Ricardo Murad tem um pacto demoníaco com o prefeito João Castelo (PSDB). Este abre as crateras na cidade e a Caema joga os esgotos dentro dos buracos.

Os carros-pipa como alternativas ao abastecimento dão a idéia exata do atraso político e administrativo do Maranhão. 

É como se revivêssemos, no século XXI, a lendária Ana Jansen do século XIX, suposta controladora da água de São Luís.

Estamos 200 anos defasados. E pelo menos mais uns 200 anos atrás dos outros lugares desenvolvidos do Brasil, onde as administrações públicas estão antenadas com práticas de sustentabilidade e qualidade de vida.

A Caema tem duas grandes fontes de coleta: o rio Itapecuru (Sistema Italuis) e os poços do Parque Estadual do Bacanga (PEB).

O Italuis esgotou. O próprio rio Itapecuru é um esgoto a céu aberto. Cerca de 20% da água que abastece a capital vem do Parque do Bacanga.

E o que fizeram os sucessivos governos Sarney para proteger o parque? Nada. 

Em vez de proteger o PEB, as forças políticas do Maranhão permitiram a implantação da termelétrica de Eike Batista a menos de 5Km do parque.

São Luís é um dos poucos lugares do mundo que aceitam termelétrica, movida a carvão mineral, uma substância altamente tóxica, nas proximidades de um reservatório de água tão importante quanto o Parque do Bacanga.

E por aí vai...

PRIVATIZAÇÃO

As cenas de esgotos jorrando a céu aberto em qualquer lugar da cidade, agora tomada pelos carros-pipa, podem ser o prenúncio da privatização da Caema.

Depois de entregar a Cemar, controlando a política energética do Maranhão, a oligarquia Sarney quer retomar os tempos de Ana Jansen, vendendo até a água que bebemos.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

APRUMA CONVOCA ASSEMBLÉIA COM PAUTA DE GREVE

EDITAL 005 / 2012

Assembleia Geral Extraordinária

                                                                                                       
       A Diretoria da APRUMA - Associação de Professores da Universidade Federal do Maranhão – Seção Sindical do ANDES - SN, nos termos do artigo 13 de seu Regimento Interno, convoca os seus associados para Assembleia Geral Extraordinária, no dia 15 de maio de 2012 (terça-feira), às 16:30h, no Auditório Ribamar Carvalho – Área de Vivência - Campus UFMA.

Pauta:
1.    Informes;
2.    Deliberação sobre deflagração de greve nacional dos docentes das IFES, a partir do dia 17/05;
3.    Outros encaminhamentos.

Vilemar Gomes Silva
Presidente da APRUMA
Gestão 2012 – 2014

domingo, 13 de maio de 2012

PROFISSIONAIS DE COMUNICAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DIVULGAM CARTA ABERTA AOS CANDIDATOS À PROCURADORIA GERAL DE JUSTIÇA


Integrantes da Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Maranhão lançaram uma carta direcionada aos candidatos que disputam o cargo de procurador-geral de Justiça.

O documento é um ato de coragem, no qual denunciam as arbitrariedades cometidas pelo chefe da assessoria Tácito Garros, que vão desde agressões verbais até proibição da veiculação de notícias de interesse público.

Espera-se que o próximo procurador-geral de Justiça atente para o conteúdo da carta e moralize a Assessoria de Comunicação do MP.  
Os signatários do texto propõem alguns caminhos para que a Comunicação ocupe lugar estratégico no Parquet.

CARTA ABERTA AOS CANDIDATOS

Neste período de mudança no comando do Ministério Público do Maranhão, nós, profissionais da Comunicação, vimos, por meio desta carta, esclarecer fatos que, infelizmente, atingiram nosso trabalho e propor um novo modo de relacionamento entre a Coordenadoria de Comunicação e a administração superior do MPMA, para que a comunicação institucional seja voltada ao interesse público e de todos os membros da instituição ao longo dos próximos anos.

O momento exige uma comunicação institucional realmente alinhada aos princípios da administração pública e que caminhe em sintonia com os atributos ministeriais, em parceria com o trabalho dos promotores e procuradores de Justiça.

Propomos que o nosso trabalho atenda às demandas de todos os membros, de forma democrática e irrestrita. Não concordamos com nenhum tipo de cerceamento da informação, sob pena de continuarmos em descrédito diante dos próprios membros e, principalmente, da sociedade.

É necessário e urgente criar mecanismos para resgatar o contato mais afinado com promotores e procuradores de Justiça. Como projetar a instituição na sociedade, se a Comunicação é alvo de infundada desconfiança por setores da administração? Por isso, é necessário trabalhar em harmonia, valorizando a parceria e fortalecendo a confiança mútua.

Nos últimos anos, a Coordenadoria de Comunicação foi dividida. Alguns de seus melhores profissionais concursados foram transferidos para outros setores por razões nunca esclarecidas. Fomos alvos de agressões, perseguições, xingamentos e ataques pessoais quase diários, que continuam sendo perpetrados pelo coordenador Tácito de Jesus Lopes Garros, embora as suas atitudes atuais sejam mais dissimuladas. Repudiamos mais uma vez tais agressões e o silêncio dos que foram coniventes com a prática aviltante do assédio moral.

