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sexta-feira, 19 de março de 2010

DEBATES CULTURAIS EM IMPERATRIZ

Integrantes da comunidade artística na região tocantina reúnem-se no Fórum Municipal de Cultura (FMC) para dialogar e preparar ações de difusão e valorização das manifestações estéticas de Imperatriz.

O diretoria provisória do Fórum é composta pela Fundação Cultural, Casa das Artes, Núcleo de Estudos Afro-Indígenas da UEMA (NEAI), Centro Acadêmico de História e Coletivo de Cultura e Meio Ambiente Arte Alternativa.

A Lei de Proteção ao Patrimônio e o Sistema Municipal de Cultura são algumas das bandeiras da organização, que agora concentra esforços na realização do 5º Fórum Imperatrizense de Cultura, previsto para o início de maio.

A mobilização dos artistas na região tocantina resultou, em 2008, no movimento Ocuparte. À época integrantes de várias organizações tomaram de forma organizada e produtiva o prédio da biblioteca pública municipal de Imperatriz.

O Ocuparte tinha como desdobramentos instalar os artistas nos prédios públicos abandonados e utilizar os espaços para a implementação de ações culturais na cidade.

As reuniões do FMC vão traçando também o calendário cultural de 2010 na região tocantina.

UFMA - No campus II da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o projeto Comcultura, coordenado pela professora de Jornalismo Leticia Cardoso, trabalha no mapeamento das diversas vertentes estéticas da região, observando como ocorre o processo de visibilidade midiática de cada estilo.

Veja mais sobre as cenas culturais de Imperatriz no site: www.pracadacultura.com/index.php

quinta-feira, 18 de março de 2010

ALIANÇA PT/PC do B NÃO AMEAÇA O PROJETO NACIONAL, DIZ FLAVIO DINO

Pré-candidato ao governo do Maranhão, o deputado federal do PC do B alimenta esperança em uma composição com os petistas. Leia o texto capturado no blogue do Flavio Dino:

A DISPUTA NO PT

Estamos próximos da decisão dos 175 delegados no Encontro Estadual do PT. Existem duas teses inscritas. Uma, prioriza a relação com a esquerda; a outra, com o PMDB. Respeitamos todos os argumentos que estão sendo expostos no debate interno do PT.

Como já disse, defendemos o direito de os petistas deliberarem com autonomia, sem pressões de quaisquer naturezas.

Tenho apenas uma ponderação. Não concordo com o discurso de que o apoio do PT ao PC do B "ameaça o projeto nacional". Apoio Lula desde 1989. Integro o único partido que sempre foi aliado do PT.

Somos parceiros de luta social. Resistimos bravamente à tentativa de cassar Lula, em 2005, quando alguns vacilavam ou se escondiam. Estou no Congresso há três anos, sustentando as posições do Governo, muitas vezes em condições adversas, sem pedir nada em troca, sem nenhuma barganha.

Dilma esteve em nosso palanque na Praça Deodoro, na eleição municipal de 2008. PT e PC do B juntos! Fizemos um belíssimo comício, com sabor de vitória e ousadia.

Lula esteve no nosso "palanque eletrônico", no 1º e no 2º turno. Ambos têm imenso respeito pelos 45% que obtivemos nas urnas da nossa capital, PT e PC do B unidos.

Palanques duplos para Dilma existirão em todo o país. O Maranhão não é exceção nesse contexto.

Logo, onde reside a ameaça ao projeto nacional?

Os companheiros e companheiras do PT decidirão o que acharem melhor para o Maranhão. Vamos aguardar. Estou otimista. Aqui na Câmara, inclusive na bancada do PT, ganhamos com uma imensa maioria.

Deputados de todas as correntes e tendências petistas me abraçam, dizem para não desistir, seguir firme e vencer. Sou muito grato a eles. A torcida é grande, o que amplia a nossa responsabilidade. Resta a decisão definitiva, dia 27, pelos delegados do PT no Maranhão.

Tenho confiança na história, na altivez, na coragem e na independência da militância e da direção do PT. Vamos construir a unidade do PT do Maranhão.

A eleição de 2010 começa a se decidir no dia 27 de março. Vamos à luta e à vitória. Décadas de lutas populares, de sonhos e esperanças, valem mais do que todas as máquinas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

OPOSIÇÃO ORGANIZADA A CASTELO

A primeira reunião da nova diretoria do PT de São Luís, sob a presidência de Fernando Silva, aprovou diretrizes visando construir uma frente de oposição ao prefeito João Castelo (PSDB).

