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segunda-feira, 30 de março de 2015

O ROTEIRO DO AUMENTO DA PASSAGEM DE ÔNIBUS EM SÃO LUÍS

Presidente da SMTT, Canindé Barros, ao centro, dirige o filme repetido: o SET sempre ganha
O reajuste de 16% na tarifa de transporte coletivo de São Luís já estava anunciada. Era só questão de tempo e cumprimento do ritual.

Com o realinhamento de preço, as passagens passam de R$ 1,60 para R$1,90, a de R$ 1,90 para R$ 2,20 e a de R$ 2,40 para R$ 2,80, o que dá uma média tarifária de R$ 2,66.

O roteiro do aumento é o seguinte:

Primeiro, o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) faz um acordo com o Sindicato dos Rodoviários para ameaçar uma “greve”.

A “greve”, na verdade, é um boicote dos donos de ônibus, que trancam os veículos nas garagens tendo a conivência do Sindicato dos Rodoviários.

Nesta aliança entre capital e sindicato pelego, a ameaça de "greve" passa a ser o instrumento de barganha do SET.

Diante do clima de tensão, a “greve” é suspensa e os empresários asseguram o aumento das tarifas, repassando sempre a menor parte dos seus lucros para os trabalhadores rodoviários.

Nesta trama, há dois perdedores: os usuários e os próprios rodoviários, reféns de dois sindicatos que operam contra os interesses da categoria e da população.

NEGÓCIO LUCRATIVO

A Prefeitura de São Luís, através da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), também é refém dos interesses do SET, uma poderosa organização historicamente beneficiada com monopólio de linhas e total falta de transparência nos contratos e serviços.

O SET também controla a Câmara de Vereadores, onde quase nenhum parlamentar se manifesta sobre a gravidade do sistema de transporte, menos ainda sobre o aumento de tarifa.

A Taguatur, por exemplo, monopoliza as linhas da Área Itaqui-Bacanga desde a década de 80, mantendo péssimo serviço e lucrando muito.

Basta observar a diversificação dos negócios da Taguatur nos setores de turismo, revenda de automóveis e eventos.

Ser empresário de ônibus em São Luís é o melhor negócio do mundo.

Quando não obtêm aumentos das tarifas com as greves manipuladas, os empresários são beneficiados com subsídios da Prefeitura.

LICITAÇÃO

Após infinitas protelações e cobranças do Ministério Público, a Prefeitura anunciou a esperada licitação do sistema de transporte para abril de 2015.

Abril começa quarta-feira. Haverá licitação?! Em quais condições?

Enquanto a licitação não sai, os movimentos sociais e usuários se mobilizam nas redes sociais, convocando um protesto para esta segunda-feira, dia 30, às 17h, na praça Deodoro. 

Se a Prefeitura não enfrentar o esquema do SET, com uma licitação transparente e quebra de monopólio, nunca haverá mudança no sistema de transporte de São Luís.

A entrega de novos ônibus, diminuindo o número de sucatas nas ruas, é um paliativo.

Solução mesmo só virá com uma licitação transparente, acompanhada de amplo debate sobre mobilidade urbana em São Luís, envolvendo empresários, usuários, Ministério Público e Prefeitura.

sábado, 28 de março de 2015

A ENCANTADORA E MÍSTICA ILHA DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO, EM ALCÂNTARA

Paulo Melo Sousa

Reportagem publicada em 27.03.2015 no suplemento JP Turismo, veiculado às sextas-feiras, no Jornal Pequeno.
 
A ilha vista de Alcântara (foto acima) e do seu ponto mais alto: potencial turístico perto de São Luís

A cidade histórica de Alcântara possui um potencial turístico inigualável, que reúne patrimônio arquitetônico e cultural invejável, com belos sobrados, monumentos únicos como fontes, igrejas e um preservado pelourinho, ruínas imponentes, manifestações culturais marcantes, com festejos de cunho religioso que inflamam multidões, tais como a Festa do Divino Espírito Santo e a de São Benedito, belas praias ainda preservadas, o que favorece o turismo ecológico e o de aventura, com a presença de sítios arqueológicos e paleontológicos, como os da Ilha do Cajual, grande presença de comunidades quilombolas rurais, o que confere ao município o caráter de território étnico, dentre outros atrativos de igual interesse.

