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terça-feira, 28 de julho de 2015

JOSÉ SARNEY E FLÁVIO DINO IGNORAM O PACTO DE JOSÉ REINALDO

Temendo a volta de Sarney ao poder, José Reinaldo propôs o pacto preventivo
Embora tenha sido amplamente debatido entre os atores políticos e jornalistas, o pacto pelo Maranhão, proposto em artigo pelo deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB), não chamou a atenção dos principais interessados.

Nem José Sarney (PMDB) nem o governador Flávio Dino (PCdoB) fizeram qualquer comentário sobre a proposta.

Em novo artigo publicado hoje no Jornal Pequeno, longo e cheio de curvas, Tavares tenta explicar o pacto.

A senha do acordo só está dita no 13º parágrafo do texto, onde ele manifesta suas reais intenções: fazer uma aliança com Sarney agora, temendo que o PMDB ocupe a cadeira presidencial e o coronel volte a ter força política no cenário nacional.

Eis o pensamento vivo de José Reinaldo:

“O horizonte que se prenuncia é um horizonte de mudança profunda no país e é muito provável que outros grupos assumam a presidência e o poder. Se Lula cair – e tudo leva a crer que isso pode acontecer – Dilma cairá junto. Nesse cenário, é muito provável que Michel Temer, o atual vice-presidente, assuma a Presidência da República sob grande crise política."

O resto do artigo diz pouca coisa.

Ao propor o pacto, José Reinaldo está mesmo é preocupado com a vingança de José Sarney.

Abaixo, o artigo publicado hoje.

PACTO E DEBATE PÚBLICO

Por José Reinaldo Tavares

Há muito tempo não se via no Maranhão uma ideia despertar tanta atenção da sociedade e isso se deu em todo o estado. Porém, muitos dos autoproclamados “formadores de opinião” simplesmente procuraram evitar o debate, preferindo a tática da desqualificação, ora do autor da ideia, ora da própria ideia. Passaram até a me agredir e tentar me desqualificar pessoalmente.

No entanto, o mais curioso é que nenhum desses me convenceu de que estou errado. Sabem por quê? Porque ninguém debateu a ideia, todos se limitaram a bater em Sarney, entendendo que aquilo teria causas ocultas e que eu estaria na verdade reabilitando o ex-senador, que, a partir daí, passaria a dividir o governo com Flavio Dino. Meu Deus, que paranoia, pobreza de pensamento e medo do debate verdadeiro!

De fato, essa é uma questão preocupante, pois estamos nos acostumando apenas ao linchamento moral das pessoas de quem não gostamos. Não é à toa que estão ocorrendo tantos casos de linchamento reais de pseudocriminosos. Parece-me mais um perigoso fundamentalismo.

Por que não perguntar à população o que pensam? Bastam duas perguntas: “você ouviu falar da proposta do pacto?” “Você acha que os políticos do Maranhão – de todos os grupos políticos – deveriam se unir para defender projetos importantes para o desenvolvimento do Maranhão? ”

É provável que tenham uma surpresa… Estive na Rádio São Luís, no programa do Rogério, por cerca de uma hora e meia com microfone aberto a perguntas e a grande maioria dos comentários foram na verdade de apoio à proposta. Deveríamos fazer uma pesquisa.

Será que estou pondo Flávio Dino em risco? Flávio terá sempre o meu apoio, ele está fazendo um ótimo governo e sairá facilmente vitorioso sobre qualquer um se for para a reeleição. Não acredito que ainda teremos um membro da família Sarney concorrendo ao governo.

Agora me respondam: quem (para valer!) enfrentou Sarney mais do que eu? Enfrentei-o quando ele estava no auge do poder. Quem apanhou mais do que eu, que até preso fui? Quem se sacrificou pela vitória de Jackson Lago a ponto de deixar o sonho de ir para o Senado a fim de me manter no governo até o último dia? Esqueceram-se disso? Jackson venceria o pleito sem mim?

