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segunda-feira, 10 de maio de 2010

JOÃO PEDRO STÉDILE EM SÃO LUÍS

O MST e a Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes convidam para o debate “Conjuntura latino-americana e a criminalização dos movimentos sociais”, com João Pedro Stédile, coordenador do MST e da Via Campesina.

O evento será realizado quarta-feira 12, às 18 horas, no auditório Ribamar Carvalho, localizado na Área de Vivência da UFMA.

SOBRE A ESCOLA

A Escola Nacional Florestan Fernandes foi construída, entre os anos 2000 e 2005, através do trabalho voluntário de pelo menos mil trabalhadores sem-terra e simpatizantes.

Erguida em uma área de 30 mil metros quadrados, com instalações de tijolos fabricados pelos próprios voluntários, conta com três salas de aula, que comportam juntas até 200 pessoas, um auditório e dois anfiteatros, além de dormitórios, refeitórios e instalações sanitárias.

Seu acervo bibliográfico, formado com base em doações, conta hoje com mais de 40 mil volumes impressos, além de conteúdos com suporte em outros tipos de mídia.

Oferece cursos de nível superior, ministrados por mais de 500 professores, nas áreas de Filosofia Política, Teoria do Conhecimento, Sociologia Rural, Economia Política da Agricultura, História Social do Brasil, Conjuntura Internacional, Administração e Gestão Social, Educação do Campo e Estudos Latino-Americanos, além de cursos de especialização, como Direito e Comunicação no campo, todos em convênio com outras universidades.

Fonte: Assessoria de Comunicação do MST

sábado, 8 de maio de 2010

SOCIÓLOGO TRAÇA PANORAMA DA NOVA OPINIÃO PÚBLICA

O professor da USP Massimo di Felice aponta os novos rumos e configurações da opinião pública a partir da emergência das redes sociais, twitter, messenger e outros ancorados nas plataformas digitais.

Apocalíptico, aponta: “a política como conhecemos hoje pode ser, muito em breve, um retrato embolorado na parede. E o político profissional, um desempregado irremediável, com saudade dos 'bons tempos' pré-internet".

Veja a entrevista de Felice n’O Estado de São Paulo:

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,cidadaos-365-dias-por-ano,542532,0.htm

sexta-feira, 7 de maio de 2010

LIDERANÇAS DA CNB DECLARAM APOIO A FLÁVIO DINO


Um ato político realizado na manhã de hoje, 7, por lideranças petistas da tendência CNB (Construindo um Novo Brasil) reafirmou o apoio à pré-candidatura do deputado federal Flávio Dino (PC do B) ao Governo do Maranhão.

O evento foi realizado na sede do Sindicato dos Ferroviários e teve a participação de petistas da CNB, pré-candidatos a deputado estadual e federal, dirigentes do PT, profissionais liberais, sindicalistas e representantes do movimento de rádios comunitárias.

Organizada pelos militantes da CNB Marlon Henrique, Marlon Botão, Ed Wilson Araújo e Ricardo Gonçalves, a manifestação pró-Flavio Dino convidou para a unidade no PT, congregando todas as tendências em torno de uma candidatura do campo democrático-popular.

Uma parte da CNB, liderada pelo suplente de deputado federal Washington Oliveira, está engajada na candidatura de Roseana Sarney (PMDB) ao governo. Porém, não há consenso na tendência. O ato desta sexta-feira representa várias vozes discordantes da aliança com o PMDB e defensores da unidade petista-comunista.

Participaram também pela CNB Moacir Filho (Sindicato dos Comerciários e dirigente da CUT), Soismarino Ramos (PT de São José de Ribamar), Valter Cezar (diretor do Sindicato dos Servidores Federais - Sindsep), Marcos Vandaí (dirigente da CUT), Marla Silveira (Setorial de Cultura do PT) e Luis Domingos Pinheiro (Sindicato dos Comerciários).

POSIÇÃO

Compuseram a mesa de debates o presidente da CUT, Nivaldo Araújo; o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaema), Chico Sales; o presidente do Sindicato dos Ferroviários, Eduardo Pinto; o jornalista e professor da UFMA Ed Wilson Araújo; e o pré-candidato Flávio Dino.

