Adonilson militou no PT, assessorou o vereador de São Luís Joan Botelho, e depois mudou-se para Imperatriz, onde mora há 10 anos.
A votação ao Senado pode animar Adonilson para a eleição de 2012 em Imperatriz.
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No texto anterior analisamos a participação de Roberto Rocha (PSDB) no esquema de favorecimento da candidatura de Roseana Sarney (PMDB) ao governo do Maranhão.
Mas Rocha não agiu sozinho. O tucano João Castelo, prefeito de São Luís, também operou para a filha de Sarney ganhar a eleição na capital.
Dos 21 vereadores, Castelo liberou pelo menos 15 para tocar a campanha de Roseana, especialmente nos grotões da ilha, onde os votos são mais vulneráveis aos assédios.
Sob a liderança do presidente da Câmara, Isaías Pereirinha, o pelotão de vereadores armou o velho esquema com os presidentes das associações e uniões de moradores dos bairros da periferia.
Conhecedor do caminho, nesse mesmo reduto Castelo foi buscar a vitória contra Flávio Dino (PC do B) na disputa pela Prefeitura de São Luís, em 2008.
O apoio dos tucanos Roberto Rocha e João Castelo a Roseana Sarney baseia-se numa equação simples: o alinhamento de todas as forças conservadoras do Maranhão para evitar a ascensão de uma terceira força política vinculada ao campo democrático-popular, sob a liderança de Flávio Dino (PC do B).
A direita assumida – Sarney – faz aliança com a direita enrustida – os tucanos – para manter a hegemonia no Maranhão.
Com Jackson, Castelo e o prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira já em fase final da carreira política, quem se habilita a disputar o espólio de Sarney pela direita?
- Roberto Rocha.
TRAIÇÃO
A participação de Castelo no esquema de Roseana retoma uma lenda dos escaninhos políticos do Maranhão: o vírus da traição.
O traído da vez foi Jackson Lago (PDT). Quando governador, Lago entregou todos os postos estratégicos à gestão dos tucanos. Além disso, empenhou-se nas eleições municipais de 2008 para assegurar as vitórias de João Castelo em São Luís e Sebastião Madeira em Imperatriz.
Jackson, ex-aliado de Roseana Sarney em 2000, dos bons tempos da coligação champanhota, operou em 2008 para Castelo derrotar Flávio Dino.
O que fez Castelo em 2010? Apareceu na televisão já no final da campanha, pedindo votos para o amigo-amiga Jackson Lago, mas desde o início da eleição despachava com os vereadores para encher as urnas de Roseana em São Luís.
Resultado: Jackson sai da vida pública humilhado na cidade onde foi prefeito por três vezes. E traído pelo último prefeito que ajudou a eleger: João Castelo.
Grande parte dos jornalistas e políticos no Maranhão acertou em cheio sobre a postura de Roberto Rocha (PSDB) na eleição 2010: ele fez o jogo da oligarquia Sarney na disputa do Senado.
Os primeiros lances das peripécias de Rocha saíram no blogue de Roberto Kenard, dando conta de conversas subterrâneas entre o tucano e o empresário Fernando Sarney, manda-chuva do Sistema Mirante de Comunicação.
O senador José Sarney (PMDB) tinha um desejo visceral nesta eleição: deixar o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) sem mandato. Para isso, seria necessário dividir os votos da oposição no Senado.
Atento à estratégia de Sarney, José Reinaldo pregou a candidatura única das oposições ao Senado, considerando que uma vaga estava praticamente assegurada a Edison Lobão (PMDB), mas a segunda poderia ser tomada de João Alberto (PMDB).
Porém, os planos do ex-governador, outrora herói dos anti-sarneístas, foram transformados em pesadelo pela ação de Roberto Rocha.
Combinado o jogo com o amigo Fernando Sarney, Rocha entrou na disputa ao Senado e trouxe ainda o tucano recém-convertido Edison Vidigal. Assim, a oposição dividida entregou as duas vagas para Edison Lobão e João Alberto.