O documento aponta várias ações de mobilização junto aos movimentos sociais para fiscalizar o executivo municipal.

A iniciativa petista visa também somar esforços com a direção do PC do B em São Luís no combate ao prefeito tucano.


Veja a resolução.


“Face ao caos administrativo em que se encontra a Prefeitura de São Luís e ao descaso do governo Castelo com as políticas públicas para a melhoria das condições de vida da população e, especialmente, ao verdadeiro golpe que foi o aumento das tarifas de transporte coletivo, resolve:


1 - Desencadear uma ampla campanha de cobrança das promessas feitas por João Castelo (PSDB) na campanha de 2008 e até hoje não cumpridas;

2 - Intensificar a mobilização dos movimentos popular, comunitário, sindical e estudantil para a coleta de assinaturas para um projeto de iniciativa popular que revogue o aumento abusivo das tarifas de transporte, a ser apresentado na Câmara de Vereadores da capital;


3 - Constituir um grupo de trabalho em apoio à Executiva Municipal do PT para organizar seminários com os zonais do partido, mobilizar os militantes petistas dos movimentos sociais para convocar a organização de um movimento popular de transportes, promover um seminário sobre as políticas democráticas de transporte público para São Luís, bem como realizar as ações necessárias para a efetivação desta resolução;


“O PT de São Luís, assim, solidariza-se com a população sofrida da capital frente à falta de limpeza urbana e coleta de lixo, os buracos e a ausência de infra-estrutura das vias e bairros da cidade, à falta de leitos e unidades de saúde em pleno funcionamento.

“E, a partir deste momento, juntará fileiras com o povo da ilha rebelde por uma cidade de fato para todos, e não apenas para os donos do poder.”


O texto cita ainda a criação de uma companhia municipal de transporte coletivo.

terça-feira, 16 de março de 2010

LIXO E BURACOS PROLIFERAM EM SÃO LUÍS





Multiplicam-se como ratos os montes de lixo acumulados nas calçadas, canteiros, terrenos baldios e no meio das ruas em dezenas de bairros da capital.

A Prefeitura de São Luís rompeu o contrato com uma das empresas de coleta, a pernambucana Limpfort, anunciando a contratação emergencial de nova prestadora de serviço.

Com dívidas trabalhistas em torno de R$ 12 milhões, junto a motoristas e garis, a Limpfort é uma velha conhecida nos negócios com o Palácio La Ravardière.

O ex-prefeito Tadeu Palácio, herdeiro de Jackson Lago (PDT) no comando de São Luís, contratou sem licitação a Limpel e a Limpfort, alegando estado de emergência na coleta de lixo.

Daí em diante os contratos foram renovados sem nenhuma transparência, mesmo já superada a fase emergencial.

Os valores pagos ao esquema do lixo permaneceram obscuros na desastrada gestão de João Castelo (PSDB), de quem não se espera quase nada de interessante para a cidade.

Correto seria abrir licitação para contratar o serviço de coleta. E que os valores fossem publicados no site da Prefeitura.

Mas a tradição em São Luís reza o contrário. Antes da Limpel e da Limpfort, prosperava no esquema do lixo o engenhoso Renato Dionísio da Coliseu.

A Coliseu faliu, foi liquidada e até hoje os responsáveis não foram punidos.


Enquanto isso, a população sofre com uma cidade suja, malcheirosa, esburacada e cada vez mais decadente.

domingo, 14 de março de 2010

O TECNOBREGA PARAENSE E A ANTROPOFAGIA OSWALDIANA


Samuel Marinho *

Fiz uma audiometria recentemente.

Foi diagnosticada uma leve perda auditiva do lado esquerdo.

Adoro música.

De todos os gêneros e tipos, denominações e conceitos.

Ela me interessa para além de gostos estéticos podados, mais até enquanto fenômeno de expressão.

Minha audição haveria um dia de reclamar mesmo.

Mas, coincidência ou não, tudo aconteceu após minha inédita incursão no melody paraense.

Melody, pra quem não sabe, é um nome de roupagem para um fenômeno mais abrangente da música destas bandas: o tecnobrega.

Há quem abomine o som.

Assim como abominam alguns o reggae do Maranhão, lamentando a alcunha de “Jamaica Brasileira” conferida a São Luís.

As radiolas estão para o reggae maranhense como as aparelhagens estão para o tecnobrega paraense.