Todos os oradores pregaram o respeito ao resultado do Encontro de Tática Eleitoral do PT, realizado em 26 e 27 de março, que definiu o apoio do PT à pré-candidatura do PC do B.

O encontro aprovou a aliança entre petistas e comunistas por dois votos de diferença (87 x 85), derrotando a tese da adesão ao PMDB e à candidatura de Roseana Sarney.

Eles pregaram a construção de um programa de governo participativo, voltado para a erradicação da pobreza, focado em políticas de desenvolvimento sustentável, com distribuição de renda e geração de empregos.

Os oradores convergiram também na crítica ao sistema oligárquico, apontando a necessidade de um governo democrático e progressista para superar o atraso econômico e político no Maranhão.

Flávio Dino discursou em defesa da unidade do PT, ressaltando a validade do encontro de tática eleitoral cuja decisão assegura a aliança com os comunistas.

“Este é um momento de resgate histórico. Temos que defender a democracia interna do PT. Nós vencemos o jogo seguindo as regras. Querem agora fazer uma prorrogação com direito a gol de mão para reverter o resultado. Isso descumpre as regras do partido. O encontro tem que valer”, ressaltou Dino.

O parlamentar agradeceu a manifestação de apoio, apontando as afinidades históricas com o projeto nacional da eleição de Dilma Roussef.

Dino encerrou assegurando a formatação de um programa democrático e popular, inspirado na participação dos movimentos sociais. Ele convidou a CNB para indicar um nome e integrar a coordenação da campanha, composta por dirigentes do PC do B, PT e PSB.

PROGRAMA

Um dos momentos do encontro teve a participação de especialistas em vários temas. Eles apresentaram dados e propostas nas áreas de agricultura, pesca e meio ambiente. O advogado Guilherme Zagallo abordou a importância do desenvolvimento sustentável na linha programática de uma candidatura do campo democrático-popular.

Em seguida, o assessor técnico da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaema), Domingos Cantanhede, fez uma exposição sobre a importância da agricultura familiar na produção de alimentos, enfatizando a valorização do crédito e da assistência técnica como instrumentos essenciais na política agrícola.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaema), Chico Sales, é preciso conciliar o desenvolvimento no campo com equilíbrio ambiental. A Fetaema congrega 300 sindicatos de trabalhadores rurais e já manifestou apoio à pré-candidatura de Flavio Dino.

O engenheiro de Pesca e professor do Instituto Federal Tito Tsuji reiterou a necessidade de incrementar a assistência técnica à pesca artesanal e beneficiar a produção. No Maranhão, pontuou o professor, existem apenas oito técnicos em pesca para atender ao litoral, quando seriam necessários 700.

TENSÃO

Dias 21 e 22 de maio haverá um novo encontro para homologar as pré-candidaturas do PT a deputado (estadual e federal) senador e suplentes, além da indicação do nome do(a) vice-governador(a) que vai integrar a chapa encabeçada por Flávio Dino.

O grupo liderado pelo deputado Washington Oliveira tenta reverter a decisão tomada em março, quando ficou oficializado o apoio ao PC do B. Oliveira quer aliançar com o PMDB.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

PROBLEMAS & SOLUÇÕES

Boa sacada teve a professora Licia da Hora. Outro dia, em conversa numa roda de amigos sobre o conturbado trânsito de São Luís, a buraqueira e outras coisas mais, ela saiu-se com essa, naquela entonação típica da maranhense: “Éh! E a gente ainda procura a pior solução – comprar um carro.”

Dias depois, efusivas, duas amigas anunciaram a estréia dos seus rodantes nas ruas da cidade. É assim que dois e dois são cinco. A cada carro mais congestionamento, poluição, transtorno etc. Tudo em nome do conforto e da mobilidade.

É um contraditório danado a gente adquirir um veículo para ganhar tempo e ficar preso no engarrafamento.

Outra amiga, que no ano passado estava maravilhada porque comprara uma casa no Turu, maior e mais confortável, agora estava arrependida porque o trânsito infernizou a vida dela na avenida São Luís Rei de França.

Tiro certeiro deu um poeta de longas caminhadas. Enquanto a maioria dos colegas compra carro e muda para os condomínios da Cohama, ele foi morar no centro, perto do trabalho.

