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domingo, 12 de agosto de 2012

MULHERES DJs CONQUISTAM ESPAÇO NAS RADIOLAS DE REGGAE

As tardes de domingo, ao por do sol na Península da Ponta d’Areia, estão sob o comando de duas mulheres regueiras. Aos 23 anos, Leilimar Tavares, a Donna Roots, pilota o notebook de onde saem as “pedras” – reggae de boa qualidade – para animar o público nas areias do bar Trapiche.

Ex-integrante da banda Kimera, feita só por mulheres, Donna Roots entende o acesso feminino aos microfones das radiolas como uma conquista. “O reggae feito por mulher é mais sensual, bem mais gostoso e quanto mais meninas vierem para somar, melhor, vai pra frente”, garante.
Donna e Glicia no comando das pedras. Foto: Joedson Marcos Silva
O trabalho na discotecagem é recente (março de 2012), mas Roots conta que foi bem recebida pelos veteranos. “Eles se dispuseram a ensinar e eu a aprender. Não houve repúdio”, destaca. Tocando com o por do sol ao fundo, Donna Roots inspirou-se para definir o reggae: “É libertação, paz de espírito, sensação de que o mundo está nas suas costas e quando toca o reggae eu me sinto vazia do que não merece e cheia de vibrações positivas.”

DESBRAVADORA

O ingresso das mulheres DJs na cena regueira do Maranhão tem uma personagem marcante - Glicia Helena Silva Landir -  a Nega Glicia. Sempre rodeada de amigos, admiradores e seguidores do reggae, destaca-se pelo visual rastafári e a voz enrouquecida e grave, sua marca sonora no comando das radiolas.

Ela começou a freqüentar os salões de reggae aos 16 anos, no Espaço Aberto, tradicional clube da capital, onde tocava idéias e aprendia com os DJs, donos de radiolas, proprietários de bares, montadores de caixas de som e outros operadores da maquinaria regueira.
Nega Glícia solta as pedras ao por do sol no Trapiche. Foto:  Joedson Marcos Silva
Assídua no Bar do Nelson, Nega Glicia ampliou a curiosidade sobre os equipamentos de som, as famosas radiolas de reggae, com o apoio fundamental do já consagrado DJ Andrezinho Vibration. A curiosidade de Glicia e a boa vontade de Andrezinho oportunizaram a estréia dela como locutora. “Me ajudou muito também a facilidade de lidar com o público, a comunicação”, acentua.

Ela conta ainda com o suporte das redes sociais para divulgar a agenda de shows e colhe sugestões dos regueiros sobre as preferências musicais. O trabaho de divulgação é feito pelo assessor Junior Carvalho.

2009 foi um ano decisivo na carreira profissional, quando Andrezinho Vibration deixou o reggae e Glicia seguiu sozinha, desbravando um segmento profissional de 40 anos sob domínio dos homens na locução das radiolas.

Ela passou a tocar no bar Deusimar (Litorânea), no projeto Terça Jah; na Casa Sem Teto e no Catarina Mina (ambos na Praia Grande), Creole (Ponta d’Areia), Raízes da Ilha, Trapiche, Chez Moi, Mama África e Daquele Jeito.

DESTAQUE FORA DO MARANHÃO

Nega Glicia é bastante solicitada para pilotar as radiolas nas festas da Baixada Maranhense. Fora do estado, fez apresentações em Salvador, Belém, Macapá, Fortaleza, Rio de Janeiro (Lapa e Niterói) e na Virada Cultural de 2011, em São Paulo.

Ela está à procura de apoio para realizar uma oficina de discotecagem destinada às mulheres interessadas em trabalhar como DJ. O reggae é encarado por Glicia como esperança, ferramenta de luta e sobrevivência. “Eu trabalho de quarta a domingo, pesquiso, vivo do reggae”, acentua.

As preferências musicais de Glicia e Donna, respectivamente, são Jacob Miller e Desiree, dois ícones do reggae. A experiência da primeira e o entusiasmo da segunda fazem o salão dançar ao som das pedras, intercaladas com os bordões “Toma na tua cara” e “Reggae feito por mulher”. A qualidade musical também é preservada. Elas só tocam reggae roots e dispensam o estilo eletrônico.

NOVOS VALORES DO REGGAE
Sandálias estilizadas: esboço da griffe de Nega Glícia. Foto: Joedson Marcos Silva
Os produtores de Nega Glicia começaram a inovar na geração de souvenir para dinamizar o estilo da DJ. Márcia e Pablo Victor Cruz cuidam da imagem da vocalista e já desenvolveram uma sandália estilizada. Segundo Pablo Cruz, a meta é criar bolsas, roupas e bijuterias baseadas no visual da DJ. Já estão disponíveis, além das sandálias, os CDs com as músicas mais tocadas nas festas animadas por Glicia.

O público tem boas impressões das mulheres DJs. Para o estudante Denis Frederico, o reggae é muito bom, não depende de sexo (gênero), mas as mulheres mandam muito bem.

“No reggae feito por mulher a sintonia é mais forte. Sempre vou onde as DJs estão”, avisa Daiane Oliveira, 20 anos, na primeira fila do salão de dança, acompanhando atentamente a performance de Donna Roots e Nega Glicia.

4 comentários:

Anônimo disse...

um forte abraço às nossas companheiras donna roots e mrs nega glicia,que deus as abençoe,estaremos sempre juntos e cada vez mais fortalecendo o roots reggae music,dj jorge black o peso do reggae, PRODUTOR/apresentador do progama reggae night da rádio cidade fm 99.1 ds 20 as 21 hrs ATUALMENTE AFASTADO POR ESTAR EM CAMPANHA PARA VEREADOR estudante do curso de publicidade e propagando do uniceuma renascença.

Marcos Vinícius disse...

parabéns para as nossas Dj's, assim como elas já existem um caminhão de pedras dirigidas muito bem pelas nossas "Dj's Woman". Parabéns ao sempre antenado professor Ed Wilson pelo texto valorizando essa tendência cada vez mais viva no cenário do reggae no Maranhão, as Dj's Woman do reggae.

Marcos Vinícius
(Radialista, Dj & Jornalista)

luciana santely disse...

Parabéns pela matéria Ed. Muito bom ver o resultado de muita luta da minha mãe, a Glicia, e ver o entusiasmo citado pela matéria, da Donna Bill.
Fortalecendo cada vez mais a cultura reggae, e resistência de quem tem o reggae como missão.

Cassio Oliveira disse...

Parabéns pela matéria, mas tem outros nomes que não foi lembrado nessa oportunidade: Josy Rasta, Josy D’Jah
Cicinha Roots, Rose Castro, Sandra Marley, Thays Habibe...