No entanto, sobrevivem na cidade problemas crônicos, sendo o primeiro deles justamente o acesso a esse valioso destino turístico. As lanchas que faziam o percurso até há pouco tempo atrás desapareceram, e hoje alcançar Alcântara, situada apenas a 22 km de São Luís, é uma penitência. Existem barcos e catamarãs que fazem o trajeto, partindo da capital pela Rampa Campos Melo (Praia Grande, Centro Histórico). Os barcos são desconfortáveis, com banheiro sem as mínimas condições de higiene. Os catamarãs nem banheiros possuem, e não existe preparo adequado para recepcionar os turistas. A travessia é dura e muita gente não retorna à cidade por conta do mar revolto da Baía de São Marcos, que é impiedosa para quem sofre de enjôo no mar. Secretários de Turismo do Estado nem visitam a cidade, e os prefeitos se sucedem, eleitos com promessas que nunca são cumpridas. Dessa forma, o tempo passa sem que o problema seja solucionado.
Lugar aprazível para descanso e turismo ecológico
As lanchas que fazem o transporte de militares do Centro de Lançamento de Alcântara - CLA levam apenas 30 minutos para fazer o percurso, sem atropelos, enquanto que o visitante e os moradores precisam de uma hora e meia para chegar ao destino. Lanchas adequadas, ágeis como as do CLA não poderiam ser viabilizadas para os civis? Falta competência aos gestores do turismo, falta vontade política à prefeitura de Alcântara, pois o problema é antigo, existe há décadas. Os prefeitos mudam, as promessas são as mesmas, e os problemas continuam, afetando os moradores e prejudicando o setor turístico, que já é de há muito, precário.

O território ocupado pela cidade de Alcântara foi, num passado remoto, habitado pelos índios Tapuias (cabelos compridos), que foram expulsos desse território para o interior do continente, e os Tupinambás é que estavam lá, quando da tentativa de colonização francesa do Maranhão, em 1612. Daí é que vem o nome de Tapuitapera, como alguns ainda se reportam a Alcântara, ou seja, aquela que já foi taba, e depois apenas tapera dos Tapuias. A povoação foi elevada à categoria de Vila de Santo Antônio de Alcântara em 22 de dezembro de 1648 e, durante o período colonial, abrigou um significativo centro agrícola e comercial. O município foi criado a partir da Lei Provincial nº 24, de 7 de julho de 1836. Em 1948, no dia 22 de dezembro, Alcântara recebeu o título de Patrimônio Histórico Nacional.  Localiza-se no litoral norte do Estado, pertencendo à micro-região da Baixada Ocidental Maranhense, e integra a região metropolitana de São Luís.
Achados fósseis de interesse dos pesquisadores em Arqueologia foram encontrados na ilha
Apesar dos muitos entraves em relação ao acesso, a cidade continua recebendo turistas atraídos pelo título que a cidade ostenta. Infelizmente, o receptivo é deficiente. As pousadas ainda precisam melhorar o atendimento, algumas praticam preços abusivos, os guias turísticos não se preocupam em estimular o pernoite dos visitantes, o que prejudica a já combalida rede hoteleira. Dessa forma, prevalece o famoso bate-volta, mal o turista chega e passeia pela cidade e já é obrigado a voltar. Dependendo da maré, o passeio pode durar apenas três ou quatro horas. O visitante, dessa forma, é considerado apenas excursionista, e não turista, já que esta última categoria pressupõe o pernoite na cidade. Essa caótica situação tem provocado não apenas o desânimo, mas também sério prejuízo econômico aos moradores que ainda insistem em permanecer no ramo do turismo.