E o tecnobrega consegue soar tão genuíno quanto o funk carioca, conseguindo ser mais discriminado que este último.

Para o horror dos puritanos, ele mistura Carimbó, Siriá e Lundu e outros sons populares às batidas eletrônicas e sintetizadores.

O meio oficial de divulgação é a pirataria e as lojas dos discos são os camelódromos, um mundo não contabilizado, “off-ICMS”, o “caixa 2” da cultura.

Crime seria desprezar o fenômeno que saltava diariamente aos meus olhos e ouvidos.

Meu doce castigo foi me aventurar.

Segui o convite de Lobão: “Tá a fim de arrebentar no universo paralelo”?

Foi num distrito de Belém que meu choque aconteceu.

Sucessos de todos os tempos e estilos são condensados numa batida lancinante, com letras trocadas para o sabor da diversão.

“All the single ladies”, megasucesso da popstar Beyoncé, por exemplo, vira um hit inconteste em português com o refrão fielmente adaptado: “Hoje eu tô solteira”.

Eu sinceramente nem me lembro mais da música de Beyoncé.

Antropofagia pura, no melhor conceito oswaldiano.

Dessas de comer a Madonna e o Michael Jackson, vivos ou mortos, juntos.

Sem falar da dança: muito original.

Um misto de calypso, lambada e qualquer coisa eletrônica pulsante num enlace envolvente que, diferente do reggae maranhense, só pode ser saboreado a dois.

Adriana Calcanhotto, Otto e Regina Casé são alguns artistas de renome que já andaram investigando esses timbres daqui do norte.

Hermano Vianna, irmão antropólogo do líder dos Paralamas do Sucesso, dedicou o artigo “Tecnobrega: A música paralela” a explicar sua perplexidade sobre o que considera ser uma das mais genuínas manifestações da periferia brasileira.

Há experiências na vida que nos deixam marcas pra todo o sempre, quaisquer que sejam.

A médica disse que a minha audição nunca mais será a mesma.

• Samuel Marinho é colaborador deste blogue, servidor público federal e contador.

sábado, 13 de março de 2010

PROJETO NACIONAL OU ADESISMO RECORRENTE

Salvador Fernandes *

O Partido dos Trabalhadores no Maranhão tornou-se, negativamente, objeto de consumo predileto das rodas de conversas sobre as eleições de 2010 e dos analistas políticos dos meios de comunicação ludovicenses.

A temática é: o PT coligará ou não com PMDB? Em outras palavras, os representantes da ala majoritária da sigla conseguirão oficialmente levar o PT de mala e cuia para as hostes sarneysistas?

Algum tempo atrás, quem imaginaria o combativo Partido da resistência política à oligarquia Sarney assumir uma exacerbada postura adesista em defesa do governo golpista de Roseana Sarney Murad e de coligação com o PMDB - este, simplesmente, a principal agremiação da cesta de siglas de aluguel controlada, no estado, pelo chefe do Clã?

Os argumentos para a mudança nos trilhos políticos do Partido são muitos: defesa de um tal projeto nacional; suporte à posição político-eleitoral do presidente Lula; ou não comprometimento das possibilidades de eleição de Dilma Rousseff devido às querelas regionais.

Enfim, este é o alinhamento absoluto, festejado pelo segmento petista defensor da tese de apoio ao governo golpista de Roseana Sarney Murad e de formação da futura coligação estadual com vistas à disputa eleitoral de 2010.

Aliás, esta pérola política tão decantada foi pronunciada pelo presidente Lula na sua penúltima passagem pelo Maranhão, quando ditou o comando ao afirmar que “o PT já tem uma história no Maranhão, já sabe quem é a força desse estado, portanto não tem que ficar sonhando com quem não tem (força), e sim com quem tem. Se quiserem fazer política com pé no chão que faça (sic), contudo tem que ver a realidade aprender a ser pragmático em política”.

Assim, a ala petista majoritária de posse destas “verdades”, ao estilo dos exploradores europeus quando da invasão do território latino, considera-se liberada e legitimada a enxovalhar o rumo da historia partidária, afinal é como se estivesse em nome do Rei e do Papa.

Pergunto-me: será que um projeto nacional de centro-esquerda precisa do pilar sarneysista? Por que tanta subserviência? Com certeza não é o insignificante peso eleitoral do Maranhão, com 11,77% do eleitorado nordestino e apenas 3,19% dos votantes brasileiros.