“A cada dia tento simplificar as coisas. Trabalhando perto de casa, faço uma caminhada natural, tenho boa alimentação e nem sei o que é engarrafamento. Às vezes dá até para cochilar depois do almoço”, resumiu.

Meu sonho de cidade é com transporte público eficiente, ônibus limpos e paradas decentes. Ah! Quem me dera um metrô de superfície saindo do Tirirical e um bondinho aos domingos na praça João Lisboa.

E um parque ambiental para caminhar, tomar água de coco, conversar e ler embaixo de uma sombra. Praias limpas e sem carros de som tocando forró nas alturas.

Um dia chegamos lá? Já é madrugada. Vou dormir e sonhar com uma cidade bela e aconchegante.

terça-feira, 4 de maio de 2010

CINEMA NO MUSEU APRESENTA "BEM-VINDOS"

Nesta quarta-feira, 5, tem sessão do Projeto Cinema no Museu, às 19h, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM), na rua do Sol – Centro, com a exibição do coloridíssimo filme “Bem-vindos”, do diretor sueco Lukas Moodysson.

A promoção é do Cineclube Casarão 337 e MHAM, com entrada franca. Leia abaixo um texto do jornalista Eduardo Julio sobre o filme:

CADA UM NA SUA

por Eduardo Júlio *

Se você assistiu a “Os Idiotas”, filme que deflagrou a estética dogma nos anos 90, saiba que “Bem-vindos” é mais interessante, mais engraçado, mais humanista e bem menos idiota.

Dirigido pelo sueco Lukas Moodysson, o longa se passa numa comunidade urbana hippie, na Suécia dos anos 70. Na casa, em meio a pôsters de Che Guevara, Lenin e Mao Tse Tung, convivem comunistas, homossexuais e hippies radicais.

Eles colocam em prática todas as regras ideológicas da época: não comem carne, não consomem produtos norte-americanos e não assistem à televisão. De vez em quando, andam nus e, é claro, praticam meditação e transam à vontade.

A rotina do grupo é quebrada quando aporta no local a pequeno-burguesa Elizabeth, irmã de um dos hippies. Ela e seus dois filhos trazem costumes estranhos ou nocivos à comunidade, o que vai determinar a grande lição do filme: o convívio humano é mais rico e harmonioso em meio à diversidade.

Embora não pertença ao movimento dinamarquês dogma, o diretor Lukas Moodysson utiliza todos os clichês daquela estética debochada e revolucionária - afinal, ele também é escadinavo: câmera na mão, narrativa documentarista e diálogos em excesso.

Até o recurso do zoom, totalmente ultrapassado, está presente com toda naturalidade. Seja bem-vindo espectador!

* Eduardo Julio é jornalista e poeta.
(Trecho da crítica escrita para o jornal O Imparcial em 2002).


segunda-feira, 3 de maio de 2010

ELIANE CAFFÉ NA UFMA

Diretora do filme “Narradores de Javé”, a documentarista Eliane Caffé terá um encontro com estudantes e professores de Comunicação nesta quarta-feira, 5 , às 16 horas , no anfiteatro da UFMA.

Ela vem a pedido dos professores Vera Salles e Marcio Carneiro para falar da sua experiência no audiovisual e do projeto da oficina "O céu sem eternidade” ", que vai desenvolver no município de Alcântara , em maio, junho e julho, concluindo com a fase de gravações de um documentário.

Os professores do curso de Comunicação pretendem incluir cinco alunos bolsistas no projeto do documentário, com chances de integrá-los na produção coordenada pela documentarista.

sábado, 1 de maio de 2010

BESAME MUCHO

Marcio Carneiro *

O grande desafio para sedentários que começam a fazer atividade física não é perder peso, andar ou correr não sei quantos quilômetros ou conseguir índices olímpicos.

O difícil é levantar todo dia de manhã e continuar.

Se você se impuser metas muito difíceis, pode até fazer bonito no início, mas uma certa impaciência vai acabar aparecendo. Se você se medir ou pesar toda hora, atrás de resultados que normalmente não vem tão rápido, um belo dia você pára e não volta tão cedo.
Por isso, é preciso estabelecer novos motivos para caminhar.