Tenho certeza de que não e me refiro ao seguinte: Jackson queria ser candidato único do governo. Ele contra Roseana. Eu de pronto recusei, porque seria derrota certa. Ele ficou furioso, deixou de falar comigo por mais de um mês, fez sua esposa pedir exoneração do cargo de Secretária da Solidariedade e por aí foi. Alguns amigos que tentaram convencê-lo de que eu estava certo chegaram a ouvir dele: “vocês não estão entendendo, Zé Reinaldo é um agente do Sarney infiltrado na oposição para acabar conosco”.

Realmente não me importei. Jackson era um homem de bem, mas que estava muito estressado na ocasião. Tanto que antes ainda do primeiro turno ele me procurou para dizer que eu estava certo e pedir desculpas pelo que disse. Gesto de um grande homem. Ney Bello assistiu a essa conversa.

Poucas pessoas se expuseram tanto à ira de Sarney, como eu e Lourival Bogéa. Sofremos muito – e na pele – por isso. E ele (que, mais do que ninguém, poderia ter uma outra atitude) fez um editorial excelente, chamando a atenção dos críticos para o cerne da questão e defendendo a discussão da ideia.

Não falei com o governador sobre o pacto. Não queria envolvê-lo em nada prematuramente. A responsabilidade é só minha. No entanto, logo que assumiu o mandato, ele fez um discurso a uma plateia de prefeitos em que foi muito elogiado ao dizer que trataria todos do mesmo jeito, não importando se votaram nele ou não, se eram ou não do grupo Sarney, que o compromisso dele era com o Maranhão e ali todos representavam o povo maranhense.

Pois bem, o ataque desqualificador que mais se repete por aí é o de que Sarney mandou durante cinquenta anos e nada fez pelo Maranhão. Por que faria agora? À primeira vista parece correta a pergunta, mas não é, pois não é essa a questão. Não vou, meus caros, aderir à pauta do Sarney! É o contrário, o chamado é para que ele adira à nossa, a do governador, a do Maranhão. Há mais de dez anos não falo e nem vejo Sarney. Não sei o que pensa e nem se está disposto.

Ademais, eu tenho direito e a obrigação de externar o que penso e o que sinto, mormente a partir de minhas impressões e presença constante, diária, na Câmara Federal, que é uma casa, sobretudo, política. O horizonte que se prenuncia é um horizonte de mudança profunda no país e é muito provável que outros grupos assumam a presidência e o poder. Se Lula cair – e tudo leva a crer que isso pode acontecer – Dilma cairá junto. Nesse cenário, é muito provável que Michel Temer, o atual vice-presidente, assuma a Presidência da República sob grande crise política.

Flávio continuará a fazer um ótimo governo, mas o nosso atraso é tão grande que precisaremos muito eleger alguns projetos estruturantes, projetos de interesse de estado, acima de governos, o que só faremos com a ajuda de todos, para termos, consequentemente, o apoio de todos. Temos que discutir que projetos serão esses e isso terá que vir por meio de um amplo entendimento.

A Folha de São Paulo de domingo escreveu em editorial que “a crise política começa a impor a necessidade de alguma forma de consenso que coloque os interesses nacionais em primeiro lugar”. E então? Será que atitudes como essa só serão boas para o Brasil, mas não se aplicam ao Maranhão?

Por fim, exporei aqui, mais uma vez, qual seriam os meus projetos para o Pacto:

Primeiro seria implantar o Instituto Tecnológico do Nordeste em Alcântara, ou seja trazer a melhor escola de engenharia do Brasil para cá. Ela permitiu a vitoriosa indústria aeronáutica brasileira e a difusão tecnologia de ponta no sudeste.

O segundo seria o “Super” Porto do Itaqui, para ser o parceiro concentrador de carga do Brasil para o Canal do Panamá. Isso exigirá muito investimento e se não o conseguirmos, vamos perder o lugar para o Porto de Pecém, no Ceará.

O terceiro escolhido por mim seria o transporte de massa de São Luís e da região metropolitana, a ser feito com VLT e trens, com terminais modernos e tudo integrado para dar rapidez e conforto ao passageiro. Hoje temos um dos piores sistemas do país.

Em quarto seria a implantação de um moderno sistema de logística em todo o estado, capaz de racionalizar o transporte de cargas e passageiros em todo o nosso território.

E em quinto seria um centro de alto nível para a formação de professores para o ensino fundamental e básico, única forma capaz de dar qualidade ao ensino público no nosso estado.