Não bastam os estragos administrativos, éticos e políticos provocados pelos integrantes da oligarquia, cujo principal protagonista é o próprio José Sarney?

Não é suficiente a entrega da presidência do Senado, resultado de uma conspiração contra um senador petista, o comando do estratégico setor de minas e energia, além da eternização em inúmeros cargos federais?

Será que os alarmantes índices econômicos e sociais das regiões Norte e Nordeste não são motivos para renegar alguns de seus patrocinadores, como José Sarney, Jader Barbalho e Fernando Collor de Melo? Repito, qual é o projeto nacional?

Que mudanças estruturais apregoam, se estes “aliados preferenciais” são fomentadores e reprodutores históricos dos arcaicos sistemas oligárquicos, onde o patromonialismo é a única fonte de riqueza e poder?

O pior, no estado, é que este adesismo à oligarquia Sarney, em nome do suposto projeto nacional, é uma prática recorrente de parte da esquerda maranhense.

Não esqueçamos que, em meados da década de 80 e nos dois mandatos anteriores de Roseana Sarney Murad, segmentos de centro-esquerda do estado utilizaram-se deste mesmo sofisma para serem apêndice oligárquico.

No primeiro caso, diziam que para evitar o retrocesso engajaram-se ao governo da “Nova República”. Por último, segundo eles, por ser o governo de Roseana Sarney Murad moderno e progressista, era a justificativa para uma participação ativa.

Acrescente-se que o descabido adesismo atinge também outros setores da esquerda maranhense, que só veem possibilidade de mudanças na política estadual se este projeto tiver como sócio hegemônico as lideranças da oposição conservadora.

Absolutizam ao afirmar que não existe outra opção viável: ou se está com a sarneyzada, ou se engaja mas forças da oposição conservadora. O exemplo recente fatídico foi o apoio aberto, ou camuflado, de algumas destas lideranças à nefasta candidatura do ultra-direitista João Castelo à Prefeitura de São Luis.

Aqui, mais que em outros lugares, parece que política é impermeável à ética. Pragmatismo, adesismo e, essencialmente, favorecimento pessoal fazem parte do cotidiano da maioria das lideranças políticas, inclusive de algumas personalidades ditas de esquerda.

Oportunismo é tratado como senso de oportunidade ou capacidade de iniciativa política. É a realpolitik em sua versão soberbamente provinciana.

* Salvador Fernandes é servidor público federal, economista e ex-presidente de PT-MA.

sexta-feira, 12 de março de 2010

CARTA AOS DELEGADOS E DELEGADAS DO PT

Francisco Gonçalves da Conceição *

Qualquer que seja a decisão do próximo encontro estadual, o PT tende a ocupar um lugar político, ideológico e eleitoralmente decisivo nas eleições de 2010. As negociações nacionais para a construção da aliança de sustentação da candidatura Dilma posicionam o PT regional no centro do cenário político-eleitoral.

As negociações regionais colocam o PT diante do dilema de legitimar o passado ou projetar o futuro. Variáveis regionais e nacionais precisam ser balizadas para efeito de qualquer decisão. Para contribuir com a qualidade e a ampliação do debate, apresento três questões, uma imbricada na outra, sobre o cenário político-eleitoral.

1. Embora Roseana mantenha a liderança da corrida eleitoral e tenha crescido nas últimas pesquisas, existe um sentimento latente de mudança, que devidamente mobilizado será capaz de alterar a lógica eleitoral.

O perfil do eleitorado maranhense, segundo pesquisas qualitativas, pode ser caracterizado do seguinte modo: cerca de 30% do eleitorado a priori votam na oposição; cerca de 40% votam na candidatura sarneysista; e cerca de 30% são eleitores flutuantes, que serão disputados por Roseana Sarney e por candidatos da oposição.

Este perfil do eleitorado maranhense torna o resultado eleitoral incerto por duas razões, de acordo com a análise do especialista em pesquisa eleitoral Juliano Corbellini:

a) por trás da liderança de Roseana nas pesquisas, existe uma realidade “subterrânea” e uma configuração estrutural do tabuleiro maranhense que indica uma eleição em aberto, cujo destino pode ser mudado a depender dos atores e suas estratégias;

b) no bloco dos 30% de eleitores flutuantes, que não são nem pró e nem anti Sarney, predomina a simpatia pela idéia de mudança e de renovação da política maranhense. Pesquisa qualitativa indica também a existência de um espaço eleitoral generoso para um candidato que simbolize a renovação da política maranhense.