Dentre as inúmeras e valiosas atrações de Alcântara vale destacar o destino turístico da Ilha de Nossa Senhora do Livramento, que fica defronte da cidade, e que se encontra situada na Área de Proteção Ambiental - APA das Reentrâncias Maranhenses, possuindo um rico e diversificado ecossistema, representado por manguezais, apicuns, mata remanescente da floresta amazônica (eram frequentes, ali, os pés de pau d’arco amarelo e roxo), com a presença de aroeiras, andirobas, dentre outras espécies. O ecossistema se caracteriza pela presença de praias desertas, propícias ao banho, com águas ainda limpas, o que favorece o turismo ecológico e de aventura. Inúmeras trilhas podem ser desfrutadas na ilha, tanto pela orla, com passagem por um diferenciado lajeiro de pedra, quanto pelo interior da mesma, que ainda abriga tatus, além das belas aves migratórias. Os guarás, as garças e os maçaricos adornam a paisagem. O local também é um importante sítio paleontológico, com a presença de pedaços de árvores e de dinossauros fossilizados, que já foram recolhidos por pesquisadores. Além disso, as ruínas da antiga igreja de Nossa Senhora do Livramento também caracterizam o local como sítio arqueológico.
Prefeitura de Alcântara ignora o potencial turístico da Ilha do Livramento
Num promontório situado na parte mais alta erguia-se uma modesta igrejinha consagrada à santa. Havia na cidade, outrora, a festa em homenagem à Virgem do Livramento, em dezembro, e que, segundo Antônio Lopes, era a mais importante de Alcântara. “O culto nos veio de Portugal, como tantos outros, e era devoção da família de Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, o primeiro Donatário de Alcântara; além de dar à santa a ilha para seu patrimônio, ele mandou erguer a igreja em pagamento de promessa por salvação de naufrágio numa das viagens à antiga capitania. Essa igrejinha foi reconstruída em 1744 por Antônio Marques "na própria ilha e lugar", de acordo com o historiador César Marques”, informa a pesquisadora e folclorista Zelinda Lima. Hoje, da igrejinha restam apenas ruínas, e a festa desapareceu. O brasão em pedra lioz que encimava o portão de entrada da igreja foi retirado do local e se encontra no Museu Casa Histórica de Alcântara.

A ilha é um paraíso ecológico, mas há alguns anos que a praia, na sua parte leste, que é visualizada de Alcântara, vem sofrendo erosão. A maré já avançou cerca de vinte metros, atingindo a margem e provocando a morte de muitas árvores. As embarcações que fazem o trajeto para Alcântara também não controlam seus passageiros, que jogam lixo no mar. Boa parte do lixo dos navios que estacionam na baía de São Marcos também vai parar na ilha, sobretudo lixo plástico. O local é habitado apenas por dona Mocinha, a irmã dela e pelo José (mais conhecido como Punk), que ajuda dona Mocinha nos seus afazeres e transporta os visitantes ao local numa pequena canoa com motor de rabeta. Dona Mocinha possui ali um pequeno bar e restaurante, que recebe tanto moradores de Alcântara quanto turistas ocasionais. À noite, o restaurante se transforma em pousada, e funciona como redário; em frente ao barracão e próximo dele existem áreas limpas para a prática de camping. Com uma pequena taxa, os visitantes podem pernoitar no local.

Dona Mocinha serve a melhor galinha de parida que seu paladar pode desejar, acompanhada por um pirão delicioso e pelos inesquecíveis ovos pochês, que ela prepara com esmero. As aves são criadas num galinheiro que ela mantém ali, e o tempero conta com o toque especial das ervas nativas. Ela também serve peixe, carne e frango, de acordo com o freguês, tudo previamente agendado, isso porque não existe, no momento, energia elétrica no local, e os alimentos precisam ser comprados em Alcântara e preparados de imediato.

Dona Mocinha tem um equipamento completo de energia solar, com placas e baterias, mas que está em desuso. Um contrato que ela possui atesta que a prefeitura de Alcântara se responsabilizaria pela manutenção e reposição das baterias, o que não acontece. A prefeitura foge da responsabilidade e o local prova que, no Maranhão, a luz elétrica não é para todos. Essa situação prejudica de forma crucial o trabalho e a vida de dona Mocinha e dos que convivem com ela, contribuindo, também, para que o turismo de Alcântara continue à deriva. Mesmo com tanta dificuldade a Ilha de Nossa Senhora do Livramento representa um atrativo turístico de primeira linha. É possível transportar cerveja, água mineral e refrigerante em caixas de isopor. O Punk carrega tudo em um carro de mão, desde o ponto em que a canoa atraca até o restaurante / pousada de dona Mocinha, de tal forma que, com um pouco de jeito, a presença do visitante no local pode ser bastante prazerosa.