Fazia tempo que Roberto Rocha dava sinais de parceria com a oligarquia Sarney. Dono da rádio Capital AM, o tucano retirou da grade de programação da emissora o programa “Questão de Ordem”, apresentado pelo advogado Cesar Belo.
“Questão de Ordem” era uma versão radiofônica do Jornal Pequeno. Das 8h às 10h da noite, Cesar Belo atirava a torto e a direito na família Sarney. Foi advertido, censurado e tirado do ar.
Após o corte do programa, coincidentemente, Roberto Rocha passou a ser bem tratado ou pelo menos não hostilizado no Sistema Mirante do amigo Fernando.
Assim, o tucano pavimentava o caminho de volta ao seio da oligarquia, onde nasceu e foi criado, herdando a trajetória política do pai, o ex-governador Luiz Rocha, do PDS, posto no Palácio dos Leões sob a ordem de José Sarney.
Rocha-filho só fez oposição pra valer à oligarquia quando o PSDB mandava e desmandava no Brasil, durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC), de 1994 a 2002.
Sem a ancoragem do PSDB nacional, a oposição tucana à oligarquia no Maranhão murchou. No início da campanha de 2010, com as pesquisas apontando a vitória de Dilma Roussef (PT) no primeiro turno, Roberto Rocha foi para a sombra do sarneísmo.
O plano “A” de Rocha era derrotar José Reinaldo, prestando um favor a Sarney, ao facilitar a eleição de João Alberto e Lobão ao Senado. Fragilizando a candidatura de José Reinaldo, Rocha também diminuía as chances de Flávio Dino (PC do B) virar o jogo contra Roseana Sarney (PMDB).
Tudo isso foi pensado no contexto da anunciada vitória de Dilma no primeiro turno. Mas o cenário nacional mudou. Marina cresceu e empurrou José Serra (PSDB) ao segundo turno.
O cenário modificou, instaurando um clima de virada tucana contra Dilma. E o que fez Roberto Rocha? Convocou uma entrevista coletiva para anunciar seu plano “B”: ele é o estandarte do anti-Sarney no Maranhão, personificado na candidatura de José Serra.
Aproveitou também para atacar Flávio Dino (PC do B), revelando tudo, para o bom entendedor. Se Dilma ganhar no dia 31, Roberto Rocha volta ao abrigo de Sarney, integrando o esquema de reorganização ampla da direita no Maranhão.
Se Serra ganhar, ele volta à guerra contra Sarney.
O Cine Filosófico apresenta hoje (sexta), às 18h30min, "O pagador de promessas". A exibição é na sala de multimidia do IFMA, no campus Monte Castelo. Após o filme, rola um bate papo sob a mediação do professor de Filosofia Jorge Leão, organizador do projeto.
Com direção e roteiro de Anselmo Duarte, "O pagador de promessas" foi vencedor da Palma de Ouro como melhor longa metragem no Festival de Cannes em 1962.
Veja a sinopse: Zé do Burro e sua mulher Rosa, vivem em uma pequena propriedade e 42 km de Salvador (Bahia). Um dia, o burro de estimação do Zé, o Nicolau, foi atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara, para salvar o seu animal.
Com o reestabelecimento de Nicolau, por quem Zé nutre um apreço como a um amigo íntimo, Zé do Burro, como ficou conhecido em seu vilarejo, põe-se a cumprir a promessa, doa metade de seu sítio para depois começar sua caminhada rumo à igreja de Santa Bárbara, em Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira.
Mas a via crucis de Zé ainda se torna mais angustiante ao ver sua mulher se engraçar com o cafetão "Bonitão" e ao encontrar resistência ferrenha do padre Olavo, vigário da igreja, que nega-lhe a entrada, pela razão de Zé ter feito sua promessa em um terreiro de candomblé.