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sexta-feira, 28 de junho de 2013

MORADORES DO PIQUIÁ PRESSIONAM A PREFEITURA DE AÇAILÂNDIA PARA AGILIZAR ASSENTAMENTO

Subscreva o Apelo: Piquiá quer viver!

Pedimos sua ajuda: envie o texto para a prefeita de Açailândia e para o Governo do Estado do Maranhão. Chega de poluição matando os 1.100 moradores de Piquiá de Baixo, chega de desculpas para atrasar o reassentamento deles!

Piquiá de Baixo é o bairro industrial de Açailândia, poluído há 25 anos por cinco siderúrgicas e a empresa mineradora Vale. 350 famílias sofrem por terem as indústrias “no quintal de sua casa”.

Febre, falta de ar, coceira, alergias, câncer: o lucro vai para poucos, mas esses danos são para todos.

Piquiá luta há sete anos para fugir da poluição. Não conseguindo tirar as empresas, a única solução foi um processo coletivo de reassentamento, numa área livre e digna.

A luta do povo avançou muito, conseguiu parceiros e apoios no Brasil e no mundo. Uma equipe de arquitetos já terminou o projeto habitacional. A equipe de suporte jurídico já articulou o apoio econômico do Governo Federal.

Agora, é só a pequena prefeitura de Açailândia que está atrasando o processo todo.

Ajude os moradores de Piquiá de Baixo, manifeste sua indignação à prefeita de Açailândia e à governadora do Maranhão, peça conosco: “Piquiá: reassentamento já!”

Associação Comunitária dos Moradores do Pequiá
Apoio: Aliança Internacional de Habitantes



quinta-feira, 27 de junho de 2013

ANNA TORRES FAZ CLIP EM HOMENAGEM AOS PROTESTOS



Morando fora do Brasil, onde faz sucesso como cantora, Anna Torres soltou o canto para celebrar e motivar a luta do povo nas ruas.

FUTEBOL E PROTESTOS: SUTIS DIFERENÇAS



Protestos na ditadura militar eram reprimidos com pancadaria, tortura e assassinatos
De todas as novidades provocadas pelas manifestações de rua em 2013, uma se destaca: a Fifa e os gastos com os estádios estão entre os principais motivos dos protestos.

Na década de 1970, quando também havia protestos (porém sob censura da ditadura), o futebol cumpria outro papel: o de narcotizar o povo diante das atrocidades cometidas pelos militares.

A produção audiovisual brasileira está recheada de filmes sobre a ditadura militar, nos quais uma parte do roteiro se repete: cenas da euforia da copa do mundo de 1970 ofuscando o terror das torturas e dos assassinatos.

O sentimento nacional, sempre presente nas manifestações, desde os anos 1960

Os filmes sobre guerrilhas urbanas de resistência à ditadura sempre exploraram o futebol como algo que alienava o povo da luta revolucionária.

Enquanto as torturas e os assassinatos campeavam, o povo, indiferente aos revolucionários, lotava os estádios de futebol.

Os militares souberam cultivar bem a onda ufanista do milagre brasileiro na música que embalou os estádios na conquista do tri-campeaonato mundial (México, 1970) pela seleção canarinho: “noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção.”

Pelé e o povo nos estádios, enquanto a tortura corria solta nos porões da ditadura

Uma das produções mais expressivas é o filme “O que é isso, companheiro?”, dirigido por Bruno Barreto, baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira, que narrou o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969, por organizações armadas de esquerda.

Os seqüestradores queriam trocar o diplomata por 15 presos políticos brasileiros e reivindicavam também a publicação de um manifesto revolucionário nos principais jornais nacionais.

No filme, findo o seqüestro, Charles Elbrick foi solto na porta do Maracanã, ao final de um jogo, para facilitar a dispersão dos autores de uma das mais ousadas ações da esquerda brasileira no período ditatorial.

O momento é bom para pensar as relações entre a política e o futebol. Nos anos 1970, com os protestos sob censura, o futebol era o ópio do povo. Nos anos 2013, as manifestações ganham alta visibilidade na mídia, mas os gastos com os estádios são a ira do povo.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

APRUMA CONVOCA PARA ATO PÚBLICO

A APRUMA convida os professores da UFMA a participarem de um ato público marcado para 27 de junho, quinta-feira, com concentração na entrada do Campus do Bacanga, a partir das 16h.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O PT NO BANCO DOS RÉUS: JÚRI POPULAR


Roseana Sarney com a estrela: retrato falado do PT que vai a juri popular
A democracia brasileira deve muito aos três afluentes que deram volume ao grande rio do PT: as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o movimento sindical metalúrgico e os estudantes/intelectuais da Universidade.