À noite, com a presença do luar ou em companhia das estrelas, vale um passeio pela praia deserta, na maré seca, ou simplesmente ficar tomando um gostoso café ou um chocolate quente, ao pé de uma fogueira que é sempre acesa em frente ao barracão, escutando as estórias de dona Mocinha ou de Punk, estórias místicas ou de encantaria, que nos preparam para o sono e nos aliviam corpo e espírito neste mundo tão precisado de alma.

URGÊNCIA: PREFEITURA DE SÃO LUÍS CONTRATA MÉDICOS

A Prefeitura de São Luís, através da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), informa que está contratando, em caráter de urgência, profissionais médicos para trabalharem em regime de plantão nas unidades de pronto atendimento da rede municipal de saúde.

Os profissionais interessados devem procurar a Superintendência de Assistência à Rede da Secretaria Municipal de Saúde, na Rua Raimundo Vieira da Silva, s/n - Parque do Bom Menino, Centro, de segunda a sexta, em horário de expediente.

Mais informações pelo telefone 988027787.

REDE SUSTENTABILIDADE JÁ RACHOU: SURGE O RAIZ MOVIMENTO CIDADANISTA

Afagos políticos entre Aécio Neves e Marina Silva implodiram a Rede Sustentabilidade
A "nova política" pregada por Marina Silva fez água antes mesmo da oficialização da Rede Sustentabilidade.

O pretenso partido rachou durante a campanha eleitoral de 2014, quando Marina declarou apoio ao tucano Aécio Neves no segundo turno.

As feridas da campanha ficaram abertas e provocam novos sangramentos. Rachada em vários grupos, a plataforma política da Rede Sustentabilidade já teve defecções oficiais.

Sob a liderança da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), foi lançado nesta sexta-feira 27 um novo coletivo político, o Raiz Movimento Cidadanista, formado por dissidentes da Rede Sustentabilidade.

CIDADANISMO

O nome é complexo e tem pouco apelo publicitário, mas o Raiz Movimento Cidadanista pretende ser um partido-movimento horizontal, inspirado no espanhol "Podemos" e no grego "Syriza".

A ideia básica do cidadanismo é universalizar o conceito de cidadania, na sua "efetividade plena".

Na Carta Cidadanista, o movimento condena a concentração de renda e o modelo representativo no Brasil. "Nossa democracia é sequestrada pela força do dinheiro e corrompida pelo poder", diz o documento, ao final da página 4.

A crítica estende-se à polaridade entre PT e PSDB, exacerbada na disputa entre Dilma Roussef e Aécio Neves. No entendimento dos cidadanistas, "as eleições de 2014 foram um jogo de ilusões. Ideias vazias, promessas vãs, mentiras, negociatas entre as castas econômicas e políticas."

FUNDAMENTOS

Com 35 páginas, a Carta Cidadanista explica as origens do partido-movimento, baseadas no tripé “Ubuntu”, “Teko Porã” e “Ecossocialismo”.

A filosofia Ubuntu é inspirada na cultura milenar da paz e no movimento software livre. Dessa síntese, ressignificada na política, Ubuntu significa a prática da solidariedade, do compartilhamento, fraternidade e respeito ao meio ambiente. Os prêmios Nobel da Paz Nelson Mandela (1993) e Desmond Tutu (1984) são ícones do cidadanismo à brasileira.

PARA ENTENDER...

Abaixo, o blogue selecionou outros trechos da CartaCidadanista que explicam a fundamentação teórica do futuro partido:

"Elegemos a filosofia UBUNTU como uma de nossas raízes, por decisão política e compromisso com a construção de um pensamento que rompe com a lógica ocidental, de sujeito autocentrado e individualismo exacerbado".

“UBUNTU também é referência para a comunidade do software livre, baseada no trabalho cooperativo. E nos ajuda a sonhar com uma democracia direta, participativa e colaborativa, em que as tecnologias da informação e da comunicação são colocadas a serviço da emancipação humana, de forma livre e aberta.”

