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domingo, 22 de fevereiro de 2015

MOVIMENTO UFMA DEMOCRÁTICA APRESENTA DIRETRIZES E CANDIDATURAS: LANÇAMENTO SERÁ DIA 12 DE MARÇO

Formado por professores, técnicos e alunos, o Movimento UFMA Democrática (MUDe) propõe uma nova gestão universitária, baseada no diálogo e visando à construção de uma plataforma de desenvolvimento para o Maranhão, através da articulação entre ensino, pesquisa e extensão.

Os nomes apresentados pelo MUDe são: Antônio Gonçalves, do Departamento de Medicina II, para reitor, e Marise Marçalina, do Departamento de Educação I, para vice-reitora.

Com críticas ao “estilo centralizador e autoritário da atual gestão, a falta de debate político e principalmente de transparência na gestão pública”, o MUDe apresenta nesta entrevista as suas principais diretrizes para democratizar a UFMA.

O lançamento oficial da campanha do MUDe será dia 12 de março, às 17h, na Área de Vivência do campus do Bacanga.

Veja a entrevista:

Blogue – Como surgiu e quem participa do MUDe?

Coordenação do MUDe – O Movimento UFMA Democrática surge no segundo semestre do ano passado, mas sua construção vem sendo alinhavada há três anos, quando alguns professores e professoras passaram a se reunir para discutir a situação da UFMA, especialmente como têm-se dado os processos decisórios nos diferentes Conselhos, a expansão sem o devido planejamento, ocorrida nos últimos anos, e qual UFMA queremos. O MUDe é um coletivo formado por docentes, técnicos e alunos, reunidos em um movimento de democratização da UFMA.

Blogue – Quais os objetivos do Movimento UFMA Democrática?

Coordenação do MUDe – Construir um projeto de Universidade que tenha como princípio a democratização das estruturas de poder no âmbito da UFMA, rumo a uma expansão qualitativa da Universidade que garanta o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

Blogue - Existe alinhamento ou predominância de partidos políticos e sindicatos no MUDe?

Coordenação do MUDe – Não, embora no grupo haja militantes de diversos partidos de esquerda. O que nos aglutina é o desejo de construção de uma universidade pública que prime pela democracia interna, lute contra todas as formas de privatização e de precarização do trabalho e busque formar profissionais engajados na superação dos diversos problemas sociais enfrentados pela população do Maranhão.

Blogue - Como o MUDe avalia a atual gestão da UFMA?

Coordenação do MUDe – Temos sérias críticas ao estilo centralizador e autoritário da atual gestão, a falta de debate político e principalmente de transparência na gestão pública. Essas características, aliadas à ausência de um projeto acadêmico, acabaram por encaminhar a Instituição a um distanciamento dos reais problemas do Estado e da região.

Blogue – O que seria necessário fazer para superar as críticas levantadas pelo MUDe sobre a gestão da UFMA?

Coordenação do MUDe – Investir fortemente no diálogo e debate permanentes com todos os segmentos (docentes, discentes e técnicos), por meio de fóruns com dinâmicas que permitam o acompanhamento dos planos e projetos que iremos executar, de modo que as decisões entrem em consonância com as pautas desses diversos segmentos. Pretendemos também aproximar a Instituição dos movimentos sociais e dos poderes públicos estadual e municipais, para debater a inserção da UFMA no desenvolvimento do Estado, a partir de convênios que possibilitem uma efetiva colaboração interinstitucional.

Blogue – A UFMA inaugurou muitas obras nos campi de São Luís e do continente e outras estão em andamento. O canteiro de obras reflete o crescimento da instituição?

Coordenação do MUDe – Em termos quantitativos, de certa forma reflete, sim. Porém, pode-se dizer que ainda temos um programa inacabado, pois a ausência de um projeto acadêmico levou a atual administração a ampliar prédios e a adquirir equipamentos de forma desordenada. O impacto disso se vê ora nos prédios ainda em construção, ora no aguardo de infraestrutura adequada para recepção de novos cursos e alunos, como a instalação de laboratórios, bibliotecas, restaurantes etc. O traço do “inconcluso” fica mais evidente nos novos campi do continente, que são diretamente afetados pelas condições improvisadas e precárias de funcionamento.