É evidente que em um Pacto as prioridades poderiam ser outras. Mas que fossem todas muito importantes e discutidas à exaustão.

Alguém poderia ser contra? Impossível. Há algum cargo público envolvido? Não.

Esse é o pacto que propus. Vamos deixar de picuinhas sem sentido.

LEI DE ZONEAMENTO: HOJE TEM AUDIÊNCIA PÚBLICA, 18H, NA FACULDADE PITÁGORAS

O Plano Diretor e a revisão da legislação urbanística de São Luís continuam em discussão em audiência pública nesta terça-feira (28) no auditório da Faculdade Pitágoras, na Avenida São Luís Rei de França, Turu, às 18h.

As audiências públicas são espaços de debate e apresentação de sugestões à proposta elaborada pela Prefeitura de São Luís, através do Instituto da Cidade (Incid).

Na próxima quinta-feira (30), o ciclo de audiências será promovido no Serviço Social do Comércio (Sesc) Olho d'Água, a partir das 18h. 

no sábado, a região da Areinha sediará nova audiência, que ocorrerá na U.E.B. Ensino Fundamental Maria Rocha, na Avenida dos Africanos, a partir das 9h.

A Lei de Zoneamento, Uso e Parcelamento do Solo Urbano é um dos principais instrumentos regulatórios do Plano Diretor.

Através desse dispositivo, a cidade pode sofrer alterações na altura dos prédios, na mobilidade urbana, na destinação dos resíduos sólidos e no despejo dos esgotos.

BENEFICIÁRIOS

Quase tudo relacionado ao cotidiano da cidade tem registro na Lei de Zoneamento, principalmente a ocupação dos espaços que podem ser destinados a áreas verdes para a construção de parques ambientais, calçadas, ciclovias, corredores de transporte público etc.

O processo de revisão vem tendo forte influência dos setores ligados à especulação imobiliária e à Federação das Indústrias (Fiema), atrelados à elite política do Maranhão e interessados em ocupar o território da cidade para construir empreendimentos lucrativos sem os devidos cuidados com o meio ambiente e a mobilidade urbana.

O diretor do Incid garantiu que as propostas apresentadas durante as audiências públicas serão inseridas no documento apreciado pelo Conselho da Cidade. Após a apresentação e aprovação do Conselho, será elaborado um documento final a ser encaminhado pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior à Câmara Municipal.

Com informações da Secom/Prefeitura de São Luís

APRUMA TERÁ ASSEMBLEIA NESTA QUARTA-FEIRA

segunda-feira, 27 de julho de 2015

SABERES E SENTIRES DE CAXIAS

FLÁVIO DINO, EDIVALDO HOLANDA JUNIOR E A LEI DE ZONEAMENTO

Holanda Jr e Flávio Dino: parceria não chegou à revisão da Lei de Zoneamento
As caixas de email dos jornalistas estão cheias de releases do programa Mais Asfalto, criado pelo governo e aplicado em todo o Maranhão. Em São Luís, a pavimentação e as operações tapa-buracos visam reeleger o prefeito Edivaldo Holanda Junior (PTC).

A parceria entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e o prefeito vai atenuar a buraqueira na cidade, mas o diálogo entre as duas administrações precisa avançar muito.

Chamo atenção especial à revisão da Lei de Zoneamento, com apenas 15 audiências em curso, sem qualquer participação popular nem das instâncias do governo que obrigatoriamente deveriam acompanhar as mudanças no Plano Diretor de São Luís.

A revisão da Lei de Zoneamento é feita para atender aos interesses dos especuladores imobiliários (Sinduscon) e da Federação das Indústrias (Fiema), ambos interessados em ocupar os espaços da cidade com os seus empreendimentos altamente lucrativos.

O Sinduscom, por exemplo, faz lobby nas audiências públicas para aumentar o número de andares (gabarito) dos prédios de apartamento e comerciais.

Isso ocorre sem qualquer diálogo entre a Prefeitura a Companhia de Saneamento Ambiental (Caema).

A cidade será inflada com novos prédios, mas não existe projeto de mobilidade ou de saneamento. Também não há plano de drenagem.