O ápice do problema ocorreu, no dia 10 de junho de 2011, na sala da Coordenadoria de Comunicação da Procuradoria Geral de Justiça, quando a analista ministerial (Relações Públicas), Lucina Macedo Medeiros, foi agredida verbalmente, em pleno horário de trabalho e na presença de outros colegas, pelo coordenador de comunicação Tácito de Jesus Lopes Garros, que expressou o desprezo pela lei ao exclamar: “Então pegue a lei, durma abraçada com ela e seja muito feliz".

Lançamos então a pergunta, Sr(a). Candidato(a): como proceder diante de um profissional que repudia categoricamente a legislação em uma instituição responsável pela defesa, cumprimento e fiscalização da lei?

No caso, o mais estarrecedor é que o motivo da agressão foi o fato de a profissional ter se recusado a endossar uma irregularidade administrativa perpetrada pelo coordenador. Lucina Medeiros foi ultrajada por não aceitar se afastar do fiel cumprimento da lei.

Além disso, a condição de ascendência do superior hierárquico, que se valeu do poder instituído para agredir, torna o episódio ainda mais lamentável. Em pleno século XXI, no qual a mulher ocupa cargos estratéicos e demonstra sua capacidade de trabalho, a agressão à servidora também representa uma agressão a todas as mulheres.

A agressão motivou a abertura de sindicância, na qual foi pedido o afastamento imediato do acusado a fim de resguardar a integridade da profissional. Ainda assim, ele foi mantido no cargo, dividindo o mesmo espaço com a vítima e agindo como se nada tivesse acontecido. No momento, Tácito de Jesus Lopes Garros responde a outras sindicâncias e a um processo administrativo decorrente do resultado da primeira sindicância.

No nosso entendimento, de agora em diante, a Comunicação precisa ser tratada como um setor estratégico, que só pode ser gerido por alguém realmente capacitado e com formação na Área. O trabalho não pode ser desenvolvido com base em "achismos". As ações devem ser baseadas em um planejamento comunicacional fundamentado, para que o setor possa agir em prol da instituição, com reflexão e coerência, não apenas com o intuito de amenizar crises.


Por fim, reiteramos que o boicote à  divulgação de notícias representa um atentado ao direito à informação pública e uma prática inadmissível no Estado Democrático de Direito. Tal prática penaliza a sociedade. O exercício da dialética entre os membros não pode ser admitido, em qualquer hipótese, como justificativa para reter a divulgação de notícias de natureza institucional. Pelo contrário, o debate democrático se consolida com a pluralidade de opiniões mesmo que sejam completamente divergentes. Afinal, fazemos parte do mesmo Ministério Público e em nome desta instituição reafirmamos que os interesses e o trabalho do MPMA estão acima de qualquer divergência e interesses pessoais.

Ao próximo(a) procurador(a)-geral de Justiça, colocamo-nos à  disposição para colaborar, como sempre fizemos, independentemente de quem seja o(a) vencedor(a). O Parquet maranhense é uma instituição comprometida com os reais valores que regem a administração pública e estamos sempre prontos para desenvolver um trabalho sério, competente e honesto, comprometido com os objetivos da instituição da qual fazemos parte.

São Luís, MA, 11 de maio de 2012

Adriano Rodrigues

Eduardo Julio Canavieira

Francisco Colombo

Johelton Gomes

José Luis Diniz

Lucina Medeiros

Rodrigo Freitas

sexta-feira, 11 de maio de 2012

ENCONTRO COM CINEMA EXIBE "O BATEDOR DE CARTEIRAS"


Dia 12 de maio, às 19h
Chico Discos 
Rua de São João, esquina 
 com Afogados
ENTRADA FRANCA


por Conde Fouá Anderaos.

Segundo Marcel, o personagem principal do filme, alguns seres teriam o direito de estarem acima das leis. Você já leu ou ouviu isso. Tal pensamento não é ideia de Bresson. 

É a mesma idéia de Rodion Românovitch Raskólnikov, protagonista de “Crime e Castigo, romance de Fiódor Dostoiévski . Não é somente as idéias que assemelham Marcel a Raskólnikov . 

Ambos vivem em um apertado e sujo local em uma metrópole. Se a premissa é a mesma, o resultado difere. Raskólnikov não consegue viver após o delito cometido (que se restringiu a apenas uma vez numa noite). Já Marcel se aprimora no caminho trilhado.

O que seria essa obra de Bresson? O que nos fascina tanto na forma narrativa desse simples (e ao mesmo tempo hermético) filme? O que me surpreende é justamente que para fazer cinema ele trilhe um caminho ousado demais: nada de impurezas, ausência do artificial, inexistências de atores, desejo de apreender o real ao invés da simples e enganosa imitação da existência. 

O que assusta em Bresson (justamente por que funciona maravilhosamente) é a presença de cabides (ou modelos), do não interpretar (atores não profissionais) e obter dessa forma a captação do real, do verdadeiro, do humano e do inusitado (imprevisto).