O Lula sindicalista e a Dilma guerrilheira dedicaram bom tempo de suas vidas à militância na resistência à ditadura militar, nas lutas pela redemocratização e nas mobilizações que conquistaram as Diretas Já.

Pautado em uma visão gramsciana, o PT ajudou a construir um núcleo de forças democráticas e progressistas para a disputa de hegemonia contra os setores ultra conservadores.

O partido criou uma revista (Teoria e Debate), desenvolveu um programa de formação de quadros no Instituto Cajamar e organizou uma fundação (Perseu Abramo), voltada para pesquisa, educação e publicações.

As CEBs, sob orientação da Teologia da Libertação, prepararam milhares de militantes que pulverizaram organizações associativas urbanas e sindicatos de trabalhadores rurais. O Instituto Cajamar formou centenas de militantes e dirigentes com viés de esquerda. E a Fundação Perseu Abramo deu visibilidade aos textos e livros que disputaram no plano político uma visão programática do PT.

PT DE SONHOS

Esse conjunto de utopias desfraldou no Brasil a bandeira da esperança, levando à apaixonante campanha de 1989, embalada pelo jingle “Lula lá”, cantado nas vozes dos artistas globais e até por Chico Buarque de Holanda.

Nas campanhas subseqüentes (1994 e 1998) o PT flexionou ao centro, até chegar à aliança com o PL (Partido Liberal) em 2002. À medida que disputava eleições, a palavra “socialismo” ia desaparecendo dos textos compilados nas resoluções dos congressos nacionais do PT.

Eram as questões programáticas cedendo à pragmática da vitória eleitoral.

Inegável que a vitória de Lula em 2002 interrompeu um ciclo da aliança de extrema direita formada pelo PSDB/PFL (depois DEM). Se FHC tivesse feito seu sucessor por mais oito anos, o Brasil estaria pior.

Os mandatos de Lula, apesar de todas as contradições, foram fundamentais para atenuar a fome a miséria de milhões de brasileiros. Sobre o Bolsa Família, leia AQUI.

Lula também investiu na formação profissional, implantando centenas de Institutos Federais no Brasil inteiro, mas sofre críticas na academia sobre o viés adotado nos programas de qualificação de mão-de-obra.

O governo petista também ampliou o número de vagas para estudantes pobres nas universidades federais, simultaneamente à injeção de recursos nas instituições privadas através do ProUni, onde também há controvérsias.

No geral, a Era Lula foi um festival de oportunidades para quem nunca teve chance sequer de comer carne e beber leite. Gostemos ou não dos programas sociais, alimento é tudo.

PAI DOS POBRES E PADRINHO DOS RICOS

Mas, ao mesmo tempo em que atendeu à pobreza, o governo Lula e a sucessora Dilma fizeram a opção pelos ricos. Com dinheiro do BNDES, o governo financiou as faraônicas obras dos estádios das copas para atender à insaciável fome de lucro das empreiteiras, poderosas financiadoras de campanhas eleitorais.

Lula e Dilma foram generosos com os pobres e atenderam também ao apetite voraz dos grandes grupos econômicos representantes do capitalismo internacional. Os bancos privados e as empreiteiras foram privilegiados com a política econômica e as obras atravessadas dos governos petistas.

Uma delas, a transposição do rio São Francisco, está abandonada. E as usinas hidrelétricas (Belo Monte em destaque) têm uma péssima repercussão internacional devido às questões ambientais.

A mão invisível do mercado entrelaçou a política petista de tal maneira que ficou quase impossível dissociar a teia da corrupção dos avanços do governo. Para formar maioria, o PT recorreu aos expedientes do máximo pragmatismo e caiu nas garras do STF no julgamento do Mensalão.

Assim, os ex-presos políticos que ajudaram a construir o PT estão na iminência de outro tipo de prisão – por crime de corrupção.

Essa necessidade da maioria no Congresso Nacional tornou o petismo refém do PMDB.