“A ética UBUNTU representa o rompimento com o individualismo. UBUNTU é pertencimento à unidade, interdependência e colaboração. Diálogo, consenso, inclusão, compreensão, compaixão, cuidado, partilha, solidariedade. “Eu sou porque você é” - “nós somos porque você é e eu sou”. Importa a dignidade de todos." 

"Assumir UBUNTU é colocar emancipação e cidadania em novos patamares. E sua filosofia vem lá da África. “A minha humanidade está presa e está indissoluvelmente ligada à sua. Eu sou humano porque eu pertenço. Ele fala sobre a totalidade, sobre a compaixão. Uma pessoa com UBUNTU é acolhedora, hospitaleira, generosa, disposta a compartilhar.”

“BEM VIVER, conceito político, econômico e social que tem por referência a visão dos povos originários da América: Sumak Kawsai em quéchua; Suma Qamaña em aymara; Tekó Porã, em guarani. É uma filosofia que também está na nossa alma original e significa viver em aprendizado e convivência com a natureza.”

“Esta sabedoria, reconhecida nos povos do Xingu e presente 13 em todas as culturas ameríndias, nos leva a compreender que a relação entre todos os seres do planeta tem que ser encarada como uma relação social, entre sujeitos, em que cultura e natureza se fundem em humanidade."

"O TEKO PORÃ se afirma no equilíbrio com o Planeta e no conhecimento ancestral dos povos originários. Conhecimento nascido da profunda conexão e interdependência com a natureza. A vida em pequena escala, sustentável e equilibrada, é necessária para garantir uma vida digna para todos e a sobrevivência do planeta. Também guarda correspondência ao histórico desejo de emancipação e unidade dos povos latino americanos, expressas na utopia da Pátria Grande (Abya-Yala).”

“Somente podemos entender TEKO PORÃ em oposição ao “viver melhor” ocidental, que explora o máximo dos recursos disponíveis até exaurir as fontes básicas da vida.”

“Queremos medir o bem estar de nosso povo muito mais pela FELICIDADE INTERNA BRUTA que pelo Produto Interno Bruto, afinal, conforme o Manifesto Antropofágico do Modernismo brasileiro: “a alegria é a prova dos nove!”. 

“ECOSSOCIALISMO, uma reflexão crítica que resulta da convergência entre reflexão ecológica, reflexão socialista e reflexão marxista. O capitalismo é insustentável, sua lógica de reprodução e lucro não prevê limites, extraindo tudo e todos à sua frente, incluindo sonhos. A seguir o atual modelo de consumo, o Planeta estará definitivamente exaurido em poucas gerações. Não temos o direito de seguir roubando o futuro dos que estão por vir. Para reverter este processo, o único caminho é a Revolução Ecológica...”

“A proposta de uma Revolução Ecológica baseada no ECOSSOCIALISMO representa, ao mesmo tempo, o resgate dos ideários emancipatórios construídos pelos movimentos sociais contestatórios e a rejeição às ilusões dos que pretendem apenas reformar o sistema vigente. Ela incorpora os valores de convivência solidária do TEKO PORÃ e UBUNTU, com valores éticos profundos do COMUM, visando a construção de uma cidadania ativa e solidária.”

“Um partido de novo tipo, um PARTIDO-MOVIMENTO. Um partido que construa pontes para o diálogo entre os cidadãos e não atalhos para as castas dirigentes. Um partido que dialogue com os movimentos sociais, mas sem cooptá-los. Um movimento social e um partido político, ao mesmo tempo. E, também, um PARTIDO em MOVIMENTO. Um partido que se construa nas ruas e também nas redes que integram os “debaixo”, os legítimos donos do poder...”

“Nossa esperança: Reencantar o mundo desencantado. Tornar novamente a política algo apaixonante. Por isso buscamos força em nossas raízes mais profundas, resgatando nossa ancestralidade africana, ameríndia e europeia para constituir um novo ethos político, mestiço como somos, que nasce do amálgama entre UBUNTU, TEKO PORÃ e ECOSSOCIALISMO, reconstruindo o sentido do BEM COMUM e apontando para a conquista da CIDADANIA PLENA.”

sexta-feira, 27 de março de 2015

GOVERNADOR FLÁVIO DINO ANUNCIA INVESTIMENTO DE R$ 30 MILHÕES NA UEMA

Durante a solenidade de colação de grau de 500 estudantes da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), na noite de quinta-feira (26), no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, o governador Flávio Dino assinou o ato de nomeação de 53 novos professores aptos a ingressar no corpo docente da instituição em diversos campi no estado. Além da nomeação dos professores, Flávio Dino anunciou investimento de R$ 30 milhões para recuperar a infraestrutura de vários campi da Uema.