Marcel denuncia pelo seu olhar o caminho trilhado e a satisfação que isso lhe dá: seus olhos brilham de satisfação a cada furto bem sucedido, bem como vemos o rictus prazeroso que inunda sua face. 

O que seria simples e destituído de sentido, ganha novos ares. Estamos diante de um ser completo, não apenas o traçado de um.

Outro recurso interessante é que a câmera passa a ser a extensão do olhar desse punguista em várias cenas. A alma do personagem é que dita o ritmo e movimento do homem. Os planos são curtos, os diálogos diretos, sem divagações. 

Tudo que nos foi colcoado na tela está carregado de sentido: cada gesto, cada palavra, foi elaboradamente deixada ali por fazer parte de um vitral quase que inteiramente previsto anteriormente (exceto o inusitado, incorporado na edição).

No entanto o filme de Bresson exige um expectador atento. Se desviarmos o olhar por míseros segundos corremos o risco de a obra se empobrecer diante de nossos olhos. A cena da estação de Lion é veloz e ágil; digna de figurar como uma das sequências mais bem compostas de todo o cinema francês.

O que me encanta deveras na obra no entanto é que ao buscar se afastar de uma fácil sentimentalidade e emotividade o filme não nega tais sentimentos. Só que eles surgem na tela de uma forma inesperada, misteriosa e difícil de se definir por palavras. 

A cena que fecha o filme cala-nos fundo na alma. Fomos levada a ela pela magia de sua direção. E se não calasse fundo, ficariamos com aquela sensação de algo inacabado. Uma obra chave da cinematografia mundial.


O Batedor de Carteiras (Pickpocket)
1959
75 minutos
Dirigido por: Robert Bresson
Escrito por: Robert Bresson , baseado no romance de Fyodor Dostoyevsky
Estrelado por: Martin LaSalle (, Marika Green, Jean Pelégrin e Pierre Étaix (Chantrapas)

Sinopse: Marcel é um homem amargurado e depressivo que tenta sua sorte nas ruas de Paris, roubando bolsas e carteiras. Filmada de uma forma inteiramente impessoal e controlada, como um teatro de marionetes, toda a tensão do filme não está no que ocorre durante as cenas, mas no que não ocorre.

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VAMOS AO MUSEU


quinta-feira, 10 de maio de 2012

NOITE DE LUA E GERÂNIOS


Ana Maria Marques *

Ia caminhando, pela praia, silente, quase ausente quando logo a percebeu. Sentada na areia branca, saia longa por entre as pernas, cabelos pretos lisos e soltos, tremulavam ao vento misturando-se às lágrimas que, insistentes, molhavam seu rosto.

Aquela visão quase o comoveu, na verdade, o enterneceu. Sentiu forte o ímpeto de acolhê-la em seus braços e naquele abraço silente, dizer-lhe muito.

Ela, ao perceber-lhe o olhar, lembrou-se, intimamente, das palavras da poeta: “Uma noite de lua pálida e gerânios, ele virá com a boca e mão incríveis, tocar flauta no jardim.”  Nem era noite, nem lua havia, nem gerânios...boca e mãos incríveis e no seu olhar, tocaram flauta naquele momento.

Ficaram ali, parados... a contemplar suas íntimas solidões, era o que lhes acompanhava, cada um a seu modo. Solidão e o olhar típico daqueles que se perguntam se esquecer é o mesmo que ter perdido.

O barulho do mar, como um mantra, era o único barulho que os envolvia, além do ruidoso silêncio que cada um dos dois carregava consigo.

E ele, assim tão de repente, de um jeito diferente, aproximou-se: 
- Acho que estamos, ambos, num estado de perplexidade ferida... posso chorar com você?  - Disse num sorriso triste e verdadeiro.

Ela, sorriso entre as lágrimas, perguntou:
- perplexidade ferida? Interessante...disse entre risos.
- Perplexidade ferida é um estado de solidão, digamos assim. É como se você estivesse preso numa armadilha de onde só consegue escapar com a ajuda de quem te abandonou – Explicou.

Novo silêncio se estabeleceu. Mas, a dor, esta já não era mais tão latente. Trocaram olhares no entrelace das mãos. Toques sutis e o silêncio. Ela recostou-se sobre seu ombro e, intimamente, agradeceu.

- Lembrei de uma frase que ouvi num filme: “A primeira coisa que o ser abandonado tem que fazer, além de chorar copiosamente, é informar as pessoas o ocorrido” . Chorar, choramos. Mas, confesso que me falta coragem para anunciar que estaremos mais juntos.

Olharam-se súplices. Beijaram-se. Entregaram-se. Encontraram-se.
 - “alguma força me arrastava para uma escolha que eu não queria fazer...talvez eu só estivesse precisando de um lugar e o resto eu deixaria para descobrir depois."  - Por que estávamos chorando?  - Ele falou enlaçando-a pela cintura. E seguiram. Juntos...num abraço silente.

* Ana Maria Marques é advogada e mestra em Políticas Públicas.