MAIORIA CARA

A maior chaminé de São Luis na termelétrica de Eike Batista
Alianças com gente do tipo de José Sarney (PMDB) não correspondem apenas a apoio político-partidário. Tem negócios pelo meio que fizeram a burguesia brasileira empanturrar-se de dinheiro público financiado pelo governo do PT.

Basta ver, por exemplo, o multibilionário Eike Batista, beneficiário dos negócios das copas para administrar o Maracanã, paralelamente à voracidade com que compra hotéis no Rio de Janeiro.

Esse mesmo Eike Batista arremata leilões da Petrobras e enfia na ilha de São Luís uma termelétrica a carvão mineral, insumo altamente tóxico rejeitado no mundo inteiro.

 
Termelétrica vai queimar montanha de carvão mineral na ilha de São Luís
A termelétrica de Eike tem a maior chaminé da capital do Maranhão e vai produzir energia, área controlada pelo ministro Edison Lobão (PMDB), sócio político da oligarquia Sarney.

Quantos cartões do Bolsa Família valem um Eike Batista?

PAGANDO PARA VER

A fartura de dinheiro público do governo federal beneficiou também o império midiático, privilegiando as Organizações Globo. Nos 10 anos de governo petista, a família Marinho recebeu disparado a maior parcela da verba publicitária do petismo, que tanto falou em democratizar os meios de comunicação.

De 2000 a 2012, a Globo recebeu R$ 5 bilhões, 863 milhões de verbas publicitárias do governo federal. A Record, no mesmo período, ganhou R$ 1 bilhão, 571 milhões.

Os dados são da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, compilados e divulgados no blog de Fernando Rodrigues, do UOL.

 
Dinheiro farto do PT na Globo e quase nada para as emissoras públicas
INVERSÃO DE PRIORIDADES

No país necessitado de investimentos em estradas, ferrovias e portos, componentes indispensáveis para o desenvolvimento do país, o governo priorizou as obras faraônicas das copas, cujos resultados são questionáveis após os campeonatos internacionais.

O que fazer com um estádio em Manaus, onde sequer há times profissionais de futebol?

Enquanto os oligopólios midiáticos, os bancos privados e as empreiteiras alimentam-se dos esquemas petistas, muitos deles irrigados pela corrupção, o setor público segue quase falido. E as obras importantes, até mesmo do setor privado, foram colocadas em segundo plano.

É tudo uma questão de tempo. Investindo em ferrovias e estradas agora, o Brasil estaria colhendo resultados daqui a dez anos. Que colheita teremos na próxima década com os estádios de futebol?

QUE FAZER?

Com o povo nas ruas, os petistas estão relendo o clássico “Que fazer?”, de Lênin.

Os quadros do movimento sindical, os ex-líderes estudantis e parte dos intelectuais passaram a compor a base do governo, ocupando cargos burocráticos e mandatos, deixando um vazio na sociedade civil.

Os movimentos sociais antes controlados pela CUT dissiparam-se diante de novas frentes de luta com outras formas de organização: GLBTT, negros, mulheres, índios, juventude, ambientalistas, sem teto, sem terra, ativistas de direitos humanos, mídias livres etc.

Longe das bases e priorizando as novas amizades, Lula fez rasgados elogios a José Sarney, abraçou-se com Maluf e vê em Collor um aliado.

Nesse vácuo, os protestos de rua de 2013 são, em parte, culpa do PT, que agora é julgado com palavras de ordem, cartazes, passeatas e vandalismo.

Depois do Mensalão no STF, o PT vai a novo júri – do povo!

domingo, 23 de junho de 2013

IMPORTAR MÉDICOS NÃO RESOLVE O PROBLEMA DA SAÚDE

No pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, a presidente Dilma Roussef (PT) anunciou a importação imediata de "milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento". A promessa foi feita no calor das manifestações gigantescas que ocupam as ruas do Brasil reivindicando melhoria dos serviços públicos.

Dilma disse estar ouvindo a voz das ruas, mas parece não ter entendido. A população não está pedindo medidas atropeladas para atenuar os problemas. A voz das ruas está reivindicando o funcionamento efetivo do Sistema Único de Saúde (SUS), uma conquista da sociedade civil brasileira.

De que adianta contratar milhares de médicos se os hospitais públicos e toda a rede de serviços laboratoriais encontram-se em precárias condições de funcionamento?!

Se o governo foi generoso e célere com as empreiteiras para investir dezenas de bilhões de reais nos estádios da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, porque não investe no SUS?

