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quarta-feira, 11 de maio de 2016

ECOS DE WALDIR MARANHÃO: EXPRESSÃO “MARANHADA”, EM TOM DEPRECIATIVO, GERA REPÚDIO AO TEXTO DE HELIO SCHWARTZMAN NA FOLHA DE SÃO PAULO

Atropelos do deputado Waldir Maranhão foram cunhados de "maranhada"
O professor pós-doutor Aldir Carvalho Filho enviou carta ao jornal Folha de São Paulo, repudiando o texto do articulista Helio Schwartzman, que utilizou o termo “maranhada” para se referir às atitudes do deputado federal Waldir Maranhão (PP) na condução do impeachment da presidente Dilma Roussef (PT). Segundo Aldir Filho, a expressão é pejorativa e deprecia os maranhenses.

Veja a íntegra da carta enviada à Ouvidoria da Folha

Em 10 de maio de 2016 20:45, Aldir Carvalho Filho <aldir_filho@yahoo.com.br> escreveu:

Sra. Ouvidora,

Sou assinante da Folha há vários anos. Jamais escrevi para a coluna Cartas dos Leitores, e nem sei se este é o canal apropriado para isto. Mas hoje tento me fazer ouvir, de toda forma,e gostaria, sinceramente, que minha reclamação fosse publicada!

Minha queixa se dirige ao articulista Hélio Schwartzman que, na sua coluna de hoje, comete, talvez, a maior tolice de quantas já possa ter dito (e das várias que já disse, mas isso fica para outra oportunidade): quer dizer que quando um político - que, por pura coincidência, tem “Maranhão” no sobrenome e é natural desse Estado - comete uma lambança política, ele está cometendo uma “maranhada”?

Francamente, gostaria de comprar o Sr. Schwartzman pelo que ele realmente vale e vendê-lo pelo que ele acha que vale…

Cito o texto: "O substituto de Cunha conseguiu, numa só canetada, dar verossimilhança à ideia de que o país é uma república de bananas. A maranhada, como era de esperar, não durou mais do que algumas horas. (…)”. (grifo meu) [Folha de São Paulo, 10/05/2016, Caderno A, p. 2]

Ao longo do artigo, para explicitar o que seria a tal “maranhada”, o autor se serviu fartamente de expressões com teor negativo: “pantomima", "perturbação do ambiente", “barafunda", "embananamento institucional", “manobra" (fraudulenta?). Mais um pouco, por associação indébita, e começaríamos a pensar que “maranhada” é um tipo particular de “lambança” ou, pior, de “fraude” política...

Além de possívelmente tentar colocar em circulação mais uma expressão preconceituosa e chula, que pode ser lançada maldosamente contra naturais do Estado do Maranhão, que outra intenção teria o articulista? Já não bastam as porcas expressões “paraíba” e “baiano” para generalizar - pejorativamente - nordestinos, no Rio e em São Paulo? Agora, além da “baianada” (expressão que, em São Paulo, principalmente, se tornou tristemente popular, para designar “lambanças no trânsito”), teremos também a “maranhada”, para designar lambanças de políticos? Por que não “paulistada”, até pela maior quantidade de políticos paulistas - que os há, seguramente - fazendo das suas, ou uma “cariocada”, quando um político como, por exemplo, Eduardo Cunha faz das suas? Ou será que agora estamos todos autorizados a falar de uma “mineirada”, quando gente como Dilma ou Aécio fazem o que fazem?

Espero que o Sr. Schwartzman peça desculpas públicas aos maranhenses pela bobagem que inventou. Nem todo mundo tem inspiração todos os dias. Não é feio pedir desculpas. Feio é se sentir imune à crítica. E hoje ele errou feio. Nós, maranhenses, estamos muito sentidos com isso e demandamos uma correção.

Em tempo: esta mensagem está sendo copiada para uma lista de pessoas no Maranhão, no Brasil e no exterior, e eventualmente chegará à Folha como um abaixo-assinado.

Muito obrigado por sua atenção e encaminhamentos. 

Aldir Carvalho Filho

Doutor/Pós-Doutor em Filosofia
Professor Titular de Filosofia do Colégio Pedro II (RJ), aposentado.
Professor Adjunto da Universidade Federal do Maranhão

Maranhense, com muito orgulho.

2 comentários:

Josemar Pinheiro disse...

Solidarizo-me com o professor Aldir Filho, é conhecido o preconceito de instelectuais do sul e do sudeste com os estaudos como Paraíba, Piauí, Bahia, Alagoas e Maranhão, cujas contribuição à cultural nacional é inolvidável e adentra até as fronteiras de nosso país. Josemar Pinheiro

Dina Ribeiro disse...

Totalmente solidária em relação ao posicionamento do professor Aldir Filho que mostrou, com muita propriedade, o despreparo do articulista!