Perguntados sobre a principal característica de um candidato a governador, os entrevistados se referem ao quesito “honestidade” como o mais importante, chegando a 28%. Dos três possíveis candidatos ao governo (Roseana, Jackson e Flávio), é a imagem de Flávio Dino que mais se aproxima desse desejo do eleitor.

No quesito honestidade, Roseana apresenta 01,5% de menção como motivadoras de voto, e Jackson 04,9%. No quesito confiança, 01,5% e 04,9% respectivamente. A partir destes dados, Corbellini faz a seguinte análise:

a) Jackson e Roseana são candidatos que conjugam a movimentação de uma máquina populista e clientelista e uma imagem de “competência administrativa”, ou seja, uma motivação raciona;

b) Flávio Dino, por sua vez, é o candidato que se diferencia por ter consigo a bandeira da honestidade, e por poder mobilizar o sentimento de mudança e renovação que existe na opinião pública maranhense, ou seja, a motivação do seu voto está mais no terreno da emoção, que é mais poderoso do que a razão numa batalha eleitoral.

Estes mesmos dados, com alguma variação, também são base de análise do PMDB na montagem do cenário regional. A leitura desse cenário permite afirmar que a aliança PT-PMDB, no plano regional, possibilitaria ao grupo Sarney atingir simultaneamente três objetivos:

a) consolidar a vinculação da candidatura Roseana à imagem e às conquistas do governo Lula, que tem sido um dos motores do seu mais recente crescimento nas pesquisas;

b) impedir o surgimento de uma candidatura capaz de arregimentar os eleitores anti-sarneysistas e mobilizar o sentimento de mudança dos eleitores flutuantes;

c) implodir qualquer perspectiva de construção do campo democrático e popular no Maranhão e qualquer mudança na correlação de forças regional, um dos fatores de sustentabilidade do grupo Sarney no cenário nacional.

2. A decisão do PT do Estado do Maranhão em construir uma candidatura capaz de unir o campo democrático e popular e mobilizar o desejo de mudança da população maranhense não colocará em risco a aliança nacional e a base de sustentação da candidatura Dilma. Diferentes pesquisas acadêmicas confirmam que o grupo Sarney se sustenta em três pilares:

a) a mediação entre as esferas estadual e federal a partir do controle dos cargos federais no Estado e do controle de setores estratégicos no governo federal, a exemplo do setor elétrico;

b) a utilização da máquina pública a favor de interesses privados a partir do controle do governo estadual, através do qual é possível (i)mobilizar os eleitores em torno de uma candidatura;

c) a disputa das mentes e corações a partir do controle das agências midiáticas (rádio, jornal, televisão, portal de internet), que dão forma a espaços públicos na sociedade maranhense. Para a reprodução do grupo Sarney é vital tanto o controle do governo estadual, como o controle da mídia e de setores estratégicos do governo federal.

Embora Sarney e os seus aliados sejam chaves na montagem da aliança com o PMDB, a voracidade desse grupo tem reduzido a presença do PT no governo e a ampliação da base de sustentação do governo petista com outros atores sociais.

No segundo mandato de Lula, por exemplo, os petistas na região foram gradativamente excluídos de posições estratégicas no governo federal, como Eletronorte e INCRA, e substituídos por políticos e/ou profissionais vinculados ao grupo Sarney.

A mudança na correlação de forças política e eleitoral no Estado tende a contribuir para a alteração, a favor das demandas dos movimentos sociais, da base de governalibilidade do próximo governo e para a consolidação de novo bloco de poder no Maranhão.

O grupo Sarney não romperá com a candidatura Dilma caso o PT regional decida se manter no campo democrático e popular, já que isto implicaria em abrir mão de uma de suas bases de sustentação, às vésperas de uma eleição competitiva e incerta.

Do mesmo modo, a decisão do congresso nacional do PT em reconhecer a possibilidade de dois palanques nos estados em que não for possível reproduzir a aliança nacional, o desgaste da figura de Sarney no cenário nacional em razão de uma sequência de escândalos e a sua voracidade por cargos federais, o papel do PC do B na base de sustentação do governo Lula nos dois mandatos e a crescente liderança de Dilma entre o eleitorado maranhense retiram do cenário qualquer possibilidade de intervenção do diretório nacional no diretório regional.