Com essa política, a UFMA por vezes tem deixado de atender às prioridades de algumas áreas e setores, para atender a pedidos de aliados. Isso contribui para a promoção de disputas e cisões, hierarquização entre áreas, corroendo as relações intrainstitucionais.

Nosso objetivo é reverter esse contexto, restabelecendo o diálogo, construindo participativamente um projeto de UFMA, estimulando a comunidade universitária a deliberar sobre os rumos da Instituição, por meio dos colegiados e entidades representativas.

Blogue – Qual a proposta do MUDe para articular ensino, pesquisa e extensão?

Coordenação do MUDe – Para o MUDE, ensino, pesquisa e extensão são indissociáveis. A pesquisa se constitui em processo de geração de novos conhecimentos e saberes que permitem questionar a realidade e refletir teoricamente caminhos para pensar problemas. A extensão, por sua vez, articula o ensino e a pesquisa e viabiliza a relação transformadora entre a Universidade e a sociedade, a partir de ações concretas e pontuais que possibilitem à comunidade viver mudanças, a curto e médio prazos. O MUDe considera que o ato de ensinar consubstanciado na pesquisa e na extensão universitária potencializa o aprendizado e contribui para ampliar a visão crítica dos alunos e professores e aproxima a Universidade da sociedade.

Assim, nós que constituímos o MUDe estamos convencidos de que é preciso promover um amplo debate sobre o fortalecimento da função social da UFMA com a comunidade acadêmica e segmentos sociais, que são ao mesmo tempo o público e os parceiros das ações de extensão.

Pretendemos, ainda, viabilizar a inserção da extensão universitária nos documentos, tais como: o Plano Estratégico de Desenvolvimento Institucional-PEDI; o Plano de Desenvolvimento Institucional-PDI; o Projeto Político-Pedagógico da Instituição-PPPI e os Projetos Pedagógicos de Curso-PPC, formalizando institucionalmente a extensão universitária numa concepção crítica, integrada ao ensino e à pesquisa, a partir de um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promova a interação transformadora entre Universidade e outros setores da sociedade, atendendo ao Plano Nacional de Extensão Universitária. Com isso, pretendemos garantir flexibilização curricular e possibilidades reais de financiamento de programas, projetos, cursos e eventos de extensão em 100% dos cursos de graduação de todos os campi, visando à participação efetiva de estudantes em atividades extensionistas.

Blogue – De que maneira pretende conectar o conhecimento científico da UFMA a uma plataforma de desenvolvimento para o Maranhão?

Coordenação do MUDe – Através de um amplo debate com o Estado e a sociedade civil. O MUDe avalia que urge viabilizar canais de diálogo com a sociedade e com o Estado para que a produção acadêmica possa ter maior ressonância. Consideramos que há um vasto acervo de conhecimentos produzidos nos vários cursos de graduação e nos Programas de Pós-Graduação que poderiam ser potencializados no debate sobre os problemas do Maranhão, mas de forma orgânica, integrada e com ampla participação dos segmentos sociais.

Blogue – Diante do crescimento do número de alunos, observa-se o aumento da demanda na assistência estudantil. Qual a proposta do movimento para essa área?

Coordenação do MUDe – Integrantes do MUDe têm uma proposta construída com os alunos que residem na moradia estudantil e que integraram no ano passado a luta pela ocupação dessa residência, em contraposição à atitude do reitor de se recusar a entregar o prédio para atender a essa finalidade. O MUDe considera importante ampliar o debate, envolvendo a sociedade, para que o problema seja definitivamente sanado. Proposta semelhante também está sendo pensada para os campi da UFMA em diversos municípios maranhenses.

A situação da assistência estudantil também explicita a total falta de planejamento da atual gestão, uma vez que executa as políticas oficiais sem qualquer debate ou adaptação à realidade da UFMA e do Maranhão como um todo, criando uma expansão sem qualidade social, já que, sem condições de sobrevivência e de estudo, muitos alunos não conseguem permanecer na Instituição. Então, quando falamos de assistência estudantil não falamos somente de restaurantes e moradias, que são fundamentais, sem dúvida, mas também de bibliotecas, laboratórios de informática, acesso à cultura, ou seja, elementos que contribuam para a formação integral do aluno.

