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domingo, 31 de janeiro de 2010

DOMINGO COM MAIAKÓVSKI


E ENTÃO, QUE QUEREIS?

Fiz ranger as folhas de jornal

abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora

perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

nada de novo há

no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,

é certo,

mas também por que razão

haveríamos de ficar tristes?

O mar da história

é agitado.

As ameaças

e as guerras

havemos de atravessá-las,

rompê-las ao meio,

cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.

Maiakóvski

2 comentários:

Cristiano Capovilla disse...

Caro Ed.

Maiakósvski por ele mesmo:

"Os versos se perfilam
pesados como chumbo,
prontos para morrer,
ou para glória imortal."

Versos proporcionais aos tempos que vivemos, não achas?

Saudações.

ED WILSON disse...

CRISTIANO,
BASTANTE APROPRIADOS OS DOIS POEMAS PARA A NOSSA CONJUNTURA.
ED