“Estou para aqui não só para nomear estes professores que passaram por um rigoroso processo seletivo e que encorparão o quadro intelectual da universidade, mas também para afirmar que o governo está alocando recursos no valor de R$ 30 milhões para reformar o que for preciso na Uema de São Luís e em todas as unidades municipais”, declarou o governador. 

Flávio Dino também informou que as gratificações do corpo diretivo da Uema passarão por reajustes. “Aqueles que lideram o processo acadêmico precisam de remunerações justas e de acordo com o novo cenário econômico. Quero divulgar em primeira mão nesta solenidade de colação de grau, a liberação de R$ 1 milhão para reajustar as gratificações de diretores, secretários e coordenadores de graduação”, anunciou.

O reitor da Uema, Gustavo Pereira da Costa, ressaltou o compromisso da gestão estadual em qualificar a educação superior com medidas que impactam diretamente o corpo docente e discente da instituição.

 “O governador está de olhos atentos para as melhorias no ensino. A maior comprovação disto são os investimentos que ele está liberando para a instituição, a nomeação de professores e os reajustes nas gratificações. Pela primeira vez um governador faz todos estes anúncios em uma cerimônia de colação de grau, estimulando os egressos, os alunos presentes e os professores a não perderem as esperanças no ensino público”, afirmou o reitor.


Agência Secom / Foto: Nael Reis

MÚSICA E PROTESTOS: OS EMBALOS SONOROS DAS RUAS DO BRASIL

Luta pela democracia teve a MPB e a música latino-americana como inspiração
O processo de construção da democracia no Brasil, ainda em curso, é marcado por movimentos musicais que acompanharam as transformações políticas.

Em cada grande momento histórico, um “hino” embalou as mobilizações, traduzindo em canto as pulsações do povo nas ruas.

Nos anos 60, influenciados pela contra-cultura, os movimentos de resistência à ditadura militar transformaram o clássico de Geraldo Vandré, “Pra não dizer que não falei das flores”, em símbolo sonoro da democracia.

As passeatas, greves e manifestações eram embaladas pelo refrão “Caminhando e cantando e seguindo a canção...”.

FESTIVAIS

A influência da música latino-americana, através de Mercedes Sosa, Pablo Milanés, expressava no Brasil o sonho de liberdade continental.

Os festivais brasileiros que revelaram Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso fizeram a cabeça da juventude rebelde que prosseguiu na luta pela consolidação da democracia.

As letras da safra MPB, com críticas e ironias à ditadura, eram o alimento sonoro da militância para as marchas, comícios, passeatas e na luta armada.

Na campanha das "Diretas Já!", a música "Coração de estudante", interpretada por Milton Nascimento, marcou as mobilizações de rua, bem como o hino nacional cantado por Fafá de Belém.

Nos anos 1980, o rock nacional transformou em palavra de ordem o bordão “Que país é esse!?”, ressignificado na letra arrojada de Renato Russo, ícone da banda Legião Urbana.

Durante o impeachment do presidente Collor, em 1992, os “caras pintadas” foram às ruas entoando os versos da música “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso.

À época, a minissérie Anos Rebeldes, da Rede Globo, incitava o patriotismo da juventude.

No Maranhão, a música “Oração latina”, de Cesar Teixeira, incorporou-se às lutas e sonhos dos movimentos de esquerda que lutavam contra a oligarquia Sarney.

UFANISMO

Durante a ditadura militar, enquanto homens e mulheres eram torturados e mortos nos porões dos quartéis, os generais tentaram impor o hino nacional como mantra político no Brasil.