A decisão de coligar com o PMDB ou com o PC do B e o PSB depende, neste momento, mais da vontade dos militantes e dirigentes locais do que de injunções nacionais. Ou, será que o PT não deve levar em conta os cenários regionais e suas imbricações nos cenários nacionais para tomar essa decisão?

Por exemplo, a aliança com o PMDB pode levar o partido a uma intensa disputa interna, com perca de significativas bases políticas e eleitorais. A aliança com o PC do B e o PSB cria condições para a unidade partidária e ampliação da base democrática e popular da candidatura Dilma, com profundos efeitos na base de apoio do próximo governo.

3. As últimas eleições já demonstraram que é possível e viável a constituição de um novo bloco de poder no Estado do Maranhão, comprometido com a mudança e a renovação e sensível às demandas dos movimentos sociais.

Não é novidade para ninguém, que nas últimas décadas cresceu o eleitorado de oposição no Estado e que o grupo hegemônico na política maranhense vem passando, nas últimas décadas, por uma série de cisões. A última crise no grupo Sarney levou ao rompimento com o grupo liderado pelo então governador Zé Reinaldo e de lideranças como Edson Vidigal.

Esta crise possibilitou a eleição de Jackson Lago (PDT) e a formação de um governo com forte e determinante influência de setores dissidentes do grupo Sarney. A composição e a concepção política do governo Jackson, no entanto, contribuíram para a aplicação de medidas antipopulares e o distanciamento do governo das demandas populares, com redução de popularidade.

É neste cenário que o PT e o PC do B, em um gesto de ousadia e generosidade política, reeditam a frente democrática e popular na disputa da prefeitura da capital, levando o seu candidato para o segundo turno contra candidatura de João Castelo (PSDB).

Naquela ocasião, o PT e o PC do B souberam interpretar e dar conseqüência ao desejo de mudança e renovação presente no eleitorado da capital. Hoje, os partidos do campo democrático e popular lideram cerca de 50% do eleitorado da capital nas pesquisas de opinião, com capacidade de ampliação.

Esta disputa eleitoral, classificada pelas lideranças do PT como estratégica na construção de um novo bloco de poder no Estado, demonstrou a viabilidade da frente democrática e popular e revelou os espaços abertos para projetos de renovação. Hoje, todas as pesquisas indicam que os eleitores anti-Sarney e os eleitores flutuantes simpáticos à mudança e a renovação formam a maioria dos eleitores.

O PT, junto com o PC do B e o PSB e com uma candidatura capaz de expressar e mobilizar esse sentimento, pode transformar esse desejo de mudança e renovação em maioria política e eleger o próximo governador do Estado do Maranhão, comprometido com as demandas populares e democráticas e com a governabilidade do futuro governo Dilma.

Caberia ao PT renunciar à possibilidade de construir uma nova maioria política no Maranhão para ser apenas coadjuvante de um jogo cujos jogadores o eleitorado deseja ver fora de campo? Durante três décadas o PT insistiu na tese da construção de uma frente de caráter democrático e popular.

No momento em que essa possibilidade ganha materialidade histórica e eleitoral, caberia ao PT renunciar a esse projeto para renovar o passado e comprometer o futuro da população maranhense?

Parece-me que este é o dilema ideológico, político e eleitoral do PT, parido e criado na tradição da esquerda, cuja característica é a defesa da igualdade na diversidade, a luta pela emancipação humana e a mobilização social como formação de novos sujeitos. Ou seja, a candidatura do campo democrático e popular, como apontam as pesquisas e as últimas eleições, é viável tanto do ponto de vista político como eleitoral.

O PT não está sem opção. O PT tem a opção de refundar o passado ou renovar o presente.
No mês de março, o encontro estadual do PT decidirá a tática eleitoral. Você e os seus companheiros de chapa participarão dessa decisão, que atinge os filiados e o povo do Maranhão.

Desejo a você e aos seus companheiros que não deixem de mirar a estrela mais alta, aquela que anima as nossas esperanças e impulsiona a defensa das idéias que dão sentido ao nosso partido, o Partido dos Trabalhadores. Nos próximos dias, as pressões serão intensas a favor de uma tese e outra.

Em momentos como esse, penso que o hino da nossa terra continua sendo uma boa referência para quem sonha que o mundo pode ser melhor, melhor para todos: “a liberdade é o sol que nos dá vida!”.

Abraços do amigo e companheiro,

* Francisco Gonçalves da Conceição é jornalista, professor da UFMA e militante histórico do PT.