Os novos condomínios vão despejar os esgotos onde? Qual o diálogo entre os empreiteiros e a Caema?

Isso sequer foi citado nas audiências públicas da revisão da Lei de Zoneamento.

A tão festejada parceria entre o governador e o prefeito para asfaltar a cidade não se estende às outras dimensões do uso e ocupação do solo urbano.

Por enquanto, só tem Mais Asfalto!

domingo, 26 de julho de 2015

PERDEMOS O EDUCADOR VITO GIANOTTI

Este domingo foi de despedida para os amigos e familiares do jornalista e educador Vito Gianotti, um italiano que escolheu o Brasil para viver e trabalhar.

Giannotti era, acima de tudo, um militante. Chegou no Brasil ainda jovem, trabalhou como metalúrgico, foi sindicalista e enfrentou a ditadura militar.

Gianotti e sua esposa, a jornalista Claudia Santiago, fundaram o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), entidade especializada em comunicação popular e sindical.

Era também proprietário da livraria Antonio Gramsci e escreveu vários livros sobre mídia, política e linguagem jornalística.

Vito e Claudia idealizaram e ministraram, durante muitos anos, os cursos de formação para centenas de jornalistas dos movimentos sociais em todo o Brasil.

Eles vieram ao Maranhão várias vezes, convidados pelos sindicatos, para realizar cursos de capacitação sobre comunicação.

Vito preocupava-se com a linguagem hermética dos sindicalistas. Sempre dizia que era preciso falar e escrever de forma objetiva e clara, sem os vícios do "sindicalês" e do "juridiquês".

Eu aprendi muito com Vito e Claudia. Devo a eles parte da minha formação de jornalista e militante.

Diferente da maioria dos militantes de esquerda, que estão sempre carrancudos, Vito era alegre.

Talvez por isso tenha morrido de causas naturais.

O CAMPUS DO BACANGA E OS “CEMITÉRIOS” DE OBRAS INACABADAS

Marizélia Ribeiro, professora do Departamento de Medicina III

Welbson Madeira, professor do Departamento de Economia

Após sair vitoriosa nas eleições para Reitor e Vice-Reitor, a Administração Superior da UFMA parece desejar impressionar a comunidade acadêmica ao mostrar, em diversos boletins informativos, suas “grandes obras”.

Será que realmente só pretende se vangloriar de feitos ou é para se precaver de alguma avaliação negativa por parte de órgãos públicos fiscalizadores?

Um fato impossível de escamotear é que todos os relatórios pós-REUNI, inclusive o último divulgado pela CGU, fazem diversas observações e recomendações à UFMA no sentido de prevenir irregularidades. Mas nem sempre têm recebido a devida atenção.

Qual a necessidade de “justificar” obras da época da SBPC 2012, a exemplo da malha viária com seus 8.415 metros e 350 postes (custo inicial de mais de 10 milhões  (veja nesse link) e do estacionamento “buraco” ao lado do Núcleo de Esportes (custo inicial de mais de 3 milhões)?             

O contrato registra um gasto de mais de R$ 3 milhões para a construção do estacionamento,
ao lado do Núcleo de Esportes, com pouca utilidade para a UFMA

Quem anda pelo Campus do Bacanga, consegue perceber vários “cemitérios” (lugar onde se enterram ou acumulam resíduos) de prédios não concluídos após quase 6 anos de contratação das construtoras. Dois deles mostram bem a dinheirama do REUNI “enterrada” e que ainda esperam por milhões para suas conclusões: passando o pórtico de valor inicial de mais de R$ 640 mil, o visitante se depara com os prédios da Biblioteca Central (contratação em 2010, valor inicial de 10.8 milhões e prazo para 720 dias) e da Biologia (contratação em 2010, valor inicial quase 4 milhões e prazo de 540 dias e continuando gastos de milhões).
Fotos em 2015 do prédio de Biologia, de mais de R$ 5 milhões
Será que no atual período de crise econômica em nosso país, que afeta diretamente as universidades públicas, essas e outras obras serão finalmente concluídas? Quando deixaremos de ver as deprimentes imagens de obras “cemitérios”?

Com a palavra a Administração Superior da UFMA.