O governo do PT deveria também fazer uma força-tarefa para combater a corrupção na área de Saúde, onde as quadrilhas organizadas desviam até sangue dos hemocentros.

A população deseja investimentos concretos nos hospitais públicos e combate à corrupção. Como dizem os cartazes nas ruas, queremos hospitais públicos "padrão Fifa".

Importar "milhares de médicos", como prometeu a presidente, pode até piorar a situação, por incrível que pareça.

sábado, 22 de junho de 2013

MULTIDÃO VOLTA ÀS RUAS EM SÃO LUIS, MAS O PROTESTO TEVE PELEGAGEM DO PMDB

Nem a chuva segurou a multidão na ponte José Sarney. Foto: Murilo Santos.
A chuva torrencial, os bloqueios da SMTT em vários pontos da cidade e a pelegagem da Juventude do PMDB não conseguiram impedir que milhares de pessoas voltassem às ruas de São Luís, neste sábado, para retomar a mobilização.

Além dos bloqueios da Prefeitura, todo o aparato repressivo da Secretaria de Segurança (soldados, viaturas, tropa de choque, cavalaria e helicópteros do GTA) foi colocado nas ruas para reprimir os protestos. A polícia concentrou maior força nos acessos ao Palácio dos Leões, sede do governo estadual, para onde os manifestantes dirigiram-se no início, sem conseguir furar o bloqueio.
SMTT bloqueou os acessos em vários pontos da cidade
Parte da multidão atravessou a ponte José Sarney, mas foi contida pela polícia no retorno do São Francisco, onde a manifestação se dispersou e um grupo seguiu para a Assembleia Legislativa, na avenida Jerônimo de Albuquerque.
 
Manifestantes a caminho da praça Maria Aragão. Foto: Israel de Napoli
Desde ontem, o governo Roseana Sarney (PMDB) vinha espalhando um clima de terror na cidade, que culminou com o anúncio de fechamento dos arraiais dos festejos juninos, na tentativa de desarticular a mobilização.

Mesmo assim, milhares de pessoas compareceram ao protesto e mais uma vez demonstraram disposição de seguir lutando por mobilidade, mais recursos para a saúde e a educação, por reforma política, contra a PEC 37 (que reduz o poder de investigação do Ministério Público) e repúdio às atrocidades cometidas pelo deputado pastor Marco Feliciano (PSC) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.
 
Multidão atravessou a ponte São Francisco e marchou na avenida Castelo Branco
Os gastos abusivos de recursos públicos com as obras faraônicas de construção dos estádios para as copas também voltaram a ser criticados nos cartazes, faixas, banners e nas palavras de ordem.

PMDB TENTA ESVAZIAR NO FINAL

Parecia coisa de amador, mas era profissional. No fim da tarde, o carro de som da Juventude do PMDB protagonizou uma das cenas mais repugnantes da manifestação.

A ponte do São Francisco e parte da avenida Beira-Mar estavam tomadas por milhares de pessoas, aguardando uma decisão sobre o roteiro final do protesto.

Os "militantes" peemedebistas revezavam-se ao microfone explicitando em alto e bom som um suposto desentendimento sobre qual destino seguir. Enquanto a massa gritava "palácio, palácio", sugerindo a marcha rumo à sede do governo estadual, a Juventude do PMDB empacava na cabeceira da ponte, sem tomar uma posição diante dos manifestantes.

Mas o absurdo ainda estava por vir, quando um dos oradores pediu uma vaia nas pessoas que estavam sentadas, supostamente impedindo a retomada da passeata. Detalhe: não havia ninguém sentado. Todas as pessoas estavam de pé, na ponte e espalhadas na avenida Beira-Mar.
Manifestantes permaneceram na rua após a debandada do PMDB
Jornalistas que acompanhavam de perto o carro de som ficaram revoltados com o pedido de vaia, feito pelo menino peemedebista, contra os próprios manifestantes que aguardavam o deslocamento do veículo.

Sem apoio dos manifestantes, só restou ao carro de som do PMDB bater em retirada, pegando uma sonora vaia da multidão.

Para brindar o sucesso da luta e o ocaso dos pelegos, um arco-íris pintou no céu da ilha rebelde.
O colorido da manifestação repercutiu no céu. Foto: Ed Wilson Araújo
E assim terminou mais um dia de protestos em São Luís.