As músicas de inspiração nacionalista foram especialmente marcantes da Copa do Mundo de 1970, como “90 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção”, “Esse é um país que vai pra frente”, “Eu te amo, meu Brasil”, associadas aos bordões publicitários do tipo “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Os sons da ditadura disputavam os ouvidos, corações e mentes da população com as músicas recheadas de contestação ao regime militar, embalando os sonhos de liberdade e democracia na resistência aos generais.

2015: A VOLTA DO HINO

Na atualidade, os protestos contra a corrução no Brasil retomaram o hino nacional como mantra do conservadorismo e retrocesso.

O Brasil perdeu a criatividade e o refinado gosto musical que alimentou os protestos em outras épocas.

As multidões nas ruas, vestidas de verde e amarelo, cantam o samba de uma nota só – o hino nacional.

Se na campanha das "Diretas Já!" o hino nacional era um símbolo sonoro da democracia, agora serve para inspirar tresloucados pedidos de volta à ditadura.

Os protestos de 2015 revelam duas tragédias: pobreza política e miséria musical.

Coisa boa não é.

quinta-feira, 26 de março de 2015

CANTOR E COMPOSITOR DEMÉTRIO BOGÉA ESTREIA TURNÊ NACIONAL EM SÃO LUÍS

Músico maranhense vai dividir o palco do Teatro Alcione Nazaré com Nosly, Sérgio Habibe e Gerude


Voltar à terra natal e poder mostrar ao público o que produziu ao longo de uma trajetória de mais de 35 anos dedicada à música é o que está movendo Demétrio Bogéa. Maranhense de São Luís, mas com carreira de músico firmada em Brasília, o cantor e compositor retorna a capital maranhense por meio da estreia da turnê nacional “Doce Pecado”, agendada para o Teatro Alcione Nazaré nos próximos dias 27 e 28 às 20h, e 29 às 19h, com entrada gratuita (retirada do ingresso com uma hora de antecedência).

O público pode esperar um pouco de tudo nas composições de Demétrio Bogéa, visto que sua base é a MPB, mas com uma mistura de pop, rock, blues, jazz, bossa nova e claro, o bumba-meu-boi e o tambor de crioula. “Sou fascinado pelo ritmo das minhas raízes”, resume.

Graduado em Música pela Universidade de Brasília (UnB), com mestrado em Composição pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Demétrio Bogéa participou dos mais importantes grupos da área coral em Brasília, entre eles, o Madrigal de Brasília, o Coral da UnB e o Coral Brasília. Cantor, compositor e arranjador, lecionou instrumentação, orquestração, arranjo, análise musical e música contemporânea por mais de 30 anos na Escola de Música de Brasília.

Atualmente aposentado, pode finalmente se dedicar a um projeto próprio, a divulgação do seu primeiro disco autoral “Doce Pecado”, cujo lançamento oficial ocorreu em 2011 pelo selo Beco da Coruja Produções.

“Agora estou me dedicando por completo à divulgação do meu disco. E para mim, é uma satisfação muito grande poder apresentar minhas músicas para meus conterrâneos”, comentou o músico, que ainda apresenta a turnê no Rio de Janeiro (RJ) e em Recife (PE), acompanhado  da banda formada por Deniel Moraes (bateria), Leonardo Paes (baixo), Dennes Sousa (guitarras), Gregory (teclado) e Hugo Coelho (violão e vocais).

Repertório diversificado e reencontro

Além de apresentar as canções de seu disco, Bogéa também vai dividir com o público seu gosto pessoal, interpretando música de cantores que lhe inspiram, como Gilberto Gil, Lenine e Djavan. Amigos seus de longa data também dividirão o palco, como Sérgio Habibe, Gerude e Nosly. “Para mim será um privilégio dividir o palco com estes grandes amigos e também grande músicos”, comentou. Aliás, esta não será a primeira vez que Bogéa terá como convidados Sérgio Habibe e Gerude. Ao se apresentar pela primeira vez em São Luís, no ano de 1983, no Teatro Arthur Azevedo, Demétrio reuniu os dois artistas. “Vai ser um feliz reencontro”, finalizou.

Serviço:

O que: Estreia da turnê Doce Pecado, de Demétrio Bogéa

Quando: dias 27 e 28, às 20h e 29 às 19h

Onde: Teatro Alcione Nazaré

Acesso: gratuito