Blogue – Como serão tratadas as comunidades circunvizinhas à UFMA em São Luís e nos campi do continente?

Coordenação do MUDe – Há tempos a UFMA se fechou ao debate com as comunidades circunvizinhas, principalmente após os conflitos criados com a comunidade do Sá Viana. É necessário reabrir o diálogo e trazer para o conjunto da Universidade as questões postas por essas comunidades para serem amplamente discutidas. E no decorrer da atual gestão não foi diferente, pois a relação da UFMA com os bairros do seu entorno se dá a partir de ações pontuais, desenvolvidas em projetos isolados, que, embora coordenados por professores comprometidos com essa população, não resultam de planejamento institucional colaborativo, que situe a comunidade como parceira em um processo de desenvolvimento da área Itaqui-Bacanga.

Citamos dois exemplos: um deles diz respeito à educação infantil nas escolas comunitárias, mas que em relação a elas a UFMA não desenvolve nenhum programa especial de formação de professores, tendo a maioria destes que estudar em instituições privadas, ou na UEMA, mesmo morando a poucos metros da UFMA; outro caso é o não compromisso da UFMA em auxiliar as comunidades a garantir a posse da terra, pois muitos moradores receberam lotes da UFMA e não conseguiram a legalização deles até os dias de hoje.

Blogue – Qual a proposta do MUDe para os colégios de aplicação, a exemplo do Colégio Universitário? 

Coordenação do MUDe – O método do MUDe para a construção das propostas será através de um fórum envolvendo todos os segmentos da Universidade. Assim também será no Colégio Universitário-COLUN, que superou uma traumática intervenção por parte da administração superior da UFMA, elegendo democraticamente novos gestores. Por isso, o MUDe se compromete a respeitar o COLUN como uma instância acadêmica que goze de autonomia e, como tal, que participe da construção desse projeto institucional coletivo, para que suas demandas possam ser discutidas a contento.

Blogue – No que diz respeito à autonomia universitária, que tipo de tratamento pretendem dar à institucionalização dos campi do continente?

Coordenação do MUDe – Dos atuais campi do continente, apenas Chapadinha e Imperatriz têm os Centros como Unidades Acadêmicas, e em nenhum deles há Departamentos Acadêmicos, mas contam apenas com Coordenadorias de Cursos. Essa estrutura organizacional fere o Regimento Geral da UFMA vigente. Pretendemos mudar essa situação, mediante ampla consulta aos segmentos docente, técnico-administrativo e estudantil. Logo de início, vamos propor a reconfiguração dos colegiados dessas unidades acadêmicas, para integrar o coletivo dos professores, técnico-administrativos e representação estudantil, ampliando assim o seu nível de participação.

Blogue – Quais nomes serão apresentados pelo MUDe para disputar e reitoria e a vice-reitoria da UFMA?

Coordenação do MUDe – Antônio Gonçalves, do Departamento de Medicina II, para reitor, e Marise Marçalina, do Departamento de Educação I, para vice-reitora.

Blogue - Democracia é a palavra-força do MUDe. Como concretizar essa formulação junto à comunidade universitária: docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes? O que seria uma gestão democrática?

Coordenação do MUDe – De duas maneiras: como dissemos anteriormente, investindo fortemente no diálogo e debate permanentes com todos os segmentos (docentes, discentes e técnicos). E, para tal, vamos restabelecer o respeito à autonomia das instâncias deliberativas da Instituição, assim como a representação de todos os segmentos da comunidade universitária, fazendo valer a legislação vigente; por outro lado, promovendo o acesso da comunidade universitária ao orçamento e aos mecanismos de distribuição dos recursos, tornando transparente e compartilhada a gestão financeira da UFMA.

Temos como princípio aliar a democratização das decisões acadêmicas à respectiva gestão dos recursos institucionais.

3 comentários:

Juliana Medeiros disse...

Excelente! É exatamente isso que a UFMA está precisando e com urgência.

mayara dias disse...

Vamos com tudo para mudar a UFMA, tornando-a de fato democrática e inclusiva.

mayara dias disse...

Vamos com tudo para mudar a UFMA, tornando-a de fato democrática e inclusiva.