Tudo bem, você já se consultou, fez seu check-up e ouviu (talvez não pela primeira vez) os saudáveis conselhos do seu médico. Então esqueça o índice glicêmico, o colesterol, os triglicerídeos e todos aqueles nomes dos quais você não tem boas lembranças.

Se estiver fazendo atividade física, eles provavelmente estarão indo na direção certa, mais cedo ou mais tarde.

Para evitar recaídas comecei a andar para observar plantas e pássaros. Mesmo não estando na selva, e sim caminhando na Avenida Litorânea e suas proximidades, é interessante ver a enorme variedade disponível e seus hábitos – dos pássaros – já que os das plantas, que também devem existir, são mais reservados.

Entretanto, mesmo não estando ali para isso, é inevitável também observar as pessoas, de todos os tipos e índices de massa corporal que passam perto de você.

A variedade é grande. Há senhores e senhoras de idade, garotões e menininhas em plena forma, casais apaixonados e entediados, crianças e, é claro, gordinhos em busca da redenção. Por isso nem se preocupe com sua atual condição física, sempre vai ter alguém em pior estado que você, e a maioria não está nem ligando pra isso. O negócio é estar ali.

A observação das pessoas já me trouxe alguns momentos muito instrutivos.

Logo no início, ao retornar pra casa, subindo uma ladeira quase intransponível, até para carros, ouvi a pouca distância alguém cantando baixinho.

Prestei atenção com o resto de mim que ainda podia controlar e vi uma senhora já na terceira idade que subia a mesma ladeira cantando Besame Mucho, como se estivesse num salão de baile e aquela montanha russa disfarçada de via pública praticamente não existisse.

Há muitos outros tipos legais também. Há o senhor que passa pela gente em sua corrida e cumprimenta a todos sem conhecer. Há a senhora que diariamente caminha com sua sombrinha e de acordo com o estado do céu informa: “chuva” , “sol”, apontando para o alto e sempre também me dando bom dia.

Há os amigos que encontramos e que nos incentivam e também um senhor, de pelo menos uns sessenta anos, que corre como um maratonista segurando uma garrafinha de água e com uma pequena toalha no pescoço. Espero chegar na idade dele daquele jeito.

Os bares tocando música brega às sete horas da manhã são uma diversão a parte. Outro dia ouvi uma letra mais ou menos assim: “Ela é independente, independente demais. Quando perde a cabeça, bebe até cair pra trás.”

Também presenciei a conversa do casal onde a moça, meio que sem jeito explicava ao namorado com voz tímida: “ olha, eu ando na viatura porque eu trabalho até às 4 da manhã. É só isso viu ….” .

Explicar uma carona no camburão não é fácil. Enfim, são pérolas inesquecíveis que vou levar por todos os caminhos que ainda puder percorrer nessa vida.

Mas há também os exemplos emocionantes de pessoas que sofreram algum tipo de ataque cardíaco ou derrame e estão em recuperação. Me lembro bem que há alguns anos, quando estava em outro ciclo de andarilho, sempre via um senhor que caminhava no mesmo lugar que eu, usando ainda uma muleta pra apoiar uma das pernas visivelmente afetada pelo problema.

Ele andava com grande dificuldade e quando eu o via achava até arriscado ele estar ali daquele jeito. Nesses meus dias de agora também o encontro de vez em quando, sem a muleta, caminhando com muito mais desenvoltura do que antes, apesar de ainda demonstrar que ainda há muito a fazer.

Vejo sempre outros como ele, também dando um passo de cada vez, depois de terem chegado bem perto de um abismo que tantos não poupou. São os mais assíduos e dedicados e o que mais me impressiona não é o fato de estarem caminhando, provavelmente por recomendações médicas, mas sim por estarem ali recomeçando quase que do zero, guiados por uma decisão irremediável de lutar por sua vidas e não se entregar.

É neles que penso quando dá uma preguiça. A força deles me ajuda a levantar.

E ai, começo a ouvir Besame Mucho, tocando dentro de mim, para mais um dia de caminhada.

* Marcio Carneiro é professor do Curso de Comunicação Social da UFMA